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Governo da Califórnia anuncia corte de
US$ 15 bi dos programas sociais
O
republicano Arnold Schwarzenegger, governador do Estado mais rico dos EUA,
declarou que passará a faca no Orçamento, garfando recursos da saúde,
educação e segurança. Exterminador poupará bancos e monopólios, os grandes
devedores de impostos
Governador da Califórnia, o republicano Arnold Schwarzenegger fechou um
acordo com o legislativo para cortar US$ 15 bilhões do orçamento estadual
que, retirando recursos da educação, saúde e segurança, jogará na pobreza
centenas de milhares de pessoas, piorando a crise em que a economia
norte-americana se encontra.
À beira da falência, o Estado com mais habitantes dos EUA, o mais poderoso
economicamente, a sede da indústria de espetáculo americana, Hollywood, que
se fosse um país independente seria a oitava economia do mundo, que vende a
imagem de líder de novas tecnologias com a Silicon Valley, acumulou um
déficit de 26,3 bilhões de dólares, que agora pretende zerar sem mexer com
os bancos e monopólios, os grandes devedores de impostos.
Para anunciar os cortes decorrentes da decisão, o exterminador apareceu na
televisão, no dia 22 passado, sorridente e com uma enorme faca na mão, fato
que provocou a indignação dos californianos.
DESMANCHE
O “plano” compreende tirar 9 bilhões de dólares da educação, onde os
prejudicados serão os colégios e universidades públicas; 1,2 bilhões do
financiamento dos cárceres, 4 bilhões do orçamento das prefeituras e
condados. O salário dos funcionários públicos será diminuído inicialmente em
14%, com cortes progressivos.
Marty Hittelman, presidente da Federação dos Professores da Califórnia (CFT)
disse que “as prioridades estão totalmente ao contrário: se corta na
educação e as corporações recebem dinheiro, e os impostos que deviam pagar
são perdoados”. Enquanto isso, os acionistas dos bancos ficam com bilhões de
dólares em “divindendos”.
Outra impressionante iniciativa anunciada por Arnold Schwarzenegger é a de
“autografar 15% dos 40.000 veículos da frota do governo”, com o que planeja
arrecadar 24 milhões de dólares.
As medidas afetarão a todos os serviços. Escolas serão fechadas e
professores mandados para o olho da rua, aumentando o número de alunos por
sala de aula; seis campi da UCLA (Universidade de Los Ángeles) serão
eliminados; desaparecerão as ajudas para financiar empréstimos a 50.000
estudantes, justamente no momento em que taxas de matrícula batem recordes
de aumentos. Isso implica, segundo o jornal Los Angeles Time, em que
milhares de alunos deverão abandonar seus estudos pois ficarão
inadimplentes. O orçamento da educação no Estado, que já perdeu 1,1 bilhão
de dólares, se verá privado de mais 650 milhões.
Os hospitais continuarão suprimindo serviços de atendimento, leitos e postos
de trabalho, na quarta redução consecutiva do orçamento da Califórnia.
PROTESTOS
Os recursos do programa de Seguro Saúde Infantil que o governador
republicano quer suprimir (George W. Bush já o tinha cortado e o presidente
Barack Obama o restabeleceu) perdeu 650 milhões de dólares, apesar dos
protestos da população.
Grandes penitenciárias serão fechadas e 30.000 presos libertados, muitos
condenados por delitos graves. Os guardas também ficarão sem emprego. Até o
famoso centro de detenção de condenados a morte, na Ilha de San Quintín, que
foi cenário de muitos filmes, está com os dias contados. A forte queda do
valor das moradias arrastou toda o setor da construção, esfriando a produção
em geral, sem previsão de quando se poderá saldar o déficit de 26,3 bilhões.
Representantes de 480 cidades e 58 condados anunciaram que processarão o
governo da Califórnia que planeja tomar indevidamente cinco bilhões de
dólares de recursos dos governos locais. Chris McKenzie, presidente
executivo da Liga de Cidades do Estado, afirmou que “a Justiça não pode se
isentar de uma barbaridade como essa que só agrava a crise”.
A taxa de desemprego oficial da Califórnia é de 11,6%, superior à media
estadunidense de 9,5%, embora estudos técnicos apontem que já está acima dos
17%.
SUSANA SANTOS
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