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Resposta aos
falsificadores (2)
A
campanha contra a URSS no pós-guerra praticamente iniciou-se com as
falsificações sobre o Pacto de Não-Agressão germano-soviético de 1939.
Procurava-se acusar o país que foi a força decisiva para a derrota do nazismo de
ter colaborado com ele – e, por consequência, ser o responsável pela eclosão da
II Guerra. O motivo da campanha era evidente: manchar o imenso prestígio da URSS
em todo o mundo, obtido pelo sangue vertido heroicamente em Moscou, Stalingrado,
Leningrado, Odessa, Kerch, Minsk, Kursk, Kharkov, Orel, Smolensk, Tula, Kíev,
Sebastopol, Berlim e inúmeras outras batalhas contra Hitler. A “Nota sobre os
falsificadores da história”, emitida pelo Ministério das Relações Exteriores da
URSS em 1948, descreve minuciosamente o processo anterior à Guerra, em que os
governos da Inglaterra e da França, incentivando Hitler a agredir a URSS,
permitiram que a Alemanha nazista, armada até os dentes com a cooperação desses
governos, violasse acordos e tratados, ocupando a Áustria e a Tchecoslováquia, e
preparando abertamente o ataque à Polônia. Essa tentativa de isolar a URSS, e
empurrar os nazistas contra ela, custaria logo muito caro a esses governos – e,
infelizmente, mais caro ainda aos povos de seus países.
C.L.
O desenvolvimento
posterior dos acontecimentos mostra ainda mais claramente que os círculos
governantes da Inglaterra e da França se dedicavam a alentar a Alemanha e a
empurrá-la para o caminho das conquistas ao outorgar concessões e favores aos
estados fascistas que, em 1936, se haviam agrupado em um bloco militar e
político conhecido pelo nome de eixo Berlim-Roma.
Ao rechaçar a política de segurança coletiva,
Inglaterra e França adotaram a atitude de uma pretendida não-intervenção, a
respeito da qual Stalin dizia:
...a política de não-intervenção pode ser
caracterizada como: cada país se defenda dos agressores como queira e como
possa, isto não nos afeta, vamos comerciar tanto com os agressores quanto com as
vítimas. Mas, na realidade, a política de não-intervenção equivale a deixar o
agressor fazer, desencadear a guerra e, portanto, a transformá-la em uma guerra
mundial. (Informe ao XVIII Congresso do Partido Comunista (bolchevique) da
URSS).
O amplo e perigoso jogo político iniciado
pelos defensores da política de não-intervenção pode acabar em um grande fiasco.
(Ibidem).
Desde 1937, estava perfeitamente claro que se
ia em direção a uma grande guerra maquinada por Hitler, que se beneficiava do
fato de que a Grã Bretanha e a França lhe deixavam fazê-la.
A POLÍTICA
ANGLO-FRANCESA
Os documentos do Ministério de Assuntos
Exteriores alemão apreendidos pelas tropas soviéticas, revelam a verdadeira
natureza da política exterior da Grã Bretanha e da França durante esse período.
Tal e como demonstram esses documentos, o fundo da política anglo-francesa não
consistia em agrupar as forças dos estados pacíficos para uma luta comum contra
a agressão, mas em isolar a URSS e dirigir a agressão hitlerista para o Leste,
contra a União Soviética, utilizando Hitler como instrumento de seus objetivos.
Ao fazer isso, os governos da Inglaterra e da
França conheciam a orientação fundamental da política exterior hitlerista, que o
próprio Hitler havia definido da seguinte forma:
Nós, nacional-socialistas, damos ponto final,
sabendo plenamente o que estamos fazendo, à orientação de nossa política
exterior de antes da guerra [I Guerra Mundial]. Começamos no mesmo lugar em que
paramos há seis séculos. Abandonamos o perpétuo desejo de expansão para o Sul e
o Oeste da Europa, e voltamos nosso olhar para as terras do Leste. Rompemos,
enfim, com a política colonial e comercial de antes da guerra e passamos à
política territorial do futuro. Mas, hoje, quando falamos de novas terras na
Europa, não podemos senão sonhar, em primeiro lugar, com a Rússia e com os
estados limítrofes subordinados a ela. Parece como se o próprio destino nos
mostrasse o caminho
(Hitler, “Mein Kampf”, Munique,
1936, pág.742).
TRÁFICO DE
TERRITÓRIOS ALHEIOS
Os documentos dos arquivos do Ministério de
Assuntos Exteriores alemão mostram o verdadeiro sentido da diplomacia das
potências ocidentais no período anterior à guerra: mostram como se jogou com os
destinos dos povos, com que impudicícia se traficava com territórios alheios,
como se recortava o mapa mundial em segredo, como se alentava a agressão
hitlerista e que esforços faziam para orientar essa agressão contra a União
Soviética.
Por exemplo, o documento alemão que contém o
texto de uma entrevista, celebrada a 19 de novembro de 1937 em Obersalzberg,
entre Hitler, Halifax [ministro dos Negócios Estrangeiros da Inglaterra] e o
ministro alemão dos Assuntos Exteriores, von Neurath.
Halifax declarou que:
Ele e os demais membros do governo inglês
estavam convencidos de que Hitler havia obtido grandes resultados não só na
Alemanha, mas que, além disso, ao destruir o comunismo em seu país, lhe havia
cortado o caminho para a Europa Ocidental e que, por esta razão, se podia
considerar a Alemanha, com toda razão, como o bastião do Ocidente contra o
bolchevismo. (Texto da entrevista entre o Führer e Lord
Halifax, Obersalzberg, 19/11/1937, Arquivo do Ministério de Assuntos Exteriores
alemão).
EXTENSÃO DO
EIXO
Halifax dizia:
Uma vez preparado o terreno, graças à
aproximação germano-britânica, as quatro grandes potências da Europa Ocidental
[Grã Bretanha, França, Alemanha e Itália] deverão preparar conjuntamente a base
sobre a qual se possa estabelecer na Europa uma paz duradoura.
(Ibidem).
Assim, desde 1937, em nome do governo inglês,
Halifax propunha a Hitler a adesão da Inglaterra e, ao mesmo tempo, da França,
ao eixo Berlim-Roma.
Apesar disso, Hitler respondeu declarando que
um acordo como esse lhe parecia muito fácil de realizar sempre e quando se
atuasse com boa vontade e respeito mútuo, mas que as coisas se complicariam se
não se considerasse a Alemanha como um Estado que já não levava o estigma moral
ou material do Tratado de Versalhes.
Halifax respondeu:
Nós, ingleses, somos realistas e, talvez mais
que quaisquer outros, estamos convencidos de que os erros da imposição de
Versalhes devem ser corrigidos. Também em outras épocas, a Inglaterra exerceu
sempre sua influência neste sentido realista.
Halifax destacou o papel jogado pela Inglaterra quando da evacuação prematura da
Renânia [região alemã na fronteira da França, desmilitarizada em 1919 pelo
Tratado de Versalhes e ocupada militarmente por Hitler, violando o Tratado, em
1936, sem reação da Inglaterra e França].
A continuação do texto demonstra que o
governo inglês havia adotado uma atitude favorável aos planos hitleristas de
ocupar Dantzig [cidade polonesa], Áustria e Tchecoslováquia.
Halifax declarou:
De todas as demais questões, pode-se dizer
que dizem respeito a mudanças da ordem europeia, que se levarão a cabo, com toda
probabilidade, mais tarde ou mais cedo. Em relação a essas questões figuram
Dantzig, Áustria e Tchecoslováquia. A Inglaterra só está interessada em uma
coisa: que essas mudanças aconteçam por meio de uma evolução pacífica e que se
possam evitar os métodos suscetíveis de ocasionar novas desordens que nem o
Führer nem outros países desejariam. (Ibidem).
Convém frisar, sobre isso, a declaração do
ministro inglês Simon no Parlamento, a 21 de fevereiro de 1938, de que a Grã
Bretanha jamais havia dado garantia especial alguma sobre a independência da
Áustria. Tratava-se de uma mentira manifesta, posto que tais garantias estavam
nos Tratados de Versalhes e de Saint-Germain.
Na mesma época, o primeiro-ministro
Chamberlain declarou que a Áustria não podia contar com nenhum tipo de defesa
por parte da Liga das Nações.
Não devemos tentar, disse Chamberlain, cair nós mesmos no erro e, menos
ainda, enganar as nações pequenas e débeis, fazendo-as crer que a Liga das
Nações vai defendê-las contra a agressão e que se poderá atuar em consequência,
pois todos nós sabemos que nada disso se pode levar a cabo. (The Times,
23/02/1938, pág. 8).
AMIZADE COM A
ALEMANHA
Os arquivos alemães contêm também o texto de
uma entrevista entre Hitler e o embaixador britânico na Alemanha, Henderson, em
presença de Ribbentrop, a 3 de março de 1938.
Falando em nome do governo inglês, Henderson
destacou que:
Não se trata de uma transação comercial, mas
de uma tentativa de estabelecer as bases de uma verdadeira e cordial amizade com
a Alemanha, começando por melhorar a situação e acabando por criar um novo
espírito de compreensão amistosa. (Texto da entrevista, 3/03/1938, Berlim, Arquivos do
Ministério de Assuntos Exteriores alemão).
Ao não colocar objeções às exigências de
Hitler de agrupar a Europa sem a Rússia, Henderson recordou que Halifax, que já
era nessa época ministro dos Negócios Estrangeiros, havia aceito já as mudanças
territoriais que a Alemanha se dispunha a fazer na Europa, e que:
Deu provas de uma grande coragem quando,
apesar de tudo, arrancou a máscara de frases internacionais como a segurança
coletiva, etc. Por isso,
acrescentava Henderson, a Inglaterra se declarava disposta a descartar todas
as dificuldades e indaga à Alemanha se, por sua vez, está disposta a fazer outro
tanto (Ibidem).
Quando Ribbentrop interveio na conversação
para frisar a Henderson que o ministro da Inglaterra em Viena havia efetuado a
von Papen [embaixador alemão na Áustria em 1938] uma declaração em tom dramático
sobre os acontecimentos da Áustria, Henderson se apressou a dessolidarizar-se da
declaração de seu colega, dizendo que ele mesmo, Neville Henderson, havia se
pronunciado com frequência sobre o Anschluss [a anexação da Áustria pela
Alemanha].
A CRISE DO
ANSCHLUSS
Depois dessa entente, a 12 de março de 1938,
Hitler se apoderou da Áustria sem enfrentar nenhuma resistência por parte da
Inglaterra e da França. Nesse momento, a União Soviética foi a única a lançar um
grito de alarme e um novo chamamento à organização da defesa coletiva da
independência dos países ameaçados de agressão. Em 17 de março de 1938, o
governo soviético dirigiu uma nota às potências imperialistas, na qual se
declarava disposta a empreender, na Liga das Nações, junto às demais potências,
ou à margem dela, o exame de medidas práticas destinadas a frear o
desenvolvimento da agressão e a suprimir o perigo mais agudo, o de uma nova
carnificina mundial (Izvestia, 16/03/1938).
A resposta do governo inglês à nota soviética
punha a descoberto que tal governo não queria opor-se aos planos de agressão
hitlerista.
Ali se disse que, na opinião do governo de
Sua Majestade, realizar uma conferência para adotar ações conjuntas contra a
agressão não exerceria, necessariamente, uma influência favorável para as
perspectivas da paz europeia (nota do Ministério de Negócios Estrangeiros
britânico, 21/03/1938).
A ocupação da Tchecoslováquia por parte de
Alemanha foi o elo seguinte na cadeia da agressão alemã e da preparação da
guerra na Europa. E esse importante passo para o desencadeamento da guerra na
Europa, Hitler unicamente pode fazer com o apoio direto da Inglaterra e da
França.
A 10 de julho de 1938, o embaixador da
Alemanha em Londres comunicava a Berlim que o governo inglês: considerava a
busca de um compromisso com a Alemanha um dos pontos essenciais de seu programa
e manifestava à Alemanha a máxima compreensão (Informe Político de
10/07/1938, Arquivos do Ministério de Assuntos Exteriores alemão).
Dircksen [o embaixador alemão] escrevia que o
governo inglês: havia se aproximado bastante da
compreensão dos pontos mais essenciais das reivindicações fundamentais da
Alemanha: a eliminação da União Soviética do acordo sobre o destino da Europa e,
nesse mesmo espírito, o isolamento da Liga das Nações e a oportunidade de
negociações e tratados bilaterais.
Dircksen mandava dizer igualmente a Berlim
que: o governo inglês estava disposto a fazer grandes sacrifícios para
satisfazer as demais reivindicações, totalmente justas, da Alemanha.
TRAIÇÃO EM
MUNIQUE
A 19 de setembro de 1938, isto é, quatro dias
depois da entrevista Hitler-Chamberlain, os representantes dos governos
britânico e francês exigiam do governo tchecoslovaco a transferência para a
Alemanha dos territórios da Tchecoslováquia povoados principalmente por alemães
dos Sudetos. Para justificar essa exigência, declaravam que, sem isso, seria
impossível manter a paz e assegurar os interesses vitais da Tchecoslováquia. Os
protetores anglo-franceses da agressão hitlerista tentavam encobrir sua traição
com a promessa de uma garantia internacional das novas fronteiras do Estado
tchecoslovaco como contribuição à obra de apaziguamento da Europa (Correspondance
Czecheslovakia, setembro, 1938, cid 5847, pág.8922).
A 20 de setembro, o governo tchecoslovaco
respondia às propostas anglo-francesas. Declarava que a adoção de tais propostas
equivaleria a uma completa e voluntária mutilação do Estado, de todos os pontos
de vista. Chamava a atenção dos governos inglês e francês sobre o fato de que a
paralisia da Tchecoslováquia traria profundas mudanças políticas em toda a
Europa Central e no Sudeste. O equilíbrio de forças na Europa Central, e na
Europa em geral - declarava o governo tchecoslovaco - seria destruído, o que
acarretaria graves consequências para todos os demais Estados, muito
particularmente para a França.
O governo tchecoslovaco fazia um último apelo
aos governos da Inglaterra e da França; pedia-lhes que reconsiderassem seu ponto
de vista, frisando, além do mais, que isso não somente era do interesse da
Tchecoslováquia, mas também do interesse de seus amigos, da causa da paz e de um
normal desenvolvimento na Europa.
No dia seguinte, o governo inglês enviava sua
resposta ao governo tchecoslovaco. Em sua nota, propunha-lhe que retirasse sua
resposta às propostas iniciais anglo-francesas e que sopesasse com urgência e
seriamente os prós e os contras antes de criar uma situação cuja
responsabilidade o governo inglês não poderia assumir. Em conclusão, o governo
inglês frisava não acreditar que o projeto tchecoslovaco de arbitragem fosse
aceitável nesse preciso momento. A nota sublinhava que o governo inglês não
pensava que o governo alemão considerasse a situação como suscetível de poder-se
resolver pela via da arbitragem, tal e como propunha o governo tchecoslovaco.
Finalmente, a nota inglesa lançava uma
advertência ao governo tchecoslovaco e declarava em tom ameaçador que, se o
governo tchecoslovaco rechaçasse o conselho da Inglaterra, seria lícito a este
recorrer a todo tipo de ações que considerasse adequadas à situação.
A CONFERÊNCIA
DE MUNIQUE
A Conferência de Munique, celebrada nos dias
29 e 30 de setembro de 1938 entre Hitler, Chamberlain, Mussolini e Daladier, foi
o remate da vergonhosa transação, inteiramente concertada de antemão entre os
principais participantes do complot contra a paz. A sorte da Tchecoslováquia se
decidiu sem que ela participasse em nada das decisões tomadas. Os representantes
da Tchecoslováquia unicamente foram convidados a Munique para esperar
submissamente as decisões da entente entre os imperialistas.
Nessa época, Stalin denunciou o verdadeiro
sentido da Entente de Munique ao dizer que deram à Alemanha regiões da
Tchecoslováquia em pagamento do compromisso de desencadear a guerra contra a
União Soviética. A essência da política dos círculos governantes anglo-franceses
durante esse período tornou-se manifesta nas seguintes palavras de Stalin, no
XVIII Congresso do Partido Comunista (bolchevique) da União Soviética, celebrado
em março de 1939:
A política de não-intervenção equivale a
tolerar a agressão, a desencadear a guerra e, em consequência, a transformá-la
em Guerra Mundial. Na política de não-intervenção subjaz a aspiração, o desejo
de não impedir que os agressores levem a cabo sua tenebrosa obra; de não
impedir, por exemplo, que o Japão se emaranhe na guerra com a China e, melhor
ainda, com a União Soviética; de não impedir, sobretudo, que a Alemanha se atole
nos assuntos europeus, se enrede na guerra contra a União Soviética; de permitir
a todas as partes beligerantes afundar-se até o pescoço na lama da guerra,
estimulá-las a isso hipocritamente, deixar que se debilitem e se esgotem
mutuamente e, depois, quando já estejam suficientemente debilitadas, aparecer em
cena com forças frescas e intervir, naturalmente ‘no interesse da paz’ e ‘impor
suas condições aos beligerantes debilitados’.
A UNIÃO
SOVIÉTICA
De todas as grandes potências, a União
Soviética foi a única que tomou parte ativa em todas as etapas na defesa da
independência e dos direitos nacionais da Tchecoslováquia. Em suas tentativas
para justificar-se aos olhos da opinião pública, os governos da Inglaterra e da
França pretenderam fazer crer, de maneira hipócrita, que não sabiam se a União
Soviética cumpriria os compromissos com a Tchecoslováquia, que decorriam do
Tratado de Assistência Mútua. Afirmavam algo que sabiam que era falso, pois o
governo soviético declarou publicamente que estava disposto a intervir ao lado
da Tchecoslováquia contra a Alemanha, de acordo com as cláusulas desse Tratado,
que estipulava a intervenção simultânea da França em defesa da Tchecoslováquia.
Mas a França se negou a cumprir com seu dever.
Na véspera da transação de Munique, o governo
soviético declarou novamente que advogava pela convocação de uma conferência
internacional para aportar uma ajuda prática à Tchecoslováquia e manter a paz.
Quando a ocupação da Tchecoslováquia era um
fato consumado, e os governos dos países imperialistas declaravam, um atrás do
outro, que reconheciam o fato consumado, o governo soviético, em sua nota de 18
de março, condenou a ocupação da Tchecoslováquia como um ato arbitrário de
violência e agressão. Nessa mesma nota, o governo soviético frisava que os atos
da Alemanha haviam criado e reforçado a ameaça para a paz mundial, que haviam
turvado a estabilidade política na Europa Central, multiplicando os elementos do
estado de alarme já existente na Europa e dado um novo golpe no sentimento de
segurança dos povos (Izvestia, 20/03/1939).
Porém, não se limitaram somente a entregar a
Tchecoslováquia a Hitler. A 30 de setembro de 1938, Chamberlain e Hitler
assinaram uma declaração anglo-alemã em que se dizia:
...chegamos unanimemente à convicção de que a
questão das relações germano-inglesas tem uma importância de primeira ordem para
ambos os países e para a Europa. Consideramos o acordo assinado ontem a tarde,
da mesma forma que o acordo naval germano-inglês, como o símbolo do desejo de
nossos povos de não declarar-se nunca mais a guerra. Igualmente, estamos
firmemente decididos a examinar as demais questões importantes para nossos dois
países, via consultas, e a esforçarmo-nos para descartar qualquer diferença no
futuro, com a finalidade de contribuir também para assegurar a paz na Europa
(Archiv für Aussenpolitik und Landerkunde, setembro 1938, pág.483).
Tratava-se, por parte da Inglaterra e da
Alemanha, de uma declaração de não-agressão entre esses países.
O ACORDO
BONNET-RIBBENTROP
A 5 de dezembro de 1938 se assinou uma
declaração franco-alemã entre Bonnet e Ribbentrop, análoga à declaração
anglo-alemã.
Nela se dizia que os governos alemão e
francês haviam chegado à convicção de que as relações pacíficas e de boa
vizinhança entre a Alemanha e a França constituíam uma das premissas essenciais
da consolidação das relações europeias e da salvaguarda da paz mundial, e que
ambos os governos se esforçariam todo o possível para assegurar a manutenção de
relações dessa natureza entre seus países. A declaração constatava que entre a
França e a Alemanha já não existia nenhuma questão em litígio de ordem
territorial e que a fronteira entre seus países era definitiva. Em conclusão, a
declaração dizia que os dois governos haviam adotado a firme resolução, sem
prejuízo de suas relações particulares com terceiras potências, de manter um
contato mútuo sobre todas aquelas questões relativas a seus dois países e para
consultar-se mutuamente nos casos em que essas questões pudessem conduzir a
complicações internacionais em sua evolução posterior.
No fundo, a conclusão desses acordos
significava que a Inglaterra e a França haviam assinado pactos de não-agressão
com Hitler.
Podemos ver com toda a clareza como se
perfila nesses acordos com a Alemanha hitlerista o desejo dos governos inglês e
francês de descartar a ameaça da agressão hitlerista contra eles, com a ideia de
que o acordo de Munique e outras conversações análogas já haviam aberto as
portas à agressão hitlerista para o Leste, para a região da União Soviética. |