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O patriarca Kim Il Sung e a reunificação da Coréia
Em fevereiro de 1992 realizou-se em Pyongyang, capital da República Popular
Democrática da Coréia - RPDC, a sexta rodada de discussões entre delegações
de alto nível do Norte e do Sul sobre a reunificação do país. Na reunião,
chegou-se a importantes acordos que permitiram grandes avanços nas relações
entre o Norte e o Sul e que culminaram com as visitas a Pyongyang de dois
presidentes da república do Sul, as visitas de familiares até então
separados desde a guerra (1950-1953), as posteriores Declarações Conjuntas
de 15 de Junho e 4 de Outubro assim como a realização de uma série de ações
sociais e projetos econômicos conjuntos entre as duas partes da nação
coreana. Ações pró-reunificação que sofreram graves retrocessos desde que no
ano passado Lee Myong Bak assumiu a presidência da república no Sul.
Idealizador do Programa de 10 pontos e entusiasta da proposta de
reunificação pacífica e independente da Coréia o então presidente da RPDC
Kim Il Sung recebeu os integrantes da delegação do Norte e do Sul que
participaram da sexta rodada de negociações. Na oportunidade, extremamente
comovido com os resultados obtidos, fez importante pronunciamento em defesa
da reunificação.
Por ocasião da primeira visita ao Brasil do Ministro de Relações Exteriores
da RPDC Pak Ui Chun, em apoio à luta do povo coreano pela reunificação do
país e em reconhecimento aos esforços da Coréia Popular pela reunificação
pacífica da nação, transcrevemos alguns trechos desse importante
pronunciamento do presidente Kim Il Sung.
ROSANITA CAMPOS
“Que o Norte e o Sul conjuguem seus esforços para abrir a via para a
paz e a reunificação do país.
“A sexta rodada de vossas negociações permitiu a nossa nação dar um primeiro
passo importante até a reunificação independente e pacífica do país. Não
devemos interromper e nem duvidar em nossa marcha, que devemos continuar,
custe o que custar, até a reunificação de amanhã. Nossa nação deve pôr fim
por seus próprios meios, a todo preço, a sua divisão devido a forças
estrangeiras. Com nosso país dividido em Norte e Sul, se uma das duas partes
conta com as forças exteriores e admite sua intromissão, não se pode falar
de uma atitude favorável, pois seria, isso sim, uma atitude orientada à
confrontação. Tal atitude impediria às duas partes executar os pontos
conveniados entre Norte e Sul, dar prova de um sentido agudo de suas
responsabilidades e de confiarem-se mutuamente em seu diálogo.
“A entrada em vigência do acordo sobre a reconciliação, a não-agressão, a
cooperação e intercâmbios e da Declaração Conjunta sobre a desnuclearização
da península coreana constituem um acontecimento que fica marcado no esforço
pela paz e a reunificação nacional em nosso país. Acontecimento que permite
ao Norte e ao Sul romper com um passado marcado pela desconfiança e
confrontação e inaugurar uma nova história - a da conciliação; conjurar o
perigo da guerra e abrir perspectivas brilhantes para a paz e a reunificação
pacífica do país.
“O compromisso tomado pelo Norte e pelo Sul de não se agredirem, de caminhar
até a reunificação, conciliando-se e colaborando, confirma claramente que
nenhuma força externa nem nenhuma diferença de ideologia ou de regime podem
dividir a nação coreana, homogênea desde milênios.
“Ao prometerem conciliar-se vocês devem eliminar mutuamente a idéia de
confrontação, devem confiar em seus compatriotas e apoiarem-se nas forças
nacionais independentes e não nas forças exteriores. Além disso, Norte e Sul
devem prestar uma atenção primordial à solução do problema da paz e tomar
medidas efetivas para garanti-las no país. Já que o Norte e Sul se puseram
de acordo sobre a não-agressão, deve cessar a corrida armamentista e
proceder ao desarmamento. Esta é a prova mais segura da não-agressão e o
meio de eliminar completamente o perigo da agressão contra o Norte e contra
o Sul. A partir de agora é supérflua e nada pode motivar a existência de
bases militares estrangeiras. O problema nuclear na península coreana também
deve ser solucionado. Não podemos saber se ainda há armas nucleares na
Coréia do Sul ou se todas foram evacuadas.
“Favorecer uma grande união nacional é o essencial do espírito do acordo
Norte-Sul. A conciliação Norte-Sul e a reunificação do país implicam
necessariamente uma grande união nacional transcendendo à diferenças de
ideologia e de regime. Todos os coreanos devem pôr em primeiro lugar os
interesses comuns da nação, sujeitar tudo a unirem-se nas bases do
patriotismo e do espírito de independência nacional. Devemos demolir o muro
ideológico, o muro do regime e praticar uma política favorável a uma grande
união nacional em direção a um espírito patriótico.
“Os documentos dos acordos postos em vigência na sexta rodada de negociações
Norte-Sul de alto nível, constituem uma promessa para com a nação por parte
das autoridades do Norte e do Sul. O governo de nossa República considera
históricos esses documentos, como preciosos resultados obtidos no esforço
pela reunificação independente e pacífica do país e fará tudo o que estiver
em seu poder para que sejam aplicados. Se o Norte e o Sul aprofundam sua
confiança mútua, na prática aderindo-se aos princípios da independência, da
reunificação pacífica e de uma grande união nacional, estou convencido que a
reunificação poderá se realizar.”
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