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Os
meios de comunicação e a independência nacional
Publicamos hoje
a íntegra do discurso, proferido a 15 de junho de 1993, pelo fundador da
República Popular Democrática da Coreia, Kim Il Sung, na Quarta Conferência dos
Ministros das Comunicações dos Países Não Alinhados, realizada em Pyongyang.
Kim Il Sung
pertence àquele raro grupo de personalidades que condensaram a História do
século XX, isto é, a luta de libertação dos povos, o combate ao fascismo –
durante o qual foi comandante da guerrilha contra a sanguinária ocupação
japonesa de seu país – e, depois, o enfrentamento ao imperialismo
norte-americano, que sofreu na Coreia a derrota que, antes do Vietnã, levantou
homens e mulheres em todo o mundo. Ele foi o líder que tirou o povo coreano de
uma situação de submissão e elevou-o à protagonista da História Mundial.
Neste discurso,
feito quando já tinha 81 anos, suas qualidades são translúcidas. Na época, o
socialismo na URSS e no Leste Europeu já havia caído – e Kim se debruça sobre os
caminhos das nações após o fim da chamada “guerra fria”.
Seu tema, muito
importante para nós, brasileiros, sobretudo às vésperas de uma Conferência
Nacional de Comunicação, é, exatamente, o do papel dos meios de comunicação na
libertação dos seres humanos, na independência das nações. Ele aponta, com
precisão, o papel chave que a monopolização dos meios de comunicação tem para o
imperialismo – e, portanto, como é também decisivo que os povos e forças
progressistas estejam apetrechados com seus próprios meios de comunicação para
travar com sucesso a luta pela independência, pela justiça e pela liberdade.
A grandeza de
Kim Il Sung residia em sua fidelidade à causa da Humanidade – naturalmente, a
partir de seu próprio povo e país -, em sua capacidade de pensar as saídas para
cada situação difícil que se apresentava, e em seu heroísmo, tantas vezes posto
à prova. Abaixo, o leitor verá como ele se refere ao Zuche. Poderíamos abordar
este conceito de várias formas. Porém, ele, em conversa com Norodom Sihanouk,
príncipe do Camboja, o definiu da forma mais simples, mais sucinta e mais
essencial: “o Zuche”, disse ele, “consiste em pensar com a própria cabeça”.
C.L.
KIM IL SUNG
Estimados delegados,
companheiros e amigos:
Com a satisfação que me proporciona a
realização em nosso país da Quarta Conferência de ministros das Comunicações dos
Países Não Alinhados, gostaria de saudar calorosamente os ministros e os
representantes provenientes de numerosas nações e dos organismos internacionais
participantes.
É de suma importância que os ministros das
Comunicações dos Países Não Alinhados que aspiram à independência se reúnam, e
troquem as experiências e as conquistas no campo de suas atividades, e que
elaborem uma estratégia comum para desenvolver mais o intercâmbio e a
colaboração.
Estou convencido de que, graças aos
perseverantes esforços dos delegados, a presente reunião alcançará magníficos
resultados e contribuirá para o progresso das comunicações nas nações não
alinhadas - e outras, em vias de desenvolvimento -, para a implantação de uma
nova ordem mundial, para o fortalecimento do Movimento Não Alinhado e para a
realização da independência a nível mundial.
Caros delegados:
Hoje, a Humanidade vive uma nova época de
mudanças históricas, e os povos progressistas do planeta enfrentam a tarefa
comum de impulsionar com força o curso da luta pela soberania, para construir um
mundo novo e independente.
Construir um mundo novo, livre e pacífico,
isento da dominação e da submissão, da agressão e da guerra, é a aspiração comum
dos povos e uma tarefa histórica imposta pelo momento.
Embora tenha se dado fim à guerra fria que
obstaculizava o avanço da História, ainda restam de pé velhas forças que,
opondo-se à corrente da independência, tentam dominar o mundo com mão dura. As
contradições imperialistas, que durante a guerra fria ficaram à sombra do
enfrentamento entre as superpotências, afloraram com o seu fim e colocam
diversos problemas. Atualmente, no mundo ocidental, existem tendências para
criar blocos no bojo de complexas relações de rejeição e aliança, segundo os
interesses que perseguem, e tornam-se abertas as conspirações para a expansão da
esfera de domínio no plano político, econômico e militar. Ao mesmo tempo,
aprofunda-se, cada dia mais, a brecha entre a riqueza e a pobreza nos países
capitalistas avançados e outros, em desenvolvimento. Não devemos esquecer que as
armas nucleares, os blocos militares, o dinheiro, a cultura burguesa
reacionária, e outros meios que estão nas mãos das forças caducas, são
utilizados para a dominação e a pilhagem, para a agressão e a ingerência, cujos
principais alvos e vítimas são os países não alinhados e outros em
desenvolvimento.
Com o objetivo de construir o mundo novo e
independente a que aspira a Humanidade, é necessário liquidar o quanto antes os
resíduos da guerra fria, condenada pela História, e desbaratar toda classe de
tentativas de retrocesso, assim como democratizar a comunidade internacional, de
modo a que todos os países e nações exerçam por igual os seus direitos
independentes no cenário mundial.
O Movimento Não Alinhado, frente aos blocos
agressivos, defende a independência contra a dominação e a submissão; é um
movimento destinado a fortalecer a solidariedade internacional dos países
soberanos. É, em essência, um movimento para implantar a democracia e a
independência em todo o planeta. Enquanto sobre o mundo existam forças que
buscam o domínio e a ingerência, a agressão e a pilhagem, o Movimento Não
Alinhado deve se desenvolver sem cessar, se ampliar e se fortalecer como a força
principal para a construção de um mundo novo e independente. Este processo
implica o exercício da democracia e da independência em todo o mundo.
Os governos e os povos dos países não
alinhados, unidos sob a bandeira da independência, da paz e da amizade, devem
travar uma luta ativa pela ampliação e o desenvolvimento de seu movimento e a
realização da independência na Terra.
As comunicações têm um papel muito importante
no progresso do Movimento Não Alinhado e na construção de um mundo com essas
características.
Na época atual, quando as massas populares
estão forjando seu destino de forma independente no cenário histórico, a
informação constitui uma importante frente do acirrado enfrentamento e luta
entre o novo e o caduco, entre o progresso e a reação.
Na atualidade, os imperialistas, mediante
modernos e potentes meios de comunicação monopolizados, difundem em grande
escala ideologias e culturas reacionárias e informações tergiversadas, segundo
suas exigências e interesses. Abafam a justa voz dos povos, distorcem
arbitrariamente a opinião pública, inventam falsidades, embelezam e enfeitam a
sociedade antipopular e propugnam a agressão e a guerra.
Deixando intacta a atual ordem internacional
das comunicações, em que os imperialistas ocupam a posição monopólica, é
impossível defender a independência dos povos progressistas do mundo e fazer
valer o princípio de justiça nas relações internacionais.
A atual situação exige que os países não
alinhados e outros em desenvolvimento fomentem com rapidez seus meios de
comunicação progressistas, elevando decisivamente o seu papel.
A principal missão dos meios de comunicação
do Movimento Não Alinhado radica em contribuir ativamente com a justa causa dos
povos pela independência, paz e progresso social. Devem ser autênticos
porta-vozes dos países e povos progressistas que defendem a independência, guias
competentes que os conduzam para o cumprimento de sua causa independentista. Da
mesma forma, devem ser um juiz imparcial da História, que se pronuncie pelo
justo e denuncie o injusto.
Para que os meios de comunicação do Movimento
Não Alinhado possam cumprir com a missão e o papel que assumem neste momento, os
países não alinhados devem manter com firmeza a posição independente e
anti-imperialista, e observar com rigor o princípio de justiça neste campo.
O anti-imperialismo e a independência são o
ideal fundamental do Movimento Não Alinhado. Os órgãos de comunicação dos Não
Alinhados, com palavras incisivas, deverão deixar a nu a natureza agressiva e
saqueadora do imperialismo e seus métodos neo-colonialistas, opondo-se
contundentemente à penetração das ideias burguesas que, como drogas, estragam o
espírito são dos povos; e esmagar de forma categórica a ofensiva dos meios de
comunicação reacionários dos imperialistas com a ofensiva dos meios de
comunicação progressistas. Os meios de comunicação dos Não Alinhados devem
divulgar amplamente a justa luta dos povos pela soberania, pela independência e
pelo progresso social, elevar a voz da solidariedade internacional com essa
luta; condenar todo tipo de dominação, intervenção e agressão que violam a
liberdade e os direitos do homem, atentam contra a soberania dos países e
nações, e ameaçam a paz mundial.
Com o objetivo de fomentar as atividades
informativas dos países não alinhados e fortalecer o papel das comunicações
progressistas, é preciso desenvolver o intercâmbio e a cooperação internacionais
neste setor.
Eis aqui, precisamente, uma importante
garantia para ativar as comunicações dos Não Alinhados e elevar a justa voz dos
povos progressistas.
Até agora, graças aos esforços conjuntos dos
países não alinhados, têm se adotado estratégias e acordos comuns em suas
Conferências de Cúpula e outras reuniões internacionais, com vistas a
incrementar o intercâmbio e a cooperação no campo da informação, em virtude dos
quais têm se estabelecido e posto em funcionamento o sistema mundial de
colaboração informativa dos Não Alinhados e os organismos internacionais de
comunicação. Este é um sucesso inapreciável e uma condição importante para
realizar com eficiência a cooperação Sul-Sul no campo informativo.
Sobre a base dessas conquistas, os países não
alinhados trocarão êxitos e experiências, e cooperarão estreitamente com o
espírito de auto-suficiência coletiva, atendo-se aos princípios de igualdade,
benefício e conveniência mútuos. Isso trará resultados positivos no
desenvolvimento das atividades informativas, como, por exemplo, a ampliação e o
fortalecimento dos meios de comunicação de cada país, a formação de seu pessoal,
a garantia da diversidade e atualidade das notícias.
Fortalecer as organizações internacionais de
comunicação e o sistema mundial de cooperação informativa, assim como elevar sua
função e papel, é importante para implantar uma nova ordem mundial da informação
e da comunicação, conforme com o princípio de justiça. Com esforços conjuntos,
os Não Alinhados têm que adotar medidas tendentes a elevar o papel do atual
Conselho Intergovernamental para a Coordenação no Campo da Informação, entre
eles, o pool de agências de notícias e outras organizações mundiais de
informação, e consolidar o sistema de cooperação internacional neste setor.
Atualmente, entre os governos, organizações progressistas e personalidades de
distintos países, se apresenta a justa exigência de estabelecer novos centros
internacionais de informação que possam interpretar, de modo imparcial, as
reivindicações pela justiça e independência. Se esses centros se criam em
determinadas regiões de vários continentes, poderão desempenhar um papel
importante na destruição da velha ordem mundial da informação e comunicação e o
estabelecimento de outra, nova, além de fazer contribuições efetivas para levar
adiante a luta pela independência no mundo.
Desde os primeiros dias da construção de uma
nova sociedade, o Partido do Trabalho da Coreia e o governo de nossa República
têm canalizado ingentes esforços na criação e desenvolvimento da comunicação
nacional, apropriada às condições do país. Ao implantar com firmeza o Zuche
[conceito que expressa a independência e auto-estima] nas comunicações,
conseguimos transformar todos os órgãos correspondentes em propriedade das
massas populares, donas do Estado e da sociedade, e fazer com que o seu trabalho
sirva à justa causa destas pela soberania, pela independência e pelo socialismo.
No nosso país, as comunicações jogam o papel
de precursor que eleva a consciência revolucionária e o fervor criador das
massas populares e as orienta a cumprir, unidas compactamente como uma só alma e
vontade, com sua responsabilidade e papel como protagonistas na luta pela
construção do socialismo. À margem do papel das comunicações são inconcebíveis o
rápido progresso e desenvolvimento de nossa sociedade, e todos os êxitos
relevantes de nosso povo na revolução. Nossos meios de comunicação contribuem
ativamente com a causa dos povos do mundo pela independência ao promover, com
seu trabalho de informação e divulgação, as relações de amizade e cooperação com
os países não alinhados e em vias de desenvolvimento, e travar com energia a
batalha da telecomunicação contra o imperialismo e contra qualquer injustiça.
Hoje, nas difíceis condições criadas pelas
incessantes manobras de agressão e intervenção do imperialismo, nosso povo se
esforça por preservar e fazer brilhar mais o socialismo fundamentado na ideia
Zuche e centrado nas massas populares, assim como por reunificar a Pátria,
atendo-se ao princípio da soberania nacional.
Para isolar e asfixiar nossa República, que
avança hasteando a bandeira do socialismo no Oriente, as forças reacionárias
internacionais realizam uma estrondosa campanha contra ela, complicando a
situação na Península Coreana. Com a mobilização de seus meios de comunicação
reacionários, tergiversam a realidade de nosso país, difamam e injuriam nosso
regime socialista e a justa causa de nosso povo. Mas a falsidade não pode
eclipsar a verdade e nenhuma conspiração conseguirá bloquear o avanço de nosso
povo, que está convencido da justeza de sua causa e unido solidamente em torno
do Partido. Ao atuar unido, e com a inalterável convicção de que é o dono de seu
próprio destino e da força que o forja, nosso povo conseguiu levantar um
magnífico país socialista, independente, auto-sustentado e com capacidade de se
auto-defender. Aprecia como a sua própria vida o socialismo centrado nas massas
populares e construído à custa de seu suor e sangue. Não é um povo que se rende
ante uma ameaça, calúnia ou difamação, nem desiste de suas ideias ao tornar-se
difícil a situação. Continuará marchando com passos firmes pelo caminho da
independência, pelo caminho do socialismo, assinalado pela ideia Zuche, não
importa que a situação se torne favorável ou desfavorável.
Gostaria de aproveitar esta oportunidade para
manifestar minha profunda gratidão aos governos e instituições de comunicação de
distintos países não alinhados e às organizações de comunicação do Movimento Não
Alinhado, pelo seu apoio e respaldo à justa luta de nosso povo, e ao mesmo tempo
expressar minha esperança de que daqui em diante alcem mais a sua voz de
solidariedade.
Esforçar-se pela
realização dos nobres ideais do Movimento Não Alinhado, e pelo fortalecimento e
desenvolvimento dele, constitui a invariável política exterior do governo de
nossa República. No futuro, ele e nosso povo se manterão unidos e colaborarão
estreitamente com todos os países não alinhados, sob a bandeira da soberania, da
paz e da amizade; e farão ingentes esforços pelo fortalecimento e
desenvolvimento do Movimento Não Alinhado, e a vitória da luta pela
independência na Terra. O governo de nossa República fará tudo o que estiver ao
seu alcance para promover o intercâmbio e a cooperação com os países não
alinhados e outros em desenvolvimento no setor das comunicações, e cumprirá
fielmente com a sua responsabilidade.
Vocês, delegados, são os precursores que se
entregam com abnegação à missão de fazer realidade os nobres ideais do Movimento
Não Alinhado. São, por isso, inapreciáveis hóspedes de nosso povo. Onde quer que
vocês forem, ele os receberá e saudará calidamente.
Espero que durante vossa permanência aqui
passem dias alegres e frutíferos, e lhes desejo, de todo coração, maiores êxitos
em suas justas atividades futuras. |