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Para o Iedi, faltou redução maior dos
juros e incentivo ao crédito
Ao avaliar o resultado do Produto Interno Bruto
(PIB), o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi)
afirmou que os resultados adversos “decorrem quase que exclusivamente do
desempenho negativo de nossa indústria”.
Diz o Instituto que “no quarto trimestre do ano
passado, o valor adicionado da indústria recuou 8,2% e agora, neste primeiro
trimestre de 2009, voltou a cair significativos 3,1%. São resultados
bastante desfavoráveis para a indústria nacional, comparáveis a índices
negativos observados em muitas economias que estão no centro da crise
financeira internacional”.
“Não é por acaso que a indústria acumula tão
negativos resultados”, destaca o Iedi. O setor sofreu forte retração dos
investimentos “causada pelo colapso das expectativas empresariais”.
Resultado: queda de 12,6% nos investimentos no primeiro trimestre de 2009,
após recuo de 9,3% no último trimestre de 2008, ambos na comparação com o
trimestre anterior, já corrigidos os efeitos sazonais.
Segundo o Iedi, sob a ótica interna, o
desempenho da indústria “dependeu muito da oferta de crédito, das
expectativas empresariais e da massa salarial que guia o mercado de bens de
consumo. Este último vem sendo preservado graças a políticas como a do
salário-mínimo e à aplicação de vários programas sociais no Brasil. Já para
o crédito e o investimento, no entanto, as coisas andaram muito mal no
último trimestre de 2008 e primeiro trimestre de 2009, com melhoras que
começam a aparecer somente agora, neste segundo trimestre do ano, no caso do
crédito”.
Para o Instituto, “o governo assistiu
passivamente à deterioração das expectativas de investimentos, sem procurar,
ao contrário do que fez em outros setores, reanimá-las por meio de corte de
impostos e redução das taxas de juros. Limitou-se a ampliar os recursos para
o BNDES, uma medida imprescindível, mas incapaz de neutralizar o efeito mais
geral e profundo das avaliações empresariais”.
A retração do crédito teve peso destacado para a
queda dos mercados industriais de bens duráveis. “Mais do que passividade,
aqui o governo cometeu um erro, por considerar que ao expandir a liquidez
estaria automaticamente ampliando o crédito e barateando seu custo. A
liquidez de fato aumentou – na medida dos R$ 100 bilhões de redução de
compulsórios –, o que não se traduziu em maior crédito, já que não houve
nenhum tipo de vinculação de sua liberação com a oferta deste último. O
governo também procurou ampliar o crédito dos bancos públicos, uma medida
que só agora vem se traduzindo em melhoria das condições do crédito. Em
suma, a recessão da indústria poderia ter sido muito amenizada se o governo
tivesse foco no crédito e não somente na liquidez bancária”.
O Iedi concluiu sua análise defendendo que
“ações para minimizar esse quadro são ainda necessárias, como um incentivo
fiscal para as inversões nos moldes do que foi feito pelo governo para o
setor de bens de consumo duráveis, redução da taxa de juros e medidas mais
diretas para incentivar o crédito”.
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