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Perdigão
incorpora Sadia e se torna Brasil Foods S.A.
Foi anunciada oficialmente nesta terça-feira
(19) a aquisição da Sadia, frigorífico de propriedade do ex-ministro da
Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, e uma das principais indústrias
alimentícias brasileiras, pela Perdigão. Da operação resultará uma nova empresa
que receberá o nome de BRF Brasil Foods S.A. com sede social na cidade de
Itajaí, em Santa Catarina.
Os juros altos praticados pelo Banco Central
durante todo o ano de 2008 e a conseqüente enxurrada de dólares especulativos
desvalorizou a moeda americana e provocou uma crise no setor exportador
brasileiro. Para enfrentar a situação, várias empresas, entre elas a Sadia,
recorreram às chamadas operações com derivativos. Estas operações propiciavam
ganhos financeiros extras em apostas especulativas na queda futura do dólar.
Os prejuízos operacionais, provocados aos
exportadores pelos juros de Meirelles e a valorização artificial do real, eram
compensados com os ganhos dos derivativos. Os lucros só eram garantidos com a
continuidade do dólar baixo. Quando os EUA começaram a sugar dólares do mundo
inteiro, no início da crise, para cobrir seus rombos internos, a moeda se
valorizou subitamente e as operações com derivativos deram altos prejuízos.
A Sadia apresentou uma perda de R$ 2,484 bilhões
em 2008, a maior de sua história de 64 anos, provocada pelas operações com
derivativos. Além dela, outras empresas também tiveram prejuízos milionários com
a especulação cambial. A Aracruz, fabricante de celulose, foi outra que também
apostou neste instrumento e anunciou, junto com a Sadia, um prejuízo de R$ 4,2
bilhões.
Antes da crise, os derivativos vinham gerando
ganhos financeiros extras. Tanto a Sadia quanto a Aracruz e a Votorantim
passaram a realizar um volume muito alto dessas operações. O rombo acabou
levando a Sadia à lona. Em seu balanço, a empresa informou que o agravamento da
crise também gerou queda nas vendas e estragos no desempenho operacional. Apesar
de a receita bruta ter crescido 18% sobre o mesmo período do ano anterior, a
geração de caixa caiu 21,7%.
Com a concretização da venda da Sadia, os fundos
de pensão e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
anunciaram que pretendem comprar pelo menos 50% - se possível até 65% - das
ações a serem emitidas pela Brasil Foods. A oferta dos papéis deverá atingir R$
4 bilhões. Com essa compra, os fundos querem ampliar, de 26% para 35%, sua
participação no capital total da nova empresa.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho,
confirmou que a instituição provavelmente participará da oferta pública de ações
para captação de recursos pela Brasil Foods. O banco ficaria com algo como 9%.
Juntos, BNDES e fundos, passariam a ter 44% da nova empresa.
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