|
Comissão
decide retirar privatização da Cultura da pauta da Assembléia do Rio
A Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa
do Rio de Janeiro pedirá a retirada da pauta da Mensagem 03/09, do Poder
Executivo, sobre o Projeto de Lei nº. 1975/2009. O projeto propõe a
transferência dos equipamentos culturais do Rio de Janeiro para gestão de
empresas privadas, entre eles o Theatro Municipal, sob a forma de Organizações
Sociais (OS).
A decisão foi tomada em uma audiência pública
realizada no último dia 18, convocada mas não presenciada pela secretária
estadual de Cultura, Adriana Rattes.
O presidente da Comissão de Cultura, deputado
Alessandro Molon (PT), destacou o número de parlamentares presentes na seção e o
consenso que os uniu em torno da negativa do PL. “Tivemos uma grande
representação hoje, com 12 deputados presentes na audiência. Ao todo, foram nove
partidos que se manifestaram pela retirada do projeto e esta é uma marca muito
significativa. Quando o projeto entrar em pauta, pediremos a sua retirada com o
apoio de boa parte dos deputados e acredito que conseguiremos frear este projeto
que ainda possui tantos questionamentos”, afirmou o deputado.
Entre os equipamentos que correm o risco de ser
entregues ao capital privado, o que mais preocupa a classe artística do Rio de
Janeiro é o Theatro Municipal, defendida pela presidente da Fundação do Theatro
Municipal, Carla Camurati, é favorável à proposta. A ameaça de privatização
gerou um abaixo-assinado que uniu artistas contra o projeto, além de diversas
manifestações de funcionários do Theatro e da Funarj.
Presente na audiência pública do dia 18, a
presidente da Associação da Orquestra do Theatro Municipal, Jesuína Passaroto,
expressou a revolta da classe com o projeto. “Privatizar a cultura é um absurdo
imensurável. Temos que lembrar que o principal propósito da criação dos corpos
artísticos, das escolas de dança, de teatro, de música é poder prover a
população de cultura, ensinar o nosso povo a ser ele mesmo, aproveitar e
valorizar o talento do artista nacional e dar identidade a esta sociedade”,
destacou.
O representante da Associação de Servidores da
Funarj, Luiz Oliveira Castro Jungstedt, afirmou que o fato de as Organizações
Sociais serem contratadas sem concurso público, é um exemplo de como o PL está
mal-intencionado. “Sob a ótica jurídica, o projeto causa espanto. Não haverá
processo seletivo, nem ao menos licitação”, afirmou.
O representante de todas as associações e
sindicatos de artistas, Alexis Christus, destacou que a cultura é uma
responsabilidade do Estado, que não pode ser entregue a entidades para
exploração financeira. “A cultura tem que ser para todos e, com as OS, a cultura
será para os empresários e este é o pesadelo dos artistas”, ressaltou.
Também estiveram presentes na Audiência os
deputados Alice Tamborindeguy (PSDB), Inês Pandeló (PT), Cidinha Campos e Paulo
Ramos, ambos do PDT, Marcus Vinícius (PTB), João Pedro (DEM), Caetano Amado (PR)
e Sabino (PSC), Marcelo Freixo (PSol) e Luiz Paulo (PSDB). Participaram também
Adil Tiscatti, vice-presidente do Sindicato dos Músicos do Estado do Rio de
Janeiro (SindMusi), o representante da central Geral dos Trabalhadores do
Brasil, José Mauro. |