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Partido do Congresso da
Índia derruba pesquisas e vence com folga a eleição
Por larga margem, o Partido do Congresso da Índia, o
partido dos pais da independência Ghandi e Nehru, venceu as eleições e irá
formar o novo governo. O Partido do Congresso obteve 206 votos e, com a
coalizão “Aliança Progressista Unida” que liderou, mais adesões já
anunciadas, terá os 272 votos no parlamento necessários para formar o novo
governo. Em segundo lugar, ficou a oposição hinduísta, do Bharatiya Janata
Party (BJP) com 158 votos, seguida pela Terceira Frente, encabeçada pelos
comunistas, com 76 votos. A Quarta Frente e vários partidos regionais também
elegeram representantes. O partido dos “Dalits”, o BSP, que integrou a
Terceira Frente, já anunciou seu apoio ao Partido do Congresso. O novo
governo deverá tomar posse no dia 2. A votação do Partido do Congresso
aumentou em 61 cadeiras sua bancada no parlamento.
Com um eleitorado de mais de 700 milhões de pessoas, e um
mês de duração, o pleito na Índia foi vencido pelo Congresso Indiano e sua
coalizão em mais da metade dos distritos eleitorais e em todas as principais
cidades, inclusive na capital. Também foi muito forte o apoio dos jovens,
que são dois terços da população, e entre os 150 milhões de indianos
muçulmanos. A política de apoio aos agricultores e renegociação das dívidas
também granjeou votos no campo, que tem um peso muito importante no país. O
primeiro-ministro Manmohan Singh tem reiterado que, para dar conta da atual
crise, são necessários investimentos em larga escala, criação maciça de
empregos e ampliar a demanda interna.
JAWAHARLAL NEHRU
É a primeira vez, desde Jawaharlal Nehru, em 1961, que um
primeiro-ministro é reeleito depois de cumprir integralmente o primeiro
mandato. O resultado contraria as pesquisas, que indicavam uma disputa
apertada entre o Congresso e o BJP. A eleição foi marcada pela participação
de Rahul Ghandi, o herdeiro político da família Nehru/Gandhi, que liderou o
partido na disputa no estado de Utar Pradesh, onde Congresso avançou de 9
para 20 deputados, e em Bihar.
Com a crise econômica mundial batendo em cheio, os países
vizinhos sob guerra ou conflitos – como o Paquistão, Afeganistão, Nepal e
Sri Lanka -, a população, nas palavras de um analista, “voltou-se para o
velho e testado Grande Partido”. Segundo país mais populoso do planeta com
mais de 1 bilhão de habitantes e numeroso contingente de pobres, a Índia tem
sido nas últimas décadas uma das nações de maior crescimento do mundo,
desenvolveu setores de ponta, como a área nuclear, remédios e informática, e
integra o chamado “Brics” (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) de
países que estão se tornando potências mundiais. Nesse quadro, a campanha do
BJP, tentando caracterizar o primeiro-ministro Singh como “fraco e molenga”
não colou. Os partidos comunistas, que participavam do governo do Partido do
Congresso, e haviam se afastado em discordância com o acordo nuclear entre a
Índia e os EUA, também não conseguiram convencer o eleitorado de que seriam
uma alternativa.
A.P.
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