|
Projeto abre brecha para estrangeiro se
apossar de terras na Amazônia
O relator
da medida provisória que facilita a regularização fundiária na Amazônia,
deputado Asdrubal Bentes (PMDB/PA), apresentou na semana passada projeto de
conversão que abre uma brecha para que estrangeiros possam se apropriar de
terras na região ao retirar da proposta original do governo a proibição para
titulação de glebas em benéfico de pessoas jurídicas (empresas, ONGs e
associações, por exemplo).
Outro
agravante no projeto de conversão é que ele libera a negociação dos títulos
de propriedade ou de concessão de uso obtidos, o que era proibido no texto
original por, no mínimo, dez anos.
Segundo o
relator, já que “a pessoa venderia (as terras) por baixo dos panos mesmo”
por meio de contratos de gaveta, a solução seria concordar com a fraude. De
acordo com Asdrubal Bentes, a liberação da venda dos imóveis possibilitará a
transparência. “Todos saberão quem comprou e quem vendeu”, alegou.
O
deputado também reduziu para apenas um ano o prazo de ocupação do imóvel
pelo posseiro, ampliando a extensão de terras federais que poderão ser
repassadas a terceiros. A MP previa que o candidato teria de comprovar que
ocupava o terreno desde antes de 1º de dezembro de 2004. “Quem estava na
terra em 2004 está tão ilegal como quem entrou depois. Ou se regulariza tudo
ou não se regulariza”, defendeu Asdrubal.
Além de
diminuir o prazo para comprovar a ocupação, ao contrário do projeto original
o texto do relator permite ainda que proprietários de outros imóveis rurais
no país recebam glebas com os benefícios previstos na MP. Nesse caso, o
preço da terra será fixado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (Incra) e poderá ser parcelado em até 20 anos, com prestações
corrigidas, mas sem juros. |