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A sonegação de impostos da Electrabel/Suez na
Bélgica
DO “SOLIDAIRE”*
É necessário ver para crer. Mas as contas anuais da
Electrabel não mentem. Este ano a maior empresa belga de energia pagou, de
impostos, zero euro e zero centavos!
Oficialmente, na
Bélgica, as empresas pagam 33,99% de impostos sobre os seus lucros. Em teoria,
ao menos. Na prática, as brechas fiscais são tão numerosas que certas empresas
não pagam nada... E, em troca, ainda recebem dinheiro do fisco.
Exagero? Não. Em
relação ao exercício fiscal de 2008, a Electrabel não pagou um único centavo de
imposto sobre seus lucros. É o que revela um dossiê do jornal Bélgica Livre que
mostra também que, ao contrário, a empresa recebeu 94 milhões de euros de
devolução de impostos.
Em lugar de pagar
impostos, a Electrabel ainda recebeu dinheiro. Uma evasão fiscal ilegal? Não! A
Electrabel simplesmente usa de forma “sutil” as “portas de saída legais” que são
oferecidas às multinacionais.
ESCAPATÓRIA Nº
1: TRANSFERIR OS LUCROS PARA A FRANÇA
As centrais
nucleares da Electrabel auferem um lucro líquido de quase 2 bilhões de euros por
ano. Essa montanha de ouro é transferida para a França graças a uma técnica
sutil. Quando a GDF Suez comprou a Electrabel, a gigante francesa de energia
estacionou uma grande parte de sua montanha de dívidas na muito rentável
Electrabel: exatamente 29 bilhões de euros. A Electrabel então reembolsa essa
dívida colossal com os lucros das centrais nucleares belgas.
Em 2008 os juros
montaram a 1,2 bilhões de euros. Assim, o lucro líquido se transfere, com um
pouco de tristeza, da Bélgica para a sede central em Paris, onde a caixa
registradora tilinta permanentemente.
ESCAPATÓRIA Nº
2: DEDUÇÃO DE EMPRÉSTIMOS FICTÍCIOS
Para facilitar mais
ainda o trabalho da Electrabel e da GDF Suez, o governo belga imaginou a
“dedução dos juros estimados”, uma escapatória fiscal que se parece
verdadeiramente com uma evasão fiscal em boa e devida forma e, entretanto, é a
coisa mais dentro da lei, mais legal possível.
A técnica funciona
assim: a Electrabel tem um capital próprio de 12,2 bilhões de euros. Sobre sua
declaração de impostos, ela pode fazer como se tivesse que pagar esse valor ao
banco, como se fosse um empréstimo, e esse pagamento fictício pode ser deduzido
dos juros fictícios de seus impostos. O quanto essa técnica rende exatamente à
Electrabel não se pode deduzir dos números anuais, mas deve chegar a centenas de
milhões de euros. Os últimos números detalhados disponíveis são de 2007. Na
época, a “dedução dos juros estimados” e as outras “escapatórias” permitiram à
Electrabel evitar o pagamento de 497 milhões de euros de impostos devidos.
A ELECTRABEL
PROTEGE SUA VACA LEITEIRA
O governo Van Rompuy
queria deixar as centrais nucleares em atividade por um tempo mais longo. As
centrais nucleares da Electrabel são muito antigas e por razões de segurança
elas seriam fechadas, desativadas progressivamente a partir de 2012. A
Electrabel e a GDF Suez se opõem a isso e hoje sabemos porque. Um estudo recente
da renomada consultora Price Waterhouse Cooper e Lawfort calculou que a GDF Suez
receberá 30 bilhões de euros suplementares se as sete centrais nucleares belgas
ficarem em atividade por mais 15 anos além do previsto. Em troca, a Electrabel
se dispõe a reforçar o orçamento do governo Van Rompuy, que está no vermelho. Em
resumo, um verdadeiro tráfico.
*Publicado no
jornal “Solidaire”, do Partido do Trabalho da Bélgica, em 7 de julho de 2009. |