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Senadora Ideli defende aprovação da lei de
cotas
“As experiências de política de cotas já
adotadas por várias universidades do país e o
Programa Universidade para Todos (Prouni) são
suficientes para mostrar a necessidade desse
tipo de ação afirmativa. Nós queremos é que vire
lei e, para isso, teremos que decidir e votar. A
opinião pública traz sua percepção e nós vamos
decidir pelo voto. Se percebermos que o
resultado não foi o esperado, modificamos”,
afirmou a senadora Ideli Salvatti, durante uma
audiência pública realizada na última
quarta-feira (18), no Senado Federal.
A audiência, que reuniu os senadores da Comissão
de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ),
discutiu o PLC 180/08, que cria as cotas sociais
e raciais para o ingresso de alunos nas
universidades federais e estaduais e nas
instituições federais de ensino técnico.
O projeto, relatado pela senadora Serys
Slhessarenko, traz a proposta de reserva de, no
mínimo, 50% das vagas para estudantes que tenham
cursado todo o ensino médio em escolas públicas.
Metade dessas vagas, 25% do total, deverá ser
preenchida por estudantes oriundos de famílias
com renda de até 1,5 salário mínimo por
integrante. A outra metade terá uma cota para
alunos negros, pardos e indígenas de acordo com
a proporção de negros, pardos e indígenas em
cada Estado. Caso essas vagas não sejam
totalmente preenchidas, deverão ser completadas
por alunos de escolas públicas.
“Temos que tratar os desiguais desigualmente”,
afirmou o juiz federal e professor voluntário da
rede de pré-vestibulares comunitários Educafro,
Willian Douglas. “Não podemos aceitar que os
brancos pobres sejam discriminados, mas os
negros pobres são ainda mais discriminados. Eles
precisam de algo mais”.
A mestranda em direitos humanos Rosane Fernandes
Kaingang, indígena, afirmou que só conseguiu se
formar em pedagogia graças a um convênio entre a
instituição de ensino e a Fundação Nacional do
Índio (Funai). “Se queremos melhorar a qualidade
de vida (dos povos indígenas), temos que pensar
em medidas específicas para as minorias, índios,
negros e pobres”.
Para ela, a cota é uma ferramenta para diminuir
as diferenças. “Como o Estado Brasileiro quer
ser multi-racial se não admite a convivência com
os diferentes?”, questionou ela, contrapondo o
argumento de que a política de reserva de vagas
criará uma divisão racial. |