Bajulado pela “Folha de SP”, Maxwell calunia Inconfidentes 

O funcionário dos Rockefeller e ex-conselheiro de George W. Bush, Kenneth Maxwell, afirmou na última quinta-feira, em coluna na Folha de São Paulo, que o poeta e inconfidente Cláudio Manoel da Costa não se suicidou durante a repressão portuguesa ao movimento mineiro de 1789. Teria sido assassinado.

A revelação não é nenhuma novidade, pois a versão oficial de suicídio, divulgada por Barbacena, era tão verídica quanto foi a do jornalista Wladimir Herzog, em São Paulo, nos anos 70. Além do mais, o próprio legista, Caetano José Cardoso, que analisou o caso, já tinha confessado, anos mais tarde, que fora obrigado a falsificar o laudo. Portanto, Maxwell aproveita o espaço cedido, não para trazer um fato ou uma versão nova sobre o tema, mas apenas para repetir a sua cantilena caluniosa contra os revoltosos de Minas Gerais. Desta vez ele insinua que foram eles os responsáveis pelo assassinato de Cláudio. Sua versão é a de que inconfidentes ainda soltos e simpatizantes da causa, de alguma forma, eliminaram o amigo preso para impedir que ele os comprometesse em seus depoimentos. Pura imaginação, sem nenhuma base na realidade. Sua coluna, com o sugestivo título “Uma morte oportuna”, é um copydesk disfarçado de trechos de seu livro “A Devassa da Devassa”. É nele onde estão as verdadeiras pérolas da intriga contra os inconfidentes: “O momento em que o suicídio (de Cláudio) se verificou foi especialmente favorável para aqueles que ainda estavam fora da prisão” (Pág. 184). E segue: “Cláudio Manoel da Costa estava, evidentemente, a par dos segredos da inconfidência. E, não menos importante, o famoso poeta demonstrava-se disposto a contar o que sabia” (Pág. 183). E, por fim: “O velho advogado estava em situação privilegiada para saber de tudo sobre os conjurados. Que poderia dizer quando interrogado por homens não sujeitos à influência do governador? Que toda a verdade surgisse não era, obviamente, da conveniência dos conspiradores” (Pág. 184).

Ou seja, só insinuações, nenhum fato que sustente o que diz. Acontecimentos importantes, como as arbitrariedades do esbirro do governador, conhecido por Padela, das Cartas Chilenas, indicado por Barbacena para prender Cláudio, são desconsideradas pelo autor. Seu único alvo são os inconfidentes. “Padela”, ou sargento Vasconcelos Parada e Souza, aproveitou-se da ordem de prisão de Cláudio para roubar a fortuna do poeta e matar membros de sua família. Este sim, como se vê, tinha motivos de sobra para calar o inconfidente. Além disso, ele era um dos poucos com acesso irrestrito ao local do crime. Mas, para Maxwell, esses fatos não têm a menor importância Ele prefere seguir jogando a culpa nos inconfidentes e seus apoiadores. Ou seja, age bem de acordo com aqueles que, sempre que podem, jogam a responsabilidade pelos crimes de colonialistas e saqueadores de todo tipo sobre os ombros de suas vítimas.

Toda a família de Cláudio foi morta e seus bens saqueados, mas o tal “especialista” em Inconfidência, não sabe nada sobre isso. Já o historiador Augusto de Lima Júnior – responsável pelo translado dos restos mortais dos inconfidentes para o Brasil –, ao contrário, se mostra muito mais sério em suas pesquisas de seu livro “História da Inconfidência de Minas Gerais”, e revela detalhes esclarecedores sobre a prisão e prováveis causas do desaparecimento do poeta. Eis alguns trechos de sua importante obra. “O Sargento-Mor Vasconcelos Parada e Souza escolhera o seu inimigo, Dr. Cláudio Manoel da Costa, para vingar-se das sátiras das Cartas Chilenas. Assaltou-lhe a casa pela madrugada e, arrancando-lhe do leito, onde se achava enfermo, praticou logo um saque nos valores que encontrou, deixando para o seqüestro judicial livros, roupas e papéis. Na mesma tarde, já haviam partido para o sítio de Vargem – de propriedade do inconfidente – emissários seus que, depois de assassinarem o genro e a filha de Cláudio, e todos os de sua família e escravos, se apossaram de barras de ouro que se achavam ocultas e que serviriam para custear a revolução”. “Quando foi demolida, há alguns anos, a velha casa do sítio da Vargem, foram encontrados, debaixo do assoalho da sala de jantar, sete esqueletos arrumados um ao lado do outro” ( Pág. 115 a 116). Os fatos são estes. Só não vê quem não quer. Ou quem, como Kenneth Maxwell, está fixado em atacar o Brasil, o seu povo e principalmente os seus heróis. Seu objetivo parece claro: quebrar a confiança e auto-estima do povo brasileiro. Não por acaso, é exatamente nos setores mais colonizados da mídia e do mundo acadêmico, que esse pseudo-historiador anglo-americano é tão bajulado.


Primeira Página

 

Página 2

Múlti francesa compra Santelisa, dona de cinco usinas de açúcar

Dez questões sobre defesa e desenvolvimento nacional - 3 (OTHON LUIZ PINHEIRO DA SILVA)

Amorim defende entrada da Venezuela no Mercosul

Comércio com a China cresce e ultrapassa EUA

Para Mantega, taxa Selic não caiu o desejável

TRF rejeita acusação de Mendes contra De Sanctis

Lucro da Votorantim ultrapassa R$ 1 bilhão

Expediente

Página 3

Lula no 1º de Maio: “o pré-sal é a segunda Independência”

Dilma quer que esta riqueza beneficie a população do país

Pré-sal: FUP defende uma nova legislação

Ação pelo fim da CPMF “foi a maior cretinice ideológica”, afirmou Lula

Vice do PPL: “priorizar as empresas nacionais nas compras do Estado e ampliar o mercado interno”

O câncer da sociedade

Laboratório da UFRJ fará pesquisas para o pré-sal

Dantas volta ao STF para ter acesso à Satiagraha

 

 

 

 

 

 

 

Página 4

Latrocínios aumentam 80% em São Paulo no 1º trimestre

Barbosa: crimes da mídia não podem ficar impunes

Frente Parlamentar paulista em apoio a Cuba pede libertação dos 5 heróis presos nos EUA

“Lei das Organizações Sociais” é aprovada pelos vereadores do Rio

Sarney e Temer apoiam projeto das cotas raciais

Cartas

Página 5

1º de Maio: centrais fazem atos em defesa do salário

Carlos Lupi: nenhum trabalhador pode ter seu salário reduzido

Em São Carlos, trabalhadores defendem redução dos juros e mais emprego no 1º de Maio

Guarujá comemora 1º de Maio com cadastramento de 4 mil casas populares 

Trabalhadores da construção civil de São José conquistam aumento real e mais direitos

Página 6

Atos do 1º de Maio: rechaço mundial ao desemprego e ataque a salários

Na Venezuela, trabalhadores celebram seu dia com apoio às medidas da Revolução, de defesa do trabalho e elevação dos salários

Mais de um milhão na marcha de Havana pelo socialismo e fim ao bloqueio dos EUA

Atos contra demissões e pelo direito à moradia lotam as ruas de NY, Los Angeles e Seattle

Cuba, país terrorista?

 

Página 7

PIB norte-americano recua 6,1% no primeiro trimestre

Quebra no estado da Geórgia o Silverton Bank, o maior dos 32 que foram à falência este ano

US Steel, monopólio do aço nos EUA, teve prejuízo de US$ 111 milhões no trimestre

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Médicos denunciam Israel por exigir de palestinos doentes informação em troca de acesso a tratamento

A gripe dos porcos e a mentira dos homens

Banco suíço UBS confirma prejuízo de US$ 1,75 bilhão

Página 8

A agroenergia e a expansão do monopólio estrangeiro no país 

Augusto Boal, uma vida e uma obra dedicadas ao Brasil e ao seu teatro 

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