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O satélite da Coréia
Popular e a hipocrisia dos EUA e Japão
Na mesma semana em que a Coréia Popular lançou seu satélite
de comunicações Kwangmyongsong II, o Japão tornou público o “Plano Principal
para utilização do Cosmos”, no qual prevê o lançamento nos próximos 5 anos
de 34 satélites e o início de pesquisas sobre as técnicas de satélites de
alerta para detectar lançamentos de mísseis balísticos – o escudo
antimíssil.
O Japão, que de 2004 a 2008 lançou 16 satélites, fez
ameaças e provocações contra a RPDC por esta não se submeter às suas
‘censuras’ e ‘proibições’ e lançar o satélite de comunicações coreano.
A histeria do governo japonês e seus diplomatas, despejada
sobre a comunidade internacional, inclusive sobre o governo brasileiro,
endossada e repetida pelo cartel midiático, tinha uma função: tirar a
atenção do fato de que o governo japonês está em pleno processo de
preparação para transformar-se em potência militar e retomar o caminho da
agressão, cujo principal alvo é a RPDC.
O Japão, os EUA e a Coréia do Sul juntaram-se numa cruzada
discriminatória contra a Coréia Popular. Acusaram-na de descumprir
resoluções da ONU, projetando sobre a RPDC os próprios problemas, pois quem
descumpriu os acordos firmados com a RPDC foram a ONU, os EUA, o Japão e a
Coréia do Sul.
A RPDC não tem petróleo e é um país bloqueado econômica e
politicamente pelos EUA. No acordo firmado em 2005 com a ONU ficou
estabelecido que, em troca de importar petróleo e ter desbloqueadas suas
contas em bancos estrangeiros, a RPDC desativaria seu programa nuclear de
geração de energia e a usina de Yongbyon, e receberia os inspetores da AIEA
– Agência Internacional de Energia Atômica da ONU - para acompanhar essas
operações.
Mesmo sem o petróleo prometido pela ONU, a Coréia Popular
recebeu os inspetores, mas o tresloucado Bush II torpedeou o acordo,
incluindo o país no “eixo do mal”, gerando tensão e obrigando a RPDC, em
resposta, a expulsar os inspetores no mesmo ano.
Em 2006 foi retomado o acordo e no início de 2008 a Coréia
Popular, cumprindo sua parte, destruiu o reator nuclear da usina de Yongbyon
na presença dos agentes da AIEA, de representantes do governo
norte-americano, fato amplamente registrado pela imprensa internacional.
Contra as caras-feias de japoneses e sul-coreanos, os EUA
recuaram e retiraram a RPDC da lista de países “terroristas”, mas o acordo
continuou não sendo cumprido pela ONU e o petróleo continuou não chegando em
Pyongyang.
O acordo incluía também a constituição do grupo dos seis (RPDC,
Coréia do Sul, China, Rússia, EUA e Japão) com a finalidade de discutir as
questões da paz e da desnuclearização da península coreana.
Três desses países, EUA, Japão e Coréia do Sul, em lugar de
buscar o entendimento, se esmeraram em provocações e descumpriram as
resoluções estabelecidas na Declaração Conjunta de 19 de setembro de 2005.
Apesar dos esforços da RPDC para manter o diálogo, do interesse da China e
da Rússia, os três países (EUA, Coréia do Sul e Japão), passaram a boicotar
as reuniões, que desde dezembro de 2008 deixaram de acontecer.
Com o lançamento do satélite coreano, as hostilidades
chegaram ao paroxismo. A Coréia Popular não teve outra alternativa que não
fosse denunciar a farsa dos três países opositores ao diálogo e se retirar
de uma reunião que não mais acontecia.
Ficou claro que do grupo dos seis países, três deles – EUA, Japão e Coréia
do Sul - não tinham o menor interesse em discutir a paz e as questões
nucleares na península coreana. Os três países - diante de seus interesses
belicistas e hegemonistas na região – tinham também a pretensão de usar a
questão coreana para neutralizar a China e a Rússia.
Os EUA, além de manter tropas no sul da Coréia e continuar
com as ameaças nucleares na região, insistem, mesmo tendo sido derrotados na
guerra, em não assinar o Tratado de Paz definitiva, fazendo com que a
península coreana viva em instável situação de trégua desde 1953.
Os EUA têm milhares de satélites, muitos deles para fins
nem tão pacíficos assim.
Muitos outros países exploram o cosmos, lançando seus satélites de
comunicação para fins pacíficos e desenvolvem suas pesquisas tecnológicas
para promover seu crescimento econômico e seu desenvolvimento. Mas a Coréia
Popular não pode desenvolver-se. Não pode utilizar o seu cosmos e lançar
seus satélites. Seus esforços para manter o crescimento autônomo do país são
considerados, absurdamente, “provocação à comunidade internacional”. Por
isso é ameaçada, censurada e hostilizada. Os que a agridem utilizam os
monopólios de mídia, que gastam rios de tinta para difamá-la injustamente,
acusando-a de manter seu povo faminto e miserável. Mentem.
A verdade, que os seus ex-colonizadores e invasores não
suportam, é que a República Popular Democrática da Coréia é um país
independente, seu povo tem a espinha ereta e a cabeça erguida. É culto e
saudável. Bem alimentado. Seu exército é forte, bem equipado e bastante
popular.
A RPDC é um país desenvolvido onde a riqueza nacional é
usada para promover o bem de todos, o interesse coletivo nacional. É um país
soberano e desde que expulsou o colonizador japonês e derrotou os EUA jamais
se submeteu a nenhum país.
É natural que, para manter sua dignidade, após as provocativas sanções da
ONU exigidas pelos EUA, Japão e Coréia do Sul, o país tenha reagido e
expulsado os inspetores da AIEA e os 4 fiscais norte-americanos que estavam
em Pyongyang.
É natural que, como a RPDC não tem petróleo e não pode
importá-lo livremente, esforce-se para conseguir fontes alternativas de
energia e retome suas pesquisas científicas e seu programa nuclear para a
produção da energia de que precisa.
Aos insultos e provocações de que tem sido vítima, tem
respondido com serenidade e firmeza, com a mobilização de seu povo, com o
desenvolvimento de seu poder dissuasório da guerra, de sua capacidade de
enfrentar as agressões e ameaças. A decisão do governo da RPDC de investir
em defesa com a política de Songun – a priorização da defesa nas ações do
Estado – é tanto mais efetiva quanto mais cresce a unidade de seu povo pelo
direito a existência da nação, pelo seu desenvolvimento e sua luta
persistente pela reunificação pacífica e independente de toda a nação
coreana.
ROSANITA CAMPOS
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