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Fed prevê queda de 2% no
PIB dos EUA e as Bolsas despencam
Os principais índices da bolsa de Nova Iorque
sofreram queda na quarta-feira dia 20, após o Federal Reserve, o BC dos EUA,
anunciar que o PIB deverá ter uma queda mais severa em 2009 do que a prevista
anteriormente, entre -1,3% e - 2%, e que o desemprego, que já está no nível mais
alto em 25 anos – 8,9% - poderá chegar a 9,6%. Há duas semanas, o presidente do
Fed, Ben Bernanke, às vésperas da divulgação dos testes de estresse dos bancos,
havia prenunciado “brotos verdes” na economia e possível recuperação antes do
final do ano. O Dow Jones (índice principal) perdeu 0,62%; o Nasdaq
(tecnologia), 0,39%; e o Standard & Poor’s 500 (500 maiores), 0,51%.
O índice de bancos KBW perdeu 2,7%, sendo que as ações do
JP Morgan Chase encolheram 3,5%; as do Goldman Sachs, 3,3%; e as do American
Express, 3,2%. No dia anterior, o “Wall Street Journal” afirmou que as perdas
potenciais de 940 bancos pequenos e médios poderiam ultrapassar os US$ 200
bilhões, caso fossem aplicadas a eles as mesmas suposições empregadas nos
“testes de estresse” dos 19 maiores bancos do país. Quase a metade dessas
perdas, segundo o estudo do WSJ, viria da inadimplência nos empréstimos
concedidos para a construção de centros comerciais, escritórios, prédios e
hotéis.
A reunião do Fed manteve a taxa básica dos EUA entre 0,25%
ao ano e zero. A previsão anterior do Fed era de que o PIB, em 2009, se
contrairia entre 0,5% e 1,3%. Até a Exxon – num dia em que o barril de petróleo
subiu para o mais alto patamar desde novembro, US$ 62,04 – viu o valor de suas
ações encolherem 1,3%. As ações da Hewlett-Packard, a maior empresa de
informática do mundo, que anunciou prejuízo de 17% no primeiro trimestre,
desabaram 5,22%. A perda nas ações da Apple foi de 1,2%. Ainda no setor de
tecnologia, Motorola sofreu uma queda nas vendas de 45% no primeiro trimestre de
2009, e perdeu a posição de terceira maior fabricante de celulares, que agora é
da sul-coreana LG.
Outra notícia ruim foi a de que a construção de casas novas
despencou 12,8% em abril, o menor patamar em 50 anos, para uma taxa anualizada
de 458 mil unidades. Em relação a abril do ano passado, a queda foi de 54,2%. O
número de alvarás de construção, que indica como irá evoluir a atividade à
frente, despencou 50% em relação a abril do ano passado, e 3,4% em relação ao
mês anterior.
Até o Fed divulgar sua ata do fundo do poço, meia hora
antes do fechamento da bolsa, ocorria ligeira alta. Um especulador do Illinois,
ouvido pela Reuters, sintetizou a situação: “parece que o Fed está um pouco
menos otimista com relação à economia que antes ou que nós fomos levados a
acreditar que estava”. Em sua ata, o Fed adiou o otimismo para 2010, onde
prometeu até 3% de crescimento, e para 2011, de até 4,8%. Não houve previsão
para 2015 para não ofuscar ninguém com tanto otimismo.
Por sua vez, o presidente Barack Obama sancionou uma lei
que autoriza o Tesouro a conceder até US$ 500 bilhões ao órgão federal
responsável por garantir os depósitos bancários nos EUA, o FDIC, em caso de
necessidade. E o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, revelou que a parceria
público-privada para adquirir títulos podres dos bancos – aquela em que, se der
lucro, o privado ganha, e se der prejuízo o público paga – irá começar dentro de
seis semanas, com US$ 100 bilhões do governo. |