O grande roubo na GM

GREG PALAST*

 

Pode ser que hoje (1º de junho) haja uma choradeira geral pela quebra da GM. Porém o sepultamento em massa de 40 mil dos últimos 60 mil empregados com filiação sindical não tirará o sono de Jamie Dimon. Dimon é o presidente do Conselho de Administração do banco JP Morgan. Enquanto os trabalhadores da GM perdem seu direito à assistência médica na aposentadoria, seus postos de trabalho e as economias de toda uma vida; enquanto os acionistas ficam sem nada de nada e muitos credores com mixaria; um punhado de privilegiados credores da GM - encabeçados por Morgan e Citibank - esperam recuperar 100% de seus empréstimos à empresa, um montante de módicos 6 bilhões de dólares.

A via pela qual estes bancos conseguirão seu prêmio de 6 bilhões de dólares é, de cabo a rabo, ilegal. Cheira a rato. A Stevie Ratazana, para ser precisos. A Steven Rattner, o “Tzar dos tzares” de Barak Obama, o homem que esta manhã assumiu para si a responsabilidade de ordenar a quebra da GM.

Quando uma companhia quebra, todos saem prejudicados, justa ou injustamente: os trabalhadores perdem contratos salariais, os acionistas são borrados do mapa e os credores ficam, no máximo, com algum. É a lei. O que os trabalhadores não perdem nunca são as pensões (incluídos os fundos para assistência médica na velhice), que já foram descontadas de seus salários e retidas em seu nome.

Porém desta vez não. Stevie Rato tem um plano diferente para a GM: servir-se dos fundos de pensão para pagar ao Morgan e ao Citi.

Aqui está o esquema: o que Rattner pede ao tribunal de falências é, simplesmente, que se aproprie do dinheiro que a GM deve aos trabalhadores em função do seguro de assistência médica na aposentadoria. O dinheiro, efetivo, do fundo de seguros seria trocado por ações da GM. A porcentagem estaria entre 17% e 25% das ações. Seja o que for a validade de 17% ou 25% das ações… Veremos quem é o bonitão que pagará sua diálise com 50 participações nas ações de uma companhia automobilística em bancarrota.

No entanto, Citibank e Morgan, diz Rattner, deveriam cobrar todo o bolo - 6 bilhões de dólares já, e em dinheiro vivo - de uma companhia que não pode pagar nem os componentes automobilísticos nem as faturas oftalmológicas de seus trabalhadores.

Retenção preventiva de pensões

Mas bem... Que há de mal em se utilizar do dinheiro dos fundos de pensão durante uma quebradeira? A resposta, senhor Obama, senhor professor de Direito, é que é ilegal.

Em 1974, após uma série de escanda-losas evaporações de fundos de pensões e de aposentadorias ocorridas na era Nixon, o Congresso aprovou a Lei de Aposentadoria e de Seguridade Social do Empregado (ERISA, por suas siglas em inglês). ERISA diz que não se pode mexer nos fundos de pensão dos trabalhadores (nem os pagamentos mensais, nem o seguro de assistência à saúde), do mesmo modo que tampouco pode se tocar no dinheiro das contas bancárias particulares dos trabalhadores.

A lei é categoricamente explícita a respeito: de nenhum modo se pode mexer no dinheiro das pensões. Os executivos da companhia devem guardar estes fundos de aposentadoria na qualidade de “fiduciários”. Isso é o que diz a lei, professor Obama, segundo fica exposta na própria página web do governo, sob o título “Planos e benefícios de saúde”.

Qualquer empresa norte-americana que esteja precisando de dinheiro em espécie poderia estar tentada a meter a mão grande nos fundos de aposentadoria, porém esse dinheiro não é seu. É a mesma coisa que um banqueiro que se vê necessitado: não pode mexer na conta bancária. Os ativos de um plano de pensões são somente para os membros do plano, não para o senhor Dimon, nem para o senhor Rubin.

Isso é o que agora, objetivamente, a administração Obama está pedindo: que o dinheiro destinado ao baço envelhecido de um trabalhador de uma montadora seja bombeado para alimentar as criaturas do Programa de Alívio para os Ativos em Dificuldades (TARP, por suas siglas em inglês). Os trabalhadores ficarão sem transplantes pulmonares para que Dimon e Rubin possam seguir se arrumando. Este é outro momento “Guantánamo” para a administração Obama: se afinar com Nixon para aceitar a detenção preventiva dos seguros de saúde dos aposentados.

O fato de se trocar os recursos desse fundo – com dinheiro em espécie - por ações da GM não torna essas ações legais. Porque o Congresso, prevendo truques deste tipo, deixou firmado que as companhias, uma vez fiduciárias, devem “atuar prudentemente e estão obrigadas a diversificar os investimentos do plano, a fim de minimizar o risco de grandes perdas”.

A lei não compreende que “diversificar” os investimentos em prol da segurança seja colocar 100% dos fundos dos trabalhadores exclusivamente nas ações de una companhia quebrada.

Mau e perigoso negócio: o plano de Rattner abre as comportas para que qualquer companhia bem articulada politicamente – ou caindo pelas tabelas – jogue os recursos dos fundos para assistência aos aposentados em um saco sem fundos.

A Casa de Rubin

O fato é que as pensões foram lançadas ao saco. E os bancos? Por que não se pediu aos bancos, como se fez com os trabalhadores e com outros credores, que aceitassem ações da GM?

Como disse Butch a Sundance: E quem são esses caras? Recordem, Morgan e Citi. São as rainhas corporativas do bem-estar que já tragaram cerca de um terço de trilhão de dólares em ajudas do Tesouro norte-americano e da Reserva Federal. Não por azar, Citi, o grande ganhador, pagou mais de 100 milhões de dólares a Robert Rubin, o antigo secretário do Tesouro. Rubin foi o homem que fez a ponte de Obama com os bancos, para atrair a aceitação e as doações dos mesmos à sua campanha eleitoral (é, com larga margem, a maior fonte das ajudas empresariais que recebeu).


* Greg Palast é economista, jornalista e membro do sindicato dos trabalhadores das montadoras de automóveis nos EUA. Escreveu “A melhor democracia que o dinheiro pode comprar”, entre outros. O título original deste artigo é “O grande roubo na indústria automobilística: como Stevie Rato quebrou a GM”, do qual publicamos os trechos principais.
 

 


Primeira Página

 

Página 2

Juro do BC provoca pilhagem cambial e trava o crescimento

Suprema deficiência (Leandro Fortes)

Com franceses, Pão de Açúcar leva Ponto Frio

Mantega diz que não está satisfeito com juros de 5%

Faturamento da indústria cai sob efeito do câmbio

Produtores e exportadores de carne suína defendem “redução radical” da Selic

Governo taxa aço importado

Emprego industrial recua 0,7%

Expediente

Página 3

Cartel defende lei atual para o Brasil não usufruir do pré-sal

Para Hildegard Angel, perseguir a Petrobrás é “crime de lesa-Pátria”

Gabrielli: financiamento não é problema para Petrobrás

Projeto de Brizola Neto preserva pré-sal

Estatal descobre mais um poço na área de Tupi

Sérgio Motta, ministro e amigo de FHC, queria desmontar Petrobrás “osso por osso”

Lula: “é pequenininho o número de quem torce para Brasil não acertar”

Lobby internacional

CPI para apurar ilícitos eleitorais de Yeda já tem 17 assinaturas

Juiz federal quer investigar contrato do vice de Yeda

Página 4

FAB adverte Revista Época: “Não é prudente pautar debate por reivindicações pessoais”

Busca conduzida pela Marinha e pela FAB já resgatou 24 vítimas do voo 447

Sensor de velocidade com defeito faz sindicato instruir pilotos da Air France a não levantar voo

STJ decide investigar irregularidade em propaganda nacional da Sabesp

MP pede intervenção imediata no contrato de Serra com Abril

FHC e Alckmin depõem em favor de ex-deputado cassado por mentir e fabricar farsa do “mensalão”

Cartas

Página 5

Assembleia repudia ataque da oposição contra Petrobrás

Parlamentares e movimentos sociais convocam ato em SP

Caminhoneiros: redução do preço do óleo diesel irá impulsionar o setor

Correios fazem ato contra quebra do monopólio postal

Usina Santa Cruz é multada por manter cortadores sem água, alimentação e sanitários

Trabalhadores da Cetesb entram em greve a partir do dia 16 por aumento salarial

Página 6

Governo peruano reprime à bala ato em defesa do petróleo do país

Comissão da ONU apoia esforço do Sri Lanka em busca da integração nacional  

Para governo de Cuba, a OEA foi libertada de um estigma 

Império usa Darfur como instrumento para desestabilizar e destruir o Sudão 

Resposta ridícula a uma derrota 

Página 7

Desemprego nos EUA já atinge 14,5 milhões de trabalhadores

Governo da Califórnia poderá soltar 38 mil presos para cortar despesas

Conferência da FDIM une latino-americanas na luta por direito ao trabalho e apoio à maternidade

O grande roubo na GM 

Página 8

Paula Beiguelman: uma vida dedicada à soberania do Brasil e do seu povo 

Leia

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GM já era

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