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Stiglitz: “os países
não sairão dessa crise pelas exportações”
Joseph Stiglitz, prêmio
Nobel de Economia, afirmou em Portugal, durante seminário sobre a crise
internacional, que “o pensamento da direita sobre a economia de mercado -
provou-se agora - está errado”. E destacou que, diferentemente de outros
momentos, as economias nacionais não sairão da crise pela via do aumento das
exportações. “Anteriormente os países saíam das crises com exportações, mas
quando temos uma desaceleração global e sincronizada, não há ninguém para
quem exportar”, afirmou. Stiglitz acrescentou que “o modelo que funcionou em
1997/1998 não vai funcionar agora”. Falou de uma “depravação moral das
instituições financeiras” ao referir-se aos bancos que, em sua opinião,
“roubaram os sonhos e o dinheiro de muitas pessoas”.
O economista enfatizou a
ligação do mantra do autorregulação do mercado com a crise atual. “Não há
dúvida sobre isso. A direita dizia que os mercados se regulariam por si, se
ajustariam por si, que se houvesse algum problema os mercados arranjariam-se
por si e muito rapidamente”, disse Stiglitz, acrescentando que também “havia
a noção da sobrevivência dos mais fortes”. “Mas os bancos mais prudentes não
sobreviveram - foram os bancos que arriscaram mais que sobreviveram”,
recordou, sublinhando que por isso mesmo a crise “fragilizou todas as
teorias da direita”.
“Os meus trabalhos
sempre foram muito claros em afirmar que os mercados são em geral
ineficientes quando a informação é imperfeita. E a informação é sempre
imperfeita”, afirmou. “Os mercados financeiros têm tudo a ver com
informação, por isso era óbvio que os mercados por si só não iriam funcionar
bem”, destacou. Stiglitz prevê para os próximos tempos “uma economia global
muito fraca”.
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