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O nazismo de Israel
Após se referir ao morticínio perpetrado em Gaza, com o
assassinato de centenas de crianças, mais de 50 mil palestinos desabrigados
e 20 mil casas destruí-das como à “ofensiva israelense” e admití-la como uma
ação “certamente controversa”, Noemi Jaffe se insurge contra suposto
“frenesi comparativo entre o nazismo e Israel”. Comparação, aliás, que se
generalizou mundo afora, desde o Relator Especial da ONU para os Territórios
Palestinos, o judeu Richard Falk, até o parlamentar inglês Gerald Kauf-man,
cuja avó judia foi assassinada pelos nazistas na Polônia.
Segundo Jaffe, “nada é comparável ao nazismo”, nem mesmo a
repetição em Gaza do Gueto de Varsóvia, que sucede à destruição do Líbano,
ao massacre de Qana, à carnificina de Sabra e Shatila, e que reedita Kfar
Kassem e Dir Yassin.
ELIMINAÇÃO
Ironicamente, quando formula condições para comparar
qualquer bestialidade institucionalizada ao nazismo, insistindo que nada lhe
é comparável “a não ser que haja uma ação consensual, coletiva e
institucional, de eliminação sumária e calculada de um povo inteiro, das
formas mais cruéis e sádicas possíveis, perpetradas por um exército inteiro
que parecia gozar no exercício dos seus pequenos poderes”, ela própria acaba
por fazer uma lista de elementos que descrevem a limpeza étnica perpetrada
há décadas pelos israelenses contra o povo palestino.
Ação calculada, planificada e executada passo a passo desde
1930, como denuncia o historiador israelense, Ilan Pappe em seu livro “A
limpeza étnica da Palestina”.
E mais, planejada pelo líder da implantação do Estado judeu
na Palestina, Ben Gurion. São quase 80 anos de racismo ge-nocida sem que não
tenha se passado um dia em que o mesmo tenha deixado de ser colocado em
prática, como denuncia Pappe.
Em que outra circunstância se viu – na história moderna – o
massacre de um povo ser executado de forma tão sistemática e prolongada?
A denominada “solução final” não estava posta dessa forma
desde o primeiro momento em que Hitler chegou ao poder. O assassinato em
massa de judeus foi sendo ges-tado e colocado em prática à medida que o
poder nazista perpetrava invasões de outros países e desenvolvia sua
psicopatia.
Do mesmo modo, com a degeneração dos que governam Israel –
filhotes de Sharon – a ideologia nazista se apresenta cada vez mais
explícita nas a-ções e palavras dos que integram este regime. Matan Vilnai,
vice-ministro da “Defesa”, prometeu aos palestinos, no início da agressão a
Gaza, “um Holocausto maior”. Já o deputado do Knesset, Avigdor Lieberman,
declarou que “Gaza tem que ser apagada do mapa através de bombas nucleares,
como os americanos fizeram com Hiroshi-ma e Nagasaki”. Ninguém, no governo
ou naquele sistema desumano, que inclui a mídia israelense, pediu a prisão
ou pelo menos a cassação do mandato de nenhum deles. Chegou a hora de
detê-los.
De fato, se poderia apontar uma diferença: um é nazismo
alemão e outro é nazismo israelense. Um gostava de exibir seu poderio e
afirmar abertamente sua gana de conquistar o lebensraum (espaço vital para
os arianos). O outro, gosta de se fazer de vítima, enquanto ocupa um espaço
supostamente de direito sacro, e vai empalmando novos percentuais de terra
palestina.
A destruição de toda uma aldeia, Juhr el Dik, e o
bombardeio a escola da ONU com fósforo branco em Jabalya, não remetem à
punição coletiva imposta pelos nazistas em Lídice?
NATHANIEL BRAIA
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