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Para usineiros, alimentar trabalhadores da cana é “caro e complicadíssimo”
A “Mesa de Diálogo para
Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar”, coordenada pela
Secretaria-Geral da Presidência da República, vem enfrentando forte
resistência dos usineiros, que se recusam até mesmo a fornecer alimentação a
seus trabalhadores.
Consultado sobre a proposta de
oferecer comida aos cortadores, Marcos Jank, presidente da União da
Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) - uma das entidades que representa o
setor sucroalcooleiro -, disse que “o sistema de alimentação é muito caro e
tem uma logística complicadíssima”, Além de economizar com a fome alheia, o
empresário deixou claro seu temor – plenamente justificável, aliás - diante
da fiscalização da vigilância sanitária nas frentes de trabalho. Como as
equipes de combate ao trabalho escravo do Ministério têm comprovado, a
higiene nestes locais, assim como a comida, são inexistentes.
“Como conceber um setor
produtivo que se diz capaz de abastecer os tanques dos automóveis do mundo
inteiro e não abastece os estômagos dos empregados?”, questionou o
presidente da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São
Paulo (Feraesp), Elio Neves, participante da tentativa de negociação. Elio
também condenou a ausência de um piso salarial nacional. “Atualmente chega a
um ponto vergonhoso de um mesmo grupo econômico ter três ou quatro pisos
salariais”, denunciou.
Para o representante dos
usineiros, a negativa do piso não equivale à possibilidade de
superexploração da mão-de-obra, mas se explica porque “o setor é
heterogêneo”.
Apesar da boa vontade do
governo, como a adesão dos produtores de cana será voluntária e não existe
sequer previsão de punição para aqueles que não assinarem, a “Mesa” está,
literalmente, de pernas para o ar. |