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Encontro do Conselho de
Defesa da Unasul
Conselho condiciona presença dos EUA ao fim
do bloqueio a Cuba
Os ministros de Defesa dos 12 países da União de Nações
Sul-americanas, Unasul, puseram oficialmente em funcionamento o Conselho de
Defesa do organismo regional, para promover a cooperação entre as distintas
forças armadas, gerar operações de paz conjuntas e dar transparência aos
gastos militares.
Em declaração anexa acordaram impulsionar uma luta coordenada contra o
narcotráfico. Observadores assinalaram que, desta forma, se coloca uma
barreira à política intervencionista dos EUA, que usam o pretexto de combate
ao narcotráfico para manter tropas e bases em alguns países e realizar ações
de espionagem.
Os ministros da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana,
Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela foram recebidos no palácio de
La Moneda pela presidente Michelle Bachelet, cujo país exerce a presidência
pro-tempore da Unasul.
Ao inaugurar o primeiro Conselho, o ministro chileno de Defesa, José Goñi,
precisou que se trata de “um mecanismo para gerar nossas opiniões, nossas
visões e nosso próprio plano de ação em assuntos de defesa”. Esclareceu,
ainda, que o CDS não quer nenhuma semelhança com a OTAN, mas tem como
objetivo “dar vida a uma aliança que fortaleça a confiança mútua mediante a
integração, o diálogo e a cooperação em matéria de defesa. É uma zona de
paz, base para a estabilidade democrática e o desenvolvimento integral dos
povos”.
Em sua primeira declaração, o Conselho de Defesa Sul-americano condicionou a
possibilidade de que os Estados Unidos ingressem como observadores a esta
instância a que Washington mude sua relação com Cuba.
A posição, aprovada pelos 12 ministros participantes, foi apresentada pelo
ministro de Defesa do Brasil, Nelson Jobim, que afirmou que “a mudança das
relações dos EUA com Cuba é uma condição para uma nova apresentação desse
país na região”, assegurando que assim o expressou ao chefe do Estado Maior
Conjunto norte-americano, Mike Mullen, que visitou o Brasil, Chile e
Colômbia, na semana passada.
A ministra argentina, Nilda Garré, coincidiu em que “Cuba é um tema pendente
para a região” e acrescentou que a nova administração americana “tem uma
oportunidade para acabar com essa situação injusta e discriminatória”.
Walter San Miguel, ministro boliviano de Defesa, perguntado sobre o bloqueio
norte-americano, assinalou que se trata de medidas contra o povo cubano e
sublinhou que “nós não concordamos com medidas hegemônicas”.
Os 12 ministros da área reiteraram que os EUA não poderão mudar “sua carta
de apresentação” ante a região, enquanto mantenham o bloqueio econômico a
Cuba. |