O testemunho do mais eminente ministro da Agricultura soviético 

Benediktov: A URSS na época de Stalin e depois dele - (3) 

Nesta terceira parte de sua entrevista, concedida a V. Litov em 1980/1981, Ivan Benediktov, ex-Comissário do Povo para a Agricultura, aborda a repressão aos sabotadores e contra-revolucionários às vésperas da II Guerra Mundial, dando o seu testemunho: “Apesar de tudo o que se possa dizer sobre aquele tempo, a atmosfera de então caracterizava-se não pelo medo, pelas repressões ou pelo terror, mas por uma poderosa onda de entusiasmo revolucionário das massas populares, sentindo-se pela primeira vez, depois de muitos séculos, donos da própria vida, sinceramente orgulhosos do seu País, da sua Pátria, acreditando profundamente nos seus dirigentes!”. O texto, extraído do site “Para a História do Socialismo”, foi condensado e adaptado ao português brasileiro 

LITOV - As empresas ocidentais têm uma estrutura organizativa de administração muito mais elaborada do que a nossa... Porque não copiar a sua experiência!

 BENEDIKTOV - Uma pessoa minha conhecida, regressando de uma missão de trabalho ao Japão, contou-me que nas empresas das maiores corporações, onde praticamente não existem cartazes de propaganda, viu apenas um slogan inscrito, “Os Quadros Resolvem Tudo!”, e os japoneses sabem a quem pertence este slogan... Nos chamados “círculos de qualidade”, que permitem às firmas japonesas livrarem-se dos produtos com defeito, é utilizada a experiência do nosso movimento stakhanovista, a experiência da emulação socialista e, em particular, o sistema de produção sem defeito de Saratov, o que não é escondido no Japão... Contaram-me que são exatamente os especialistas japoneses quem mais revelam interesse pelo Pavilhão da “Emulação Socialista”, no Parque de Exposições em Moscou, onde estudam minuciosamente tudo o que de valor aparece nesta área. Outro fato interessante é que, no Japão, os operários que mais se distinguem na racionalização e produtividade recebem por isso recompensas simbólicas. Lá, com algum fundamento, pensam que os fatores ideológicos e morais produzem efeitos muito mais fortes do que o mero estímulo material! Pois nós descobrimos isso ainda nos anos 30. Descobrimos e... esquecemos, deixamo-nos seduzir pelos estímulos puramente materiais, pondo de lado outros que são tão ou mesmo mais eficazes.

Temos assim que os capitalistas utilizam ativamente a nossa experiência e os nossos êxitos, enquanto nós renunciamos na prática às nossas enormes vantagens objetivas, ajoelhamo-nos resignados perante o famigerado “modelo de mercado”, tomando como referência a economia capitalista não de ontem, mas de anteontem! Se isto é “inovação” e “progresso” então o que será “conservadorismo” e “retrocesso”?

No final dos anos 30, como Comissário do Povo para a Agricultura da URSS, eu desempenhava também o cargo de presidente do Comitê da Exposição Agrícola da União Soviética. Stalin e outros membros do Politburo acompanhavam o trabalho da exposição com grande atenção, considerando-a como o principal centro para a divulgação do movimento stakhanovista no setor da agricultura. Enquanto observava os expositores, Stalin reparou que alguns legumes, frutas e hortaliças, vindos das explorações mais avançadas, tinham um aspecto que, no mínimo, era pouco comercializável.

“- O que se passa camarada Benediktov?”, perguntou-me. “Isto é uma exposição de resultados avançados ou de produtos estragados?”.

“- Os produtos são transportados para a exposição por trem, o que, naturalmente, demora alguns dias. O Goscontrol não autoriza o transporte aéreo, considerando que se trata de uma despesa injustificada”.

“- O Goscontrol está vendo este assunto a partir da sua capelinha departamental. O que você tem de fazer é abordar o problema com uma posição de Estado e não permitir que o formalismo deite tudo a perder. Como Comissário do Povo e presidente da Exposição, você deve defender esta posição e lutar contra tal formalismo. As pessoas devem poder ver com os seus olhos a qualidade dos legumes e frutas que é possível cultivar. É preciso despertar nelas o desejo e a atração pelas experiências mais avançadas, para que as divulguem. Agora, assim, estão economizando milhares, mas perdendo milhões”.

Imediatamente depois, os produtos passaram a ser transportados por avião. Stalin tinha razão: tive oportunidade de testemunhar várias vezes como as delegações de kolkhozes e sovkhozes literalmente se deslumbravam com a ideia de “criar destas beterrabas e couves”.

O movimento stakhanovista permitiu elevar a produtividade do trabalho no país, no mínimo, uma vez e meia, aumentando ao mesmo tempo a consciência e a cultura de trabalho dos operários comuns e dos kolkhozianos. E tudo isso num prazo curtíssimo e sem quaisquer grandes despesas.

 

LITOV - Mesmo assim continua a ser difícil acreditar que a política de quadros durante o período de Stalin estava em um nível muito acima dos nossos tempos. Agora, pelo menos, não há repressões em massa, acabou o despotismo cruel e as ilegalidades que eliminaram as melhores pessoas, a nata intelectual da Nação… Ou acha que 1937 reforçou as fileiras dos quadros dirigentes?

 BENEDIKTOV - Penso que quando você conhecer não apenas uma parte, mas todos os fatos e documentos relacionados com o tema das repressões, quando você os analisar e refletir sobre o contexto da tensa e complexa situação da época, sentirá vergonha das frases falsas ditas por pessoas exasperadas e desorientadas, que perderam a capacidade de raciocinar de forma sadia. O nosso país não teria podido livrar-se de forma tão rápida e decidida da idade média e seguir em frente, não teria conseguido, apesar de todos os sofrimentos, tornar-se uma moderna e grande potência, e a cultura soviética nunca teria atingido o apogeu do seu florescimento se, como afirma, “a nata da Nação” tivesse sido sistematicamente eliminada pelo “maldoso” Stalin e o seu círculo. Exatamente porque se conseguiu emancipar e promover ao mais alto nível a parte mais talentosa, corajosa, criadora e honesta do nosso povo foi possível tomar a dianteira e superar provações que nenhum outro país no mundo suportaria. Pelo contrário, quando a política de quadros se alterou, quando passou a aplicar-se em escala nacional uma política de perseguição e acossamento das pessoas talentosas, quando o oportunismo e o carreirismo se tornaram moda, as forças criadoras do povo começaram efetivamente a definhar e chegamos à infâmia de precisarmos importar regularmente cereais e outros produtos alimentares, de haver penúria de produtos de primeira necessidade, de termos uma esfera de serviços esgotada e continuarmos a atrasar-nos em relação ao Ocidente no campo técnico-científico. Estou convencido de que as baixas exangues que sofremos nas últimas décadas, na economia, política e ideologia, superam várias vezes os danos causados pelas repressões dos anos 30 e 40. No fundamental, o potencial criador de várias gerações das mais talentosas e sadias do nosso povo foi desperdiçado e corroído na sua base moral pela ideologia e psicologia pequeno-burguesas. Por isto, não tenhamos dúvidas, pagaremos o mais alto preço.

Apesar de tudo o que se possa dizer sobre aquele tempo, a atmosfera de então caracterizava-se não pelo medo, pelas repressões ou pelo terror, mas por uma poderosa onda de entusiasmo revolucionário das massas populares, sentindo-se pela primeira vez, depois de muitos séculos, donos da própria vida, sinceramente orgulhosos do seu País, da sua Pátria, acreditando profundamente nos seus dirigentes.

Estou convencido de que já é tempo de pensarmos sobre a necessidade de reconstituir um quadro autêntico do passado. Enquanto não o fizermos, os nossos inimigos continuarão, à custa do nosso silêncio, a fabricar uma versão sua cada vez mais sólida.

Boa parte disso foi oferecido por Kruschev, que odiava Stalin e transferiu para a grande política os seus interesses mesquinhos e a sua exasperação pessoal. Pessoas competentes disseram-me que Kruschev deu ordem para ser destruída uma série de documentos importantes relacionados com as repressões dos anos 30 e 40. Certamente que, em primeiro lugar, desejou esconder a sua participação nas ilegalidades em Moscou e na Ucrânia, onde, para ficar nas boas graças do Centro, assassinou muitas pessoas inocentes. Ao mesmo tempo foram destruídos documentos de outro tipo, que demonstravam irrefutavelmente a fundamentação das ações repressivas adotadas no final dos anos 30 contra algumas destacadas figuras do Partido e do Exército. A tática é óbvia: encobrir-se a si próprio e lançar toda a culpa pelas ilegalidades para cima de Stalin e dos “stalinistas”, os quais eram vistos por Kruschev como a principal ameaça ao seu poder.

 

LITOV - Estudos sérios não existem sobre esta matéria, para os ideólogos do Partido este é um tema proibido e agora você, um participante ativo nesses acontecimentos, recusa-se a revelar o que sabe… Que fazer, eu quero saber a verdade! Vou ter com esses escritores e “intelectuais” que, segundo o que me diz, mais não fazem que turvar as águas! Ou com os kremlinólogos ocidentais que, como justamente observou, são tão hábeis a fabricar as suas versões!  

BENEDIKTOV - Conto-lhe um episódio verdadeiro da minha vida, ocorrido, se a memória não me falha, em 1937. Tire você próprio as conclusões…

Nessa época, eu ocupava um cargo de direção no Comissariado do Povo para os Sovkhozes da URSS. Ao entrar de manhã no gabinete, encontrei uma notificação para me apresentar urgentemente ao NKVD [Comissariado do Povo para os Assuntos Internos]. Era algo que não provocava especial surpresa ou preocupação, porque era frequente os assessores do Comissariado do Povo serem chamados a prestar declarações sobre processos de investigação de grupos de sabotadores na nossa instituição.

O investigador, de aspecto inteligente e simpático, cumprimentou-me educadamente e propôs que me sentasse.

“- O que você tem a dizer sobre os assessores Petrov e Grigoriev?”

“- São ótimos especialistas, comunistas honestos e dedicados à causa do Partido e ao camarada Stalin” – respondi, sem sequer pensar. Tratava-se de dois dos meus amigos mais próximos, éramos, como se costuma dizer, unha e carne…

“- Tem certeza disso?”, perguntou o investigador, em cuja voz me pareceu transparecer um sentimento de decepção.

“- Absoluta, respondo tanto por eles como por mim próprio”.

“- Então veja estes documentos”. E passou-me várias folhas de papel.

Ao lê-las, fiquei gelado. Tratava-se de uma declaração sobre “A atividade sabotadora de I.A. Benediktov no Comissariado”, realizada durante vários anos “a serviço da espionagem alemã”. Tudo, todos os fatos enumerados no documento, tinham efetivamente ocorrido: as aquisições na Alemanha de máquinas agrícolas impróprias para as nossas condições, ordens e diretivas erradas, o menosprezo de queixas locais justas, e mesmo algumas tiradas minhas feitas de brincadeira, num círculo restrito, para impressionar amigos com o meu senso de humor... Claro que tudo aquilo era resultado da minha ignorância, inépcia, falta de experiência – nunca tinha havido da minha parte qualquer má intenção. No entanto, todos aqueles fatos estavam agrupados e interpretados com uma tal habilidade demoníaca e uma lógica irrefutável que, colocando-me no lugar do investigador, de imediato e sem hesitações teria acreditado nos “propósitos sabotadores de I. A. Benediktov”.

Mas um golpe mais terrível esperava-me à frente: abalado pela espantosa força da mentira, não reparei logo nas assinaturas de quem tinha forjado o documento. O primeiro sobrenome não me surpreendeu (tratava-se de um tratante, mais tarde condenado com pena de prisão por calúnia, que fizera denúncias sobre muitas pessoas do Comissariado e que, por isso, já ninguém levava a sério). Mas quando vi os sobrenomes que constavam na segunda e terceira linhas, então fiquei literalmente hirto: eram as assinaturas de Petrov e Grigoriev, pessoas que eu considerava como os meus melhores amigos, aos quais confiava tudo, inteiramente!

“- O que você tem a dizer sobre esta declaração?”, perguntou o investigador quando viu que eu tinha, mais ou menos, voltado a mim.

“- Todos os fatos aqui expostos aconteceram, você nem precisa verificar. Mas cometi esses erros por ignorância e falta de experiência. Arrisquei em nome dos interesses do trabalho, assumi a responsabilidade em momentos que outros teriam preferido cruzar os braços. As afirmações sobre sabotagem intencional e as ligações com a espionagem alemã são uma mentira absurda”.

“- Você continua considerando Petrov e Grigoriev como comunistas honestos?”

“- Sim, continuo, e não consigo compreender o que fez com que eles subscrevessem essa falsificação...”

Mas, na verdade, já começava a compreender, projetando na memória certos sinais de afastamento, frieza e tensão que tinham surgido imediatamente após a minha nomeação para um posto chave no Comissariado... Tanto Petrov como Grigoriev seriam, possivelmente, melhores especialistas do que eu, mas seguiam a filosofia das “corujas sábias”, travando por vezes a minha iniciativa e a sede de mudanças rápidas.

“- Compreendo que não queira arruinar os seus amigos”, disse o investigador, depois de refletir alguns momentos. “Mas, infelizmente, o comportamento deles está longe de ser o que diz. É claro que recolhi algumas informações sobre você, e não são más: você é uma pessoa empenhada, bastante capaz. Mas já em relação aos seus amigos, ‘comunistas honestos’, são más. Ivan Alekssandrovitch, quero que compreenda a nossa posição: você admite que os fatos aconteceram e diz que não tem qualquer dúvida sobre a honestidade daqueles que o acusam de sabotagem. Concordará que, enquanto tchekistas, temos de agir em conformidade. Pense novamente se tudo o que nos disse é verdade. Eu compreendo, você está numa situação complicada, mas não vale a pena desesperar porque ainda não chegamos a nenhuma conclusão”, disse-me o investigador na despedida, apertando-me a mão.

Na parte da tarde, no gabinete, quando tentava vencer pensamentos e presságios sombrios e entender o sentido dos papéis que tinham chegado, tocou o telefone: convidavam-me para comparecer ao Comitê Central na manhã do dia seguinte. “Está decidido, estou morto”, pensei eu, “expulsam-me do Partido e, depois, julgamento”.

A minha mulher não aguentou mais e passou a noite a chorar. De manhã, preparou-me uma pequena trouxa com alguns pertences, com os quais segui para o edifício do Comitê Central. Recordo-me do olhar perplexo que me lançou a mulher, já com alguma idade, que estava sentada na recepção da sala de reuniões. “Isso você pode deixar aqui”, disse, mostrando-me uma cadeira junto à porta. Na reunião, foram debatidas questões sobre o desenvolvimento da agricultura. Quase que não conseguia entender o sentido das intervenções, esperava que dissessem o meu sobrenome e começassem a estigmatizar-me. Por fim, alguém falou no meu nome... era Stalin.

“O burocratismo no Comissariado não diminui”, disse ele, devagar e pesadamente. “Todos nós respeitamos o Comissário do Povo... um velho bolchevique, veterano de guerra, mas não há meio dele conseguir combater o burocratismo, é verdade que a idade também já não ajuda. Ouvimos opiniões e decidimos reforçar a direção do setor. Proponho a nomeação para o cargo de Comissário do Povo do jovem especialista Benediktov. Alguém é contra? Não? Considera-se o assunto resolvido”.

Após alguns minutos, quando todos começavam a sair, Vorochilov aproximou-se: “Ivan Alekssandrovitch, o camarada Stalin pede que vá ter com ele”.

Numa sala espaçosa, reconheci os rostos, que conhecia bem por fotografias, de Molotov, Kaganovitch e Andreev.

“- Eis o nosso novo Comissário do Povo”, disse Stalin, quando me aproximei. “Então, você concorda com a decisão tomada ou tem alguma coisa contra?”

“- Tenho, camarada Stalin, três ao todo”.

“- Então diga!”

“- Em primeiro lugar, sou demasiado novo; em segundo, trabalho há pouco tempo nas novas funções e faltam-me experiência e conhecimentos”.

“- A juventude é uma insuficiência que passa. Só é pena que passe tão depressa. Nós é que precisávamos de um pouco mais dessa insuficiência, não é Molotov?”. Este pigarreou de forma indefinida, ajustando as lentes no nariz. “Experiência e conhecimento é algo que se adquire”, continuou Stalin. “Teria sido para mim um prazer ter estudado, mas você, pelo que me disseram, teve estudo que chegue. Mas não se encha de orgulho, que nós ainda lhe vamos fazer muitos galos na cabeça. Prepare-se para ter uma vida difícil, o Comissariado tem sido negligenciado. E qual é a terceira razão?”.

Então, contei a Stalin a minha ida ao NKVD. Ele franziu o semblante, ficou calado e, depois, olhando-me fixamente, disse:

“- Responda francamente, como comunista: essas acusações têm algum fundamento?”.

“- Nenhum, exceto no que toca à minha inexperiência e inépcia”.

“- Muito bem, pode ir trabalhar que nós trataremos dessa questão”.

Só dois dias depois dessa conversa, quando me telefonou um dos secretários do CC, compreendi que o perigo passara. Quanto à trouxa, foi-me enviada nesse dia do CC para o Comissariado. Estava de tal modo aturdido que me esquecera completamente dela...

 

LITOV - Ao que parece, Stalin não quis alterar uma decisão já tomada, e isso salvou-o....

 BENEDIKTOV - Não concordo. Ao longo de muitos anos de trabalho, constatei várias vezes que os procedimentos formais ou ambições pessoais pouco significavam para ele. O que contava para Stalin era o trabalho e, se fosse necessário, não o confrangia alterar decisões tomadas, não se preocupando nem um pouco sobre o que outros pudessem pensar ou dizer. Nas questões relacionadas com processos de pessoas acusadas de sabotagem, Stalin tinha fama de liberal no Politburo da época. Normalmente, punha-se do lado dos acusados e conseguia inocentá-los, embora, claro, tenha havido exceções. Isto encontra-se bem descrito nas memórias de Tchuianov, que foi primeiro-secretário do partido na região de Stalingrado. Eu mesmo, nesta matéria, presenciei várias vezes divergências de Stalin com Kaganovitch e Andreev. Os argumentos de Stalin assentavam fundamentalmente na ideia de que mesmo com os inimigos do povo era necessário lutar dentro do campo da legalidade, nunca saindo dele.

 

LITOV - Quer dizer que as repressões e arbitrariedades eram feitas nas costas de Stalin, sem o seu conhecimento? Mas, no XX Congresso foram apresentadas provas irrefutáveis de que foi exatamente Stalin o iniciador das repressões e quem escolhia as principais vítimas...

 BENEDIKTOV - Quanto à irrefutabilidade, tenho as maiores dúvidas. Tudo foi feito às pressas, com o evidente propósito de difamar Stalin e, sobretudo, os que o apoiavam. Quebrando a sua resistência, Kruschev e o seu círculo mais chegado contavam conseguir uma situação de monopólio no partido e no Estado. Por exemplo, as claras alusões à participação de Stalin no assassinato de Kirov, que ressoaram no famoso relatório de Kruschev, nunca foram confirmadas com provas reais. As palavras de Kruschev de que, alegadamente, Stalin “comandava as operações militares usando um globo terrestre”, revelaram-se absurdas, como confirmaram praticamente todos os marechais e generais que com ele trabalharam durante a guerra. De modo geral, o relatório de Kruschev no XX Congresso está cheio de aspectos obscuros, contraditórios, simplesmente incompreensíveis, em especial no que toca à participação nas repressões dos membros do Politburo na época, entre os quais, como é sabido, se incluía o próprio Kruschev...

Continua na próxima edição.


Primeira Página

 

Página 2

Capital estrangeiro drena em janeiro US$ 2,25 bi do país

Cada ponto de queda da Selic gera economia de R$ 17 bi, afirma professor da UnB

Sabesp prepara demissões e terceirizações aumentam

Sinergia entra com ação contra AES e Duke Energy por quebra de contrato

Venda de veículos encerra fevereiro em alta

Mainardi pedirá a cabeça de Jabor?

Expediente

Página 3

Atual gestão coloca Embraer à mercê do falido mercado externo

Lula defende o fortalecimento da Eletrobrás com recursos do BNDES

MST ocupa fazendas de Dantas em repúdio às declarações de Mendes

A “Folha” e a ditabranda

Lula: “caso da Embraer é quase uma anomalia”

Para Dilma, a grande expectativa do povo é a continuidade do governo

Conselho do Desenvolvimento debate sobre a crise

Página 4

Ministério Público pede a reintegração imediata de todos demitidos da Embraer

CGTB defende a retomada do controle público da Embraer

CUT condena “incompetência, amadorismo e oportunismo”

CTB: “Demissão em massa foi um ato de covardia”

Metalúrgicos param em São Caetano contra o facão da GM

Cartas

Apeoesp: Na luta em defesa da escola pública de qualidade

Página 5

Centro Popular de Araraquara homenageia Cláudio Campos

Sérgio Rubens, secretário-geral do MR8: “O companheiro Marcelo poderá contar com o Pátria Livre como sempre contou com o MR8”

Marcelo Barbieri: “Cláudio Campos tinha uma grande identidade com a nossa cidade”

Orlando Mengatti, secretário de Governo: “Nova sede poderá ampliar atendimento à população”

Página 6

Governo Chávez acaba fraude que encarecia em 100% preço do arroz

Chávez responde a Obama: “Encarregue-se do seu país que me encarrego do meu”

Relatório chinês expõe hipocrisia norte-americana sobre os “direitos humanos”

Hamas e Fatah anunciam governo de unidade e reconciliação palestina até o final de março 

Tribunal fantoche absolve Tariq Aziz após mantê-lo preso durante seis anos

EUA e Coréia Popular se reúnem na fronteira Sul pela primeira vez em sete anos

Página 7

EUA: participação estatal no Citi eleva-se de 8% para 36%

Revisão do PIB dos EUA apura que queda trimestral foi de 6,2%

Seguradora AIG, a maior dos EUA, tem prejuízo de US$ 61,7 bilhões

Coalizão com 300 entidades repudia o plano da Casa Branca de retirada parcial do Iraque

Aumenta número de civis mortos por tropas invasoras dos EUA e da Otan no Afeganistão

Obama inova Orçamento: agora bilionários também terão que pagar imposto

Arnaldo Carrilho será o primeiro embaixador do Brasil na Coréia Popular

Página 8

Benediktov: A URSS na época de Stalin e depois dele - (3) 

 

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