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Protógenes ajuda Daniel Dantas e “Veja”
Já externamos aqui no HP, por diversas vezes, a
nossa opinião sobre a Operação Satiagraha da Polícia Federal. A operação foi, no
essencial, um sucesso. Seu principal mérito foi o desmascaramento da quadrilha
de Daniel Dantas, com farta documentação e provas. Mas, sem dúvida, como
apontamos, houve também imprecisões e erros na condução dos trabalhos por parte
do delegado Protógenes Queiroz. Graças ao excelente trabalho feito pelo
substituto de Protógenes, delegado Ricardo Saad, esses problemas foram sanados.
O novo encarregado das investigações apresentou um relatório ainda mais
contundente que seu antecessor.
As falhas de Protógenes estavam em algumas
conclusões precipitadas e sem base que ele considerou como se fossem fatos - e
em certa propensão à espetacularização, privilegiando determinado órgão de mídia
por ocasião das prisões. Esses erros, apesar de não causarem danos ao essencial
das investigações, até porque foram corrigidos posteriormente, revelavam, no
entanto, uma ânsia por aparecer e situar-se no centro dos acontecimentos pouco
adequada a quem necessita manter a objetividade para não cometer inexatidões e
injustiças que pusessem em xeque o trabalho policial.
Se no relatório da Satiagraha esses problemas
foram secundários, parecem ter agora irrompido, com especial falta de vínculo à
realidade, na carta aberta que, em seu blog, Queiroz dirigiu ao presidente dos
EUA, Barack Obama. Em nome de defender a “soberania” do país, chega a pedir a
ajuda da CIA para combater a corrupção no Brasil, como se a CIA não fosse,
precisamente, um dos antros mais corruptos e corruptores que já existiram – e
seu apreço pela soberania de outros povos ser ainda menor do que o apreço de
Daniel Dantas pela lei. Aliás, dirigir uma carta ao presidente de outro país – e
logo os EUA - para que lhe ajude a defender a nossa soberania não é propriamente
uma ação destinada ao sucesso. No entanto, não é possível levar a sério tal
pedido: transparece nisso mais a sofreguidão pelos refletores do que qualquer
outra coisa.
Protógenes diz também que “não é apenas o
judiciário que está no payroll [folha de pagamento] do banqueiro-bandido Daniel
Dantas. O próprio presidente da República, o Lula, acaba de colocar os amigos
para assumir controle do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin)”. Queiroz
não poderia ter sido mais injusto – e mais alucinado: o presidente nomeou um
comitê interministerial para estudar a reformulação do sistema, estabelecido no
governo Fernando Henrique, e não para “assumir o seu controle”. O comitê,
coordenado pelo ministro-chefe do Gabinete Institucional é composto pelos
ministros da Casa Civil, da Justiça, da Defesa, das Relações Exteriores, do
Planejamento e da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Nele está, portanto, quem
devia estar. Queiroz tem, naturalmente direito a ter sua opinião sobre o
assunto. Mas não tem o direito de levantar uma aleivosia – isto é, algo sem
provas, apenas um insulto – contra o presidente da República, que é seu superior
e tem muito mais serviços prestados ao país do que ele.
É natural que o delegado se sinta pressionado
com a campanha de Dantas contra a Satiagraha e, particularmente, contra ele. Mas
é nessas horas que os homens de bem têm de manter a serenidade ou os injustos e
bandidos prevalecerão. Todo esse complexo de Errol Flynn somente serviu para
ajudar os esbirros de Dantas a encobrir o seu chefe para que fuja ao implacável
braço da lei, tirando credibilidade das investigações. Não é por outro motivo
que a “Veja”, principal porta-voz da quadrilha, esparramou o assunto na última
edição e escalou um anormal para divulgar a íntegra da carta do delegado.
Assim, com esse gancho, “Veja”, que nas últimas
20 edições não faz outra coisa senão acobertar Daniel Dantas, montou outra
farsa. Para, supostamente, “provar” que Protógenes espiona até Jesus Cristo –
uma simples projeção das atividades de Daniel Dantas - “descobriu” que Fernando
César Mesquita, assessor do senador José Sarney, foi uma vítima do delegado. Na
verdade, quem estava sendo investigado pela PF era um lobista, empregado de
Dantas, Alexandre Paes dos Santos, que é amigo de Mesquita. Sobre o real
investigado, a revista nada diz, mas a história é conhecida – quando atuava no
Ministério da Saúde, quando Serra era ministro, foi apreendida uma caderneta
desse lobista, onde anotara vários pagamentos. Um deles, para uma então editora
de “Veja”.
S.C.
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