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Evo pede a governo do Peru
que não dê asilo a
assassinos que comandaram massacre em El Alto
O presidente da Bolívia, Evo Morales, condenou a concessão
de asilo outorgada a indiciados em crimes de assassinato e corrupção em seu
país, e pediu que ao governo peruano que não conceda refúgio a “criminosos”.
O governo peruano concedeu asilo a Jorge Torres Obleas, que
responde a processo por massacre que tirou a vida de 67 bolivianos que
participaram de manifestações em 67 em El Alto e La Paz, em outubro de 2003,
quando fazia parte do governo de Sanchez Lozada como ministro da Fazenda.
Com a privatização dos serviços de distribuição de água,
assumiu o controle do serviço a multinacional francesa Suez que colocou as
tarifas de água na estratosfera e obteve a condição de penhora de bens dos
bolivianos por atraso no pagamento das contas. O levante popular contra os
abusos da Suez, que contou com respaldo do governo, e a reação nacional contra a
repressão às manifestações acabou levando à queda do governo de Lozada.
Foram divulgadas informações oficiais de que outros dois
ex-ministros bolivianos do mesmo regime e que também respondem por participação
no crime têm seus pedidos de asilo em avaliação.
O próprio Lozada teve processo penal aberto há uma semana
pela (CSJ) da Bolívia, acusado por sua participação no morticínio, quando
comandou a repressão.
O líder boliviano argumentou que conceder asilo aos
ministros do ex-presidente Gonzalo Sanchez de Lozada (2002-03), que está
indiciado por genocídio e se refugiou nos EUA, é uma “falta de respeito ao povo
boliviano, ao governo e às vitimas do massacre de outubro de 2003”.
O presidente boliviano acrescentou que o país vizinho deve
evitar se tornar um “centro onde os criminosos da América Latina sejam
protegidos pelo governo”, e pediu “com muito respeito ao presidente e ao governo
do Peru, para expulsar a estes criminosos fugitivos”.
“O que está sendo feito pelo presidente Alan Garcia é muito
grave sobre os direitos humanos, esperamos que ele possa revisar suas atitudes
destes dias”, ressaltou o presidente boliviano.
Morales insistiu que não é possível que o governo peruano
conceda asilo aos ex-ministros de Sánchez de Lozada sem desrespeitar as normas
internacionais e suas próprias leis, sobre asilo e refúgio.
O processo, instaurado por familiares das vitimas, envolve
além de Sánchez de Lozada, refugiado nos EUA, aos seus ministros da Defesa,
Carlos Sán-chez Berzaín; da Fazenda, Torres Obleas; do Interior, Yerko Kukoc e
outros. |