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Cuba, os trabalhadores e a nossa convicção no socialismo
CARLOS RAMIRO*
Como ex-aluno da Escola
Sindical Lázaro Peña, fui convidado para o encontro em homenagem ao
combativo lutador em Havana, participando ao lado de dirigentes sindicais de
153 países das comemorações dos 70 anos da Central de Trabalhadores de Cuba
(CTC), do ato de solidariedade à Ilha Caribenha e do gigantesco 1º de Maio
na Praça da Revolução.
O que mais me impressionou foi
ver em todos os locais por onde passei o contentamento do povo cubano, sua
alegria com o desenvolvimento - econômico e social - que o país vem tendo no
último período. A vibração contrasta com as imensas dificuldades enfrentadas
durante o período especial nos anos 90, após o desaparecimento da União
Soviética, que potencializou os problemas impostos pelo criminoso bloqueio
norte-americano, que impede até mesmo a chegada de medicamentos.
Estive na Ilha durante aquele
período e, confesso, saí bastante temeroso sobre o seu futuro, diante do
agravamento das condições de vida imposto pela falta generalizada de
produtos, antes comercializados de forma mais equitativa com os países do
bloco socialista via CAME (Conselho de Ajuda Mútua Econômica). Realmente,
pelo tamanho dos problemas, acredito que outro povo não teria resistido à
tamanha pressão e teria sucumbido.
Felizmente, aqueles dias são
hoje uma página virada, um obstáculo ultrapassado. Tal superação fortaleceu
ainda mais a firmeza do povo cubano, sua crença na afirmação dos princípios
e valores da sua revolução, que segue adiante.
Hoje, quando a crise
internacional do capitalismo multiplica demissões e a deterioração das
condições de vida e trabalho de centenas de milhões de pessoas pelo mundo
todo, Cuba se mantém firme, consolidando o socialismo e os mais caros
valores da Humanidade: a solidariedade, o despreendimento, a consciência, a
crença na capacidade dos trabalhadores e construírem um mundo melhor.
Na capital, vi uma cidade em
obras, com bairros residenciais sendo recuperados, com gente bonita e bem
vestida, confiante, contrastando com a desesperança e a dura realidade
vivida hoje no centro do capitalismo.
Coincidentemente, estava sendo
realizada em Havana a Conferência dos Países Não-Alinhados, em que falou
mais alto a unidade na diversidade contra a política neoliberal, com a
afirmação da necessidade de uma Nova Ordem Internacional e de relações mais
humanas de convivência. Particularmente entre os latino-americanos, ficou
clara a identidade de propostas e linhas de ação dos distintos governos de
esquerda, que tem se pautado por construir uma agenda alternativa de
afirmação da soberania nacional, contra a herança dos seguidores do Consenso
de Washington: privatista, de exclusão, arrocho e desemprego.
Do ponto de vista do movimento
sindical, reforçamos nesses dias de intenso e caloroso convívio, o
compromisso com a luta pela unidade dos movimentos sociais, partidos e
governos de esquerda de afirmar saídas reais para a crise, condenando as
novas roupagens com que o capitalismo usa para manter velhas práticas. Nossa
ação contempla o fortalecimento e a democratização do Estado, o combate à
exploração e às injustiças, o protagonismo da classe para a construção de um
novo mundo.
Posso dizer que os dias de
visita me renovaram, fortalecendo ainda mais minha convicção na necessidade
de priorizarmos a formação política e ideológica dos nossos dirigentes e
militantes, para que não só sepultemos o atual modelo de exploração, como
construamos, com participação, garra e consciência, o caminho para o
socialismo. Afinal, como dizem os cubanos, “uma vida humana vale mais do que
todas as propriedades privadas do mundo”.
*Diretor da Apeoesp |