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Movimentos sociais irão às ruas no dia 30 contra
as demissões
Centrais sindicais e entidades populares irão
realizar manifestações em todo o país contra as
demissões e pela redução da taxa Selic
Centrais
sindicais, entidades estudantis, femininas, do
movimento negro e comunitário convocaram para a
próxima segunda-feira, 30 de março, um dia
unificado de mobilização contra a crise e as
demissões. Em São Paulo, a concentração
acontecerá em frente ao banco Real Santander, na
avenida Paulista, 1374, de onde os manifestantes
sairão em passeata até o Banco Central, rumo à
Bolsa de Valores, no centro da cidade.
Nesta mesma data,
convocados pelas entidades sindicais
internacionais, serão feitos atos em vários
países das Américas, África, Ásia e Europa,
denunciando a globalização neoliberal, que
fomentou a desregulação dos mercados, as
privatizações e a desnacionalização das
economias como a responsável pela crise.
“A precarização,
o arrocho salarial e o desemprego enfraquecem o
mercado interno, deixando o nosso país
vulnerável e à mercê da crise, prejudicando
fundamentalmente os mais pobres”. “É preciso
cortar drasticamente os juros, reduzir a jornada
sem reduzir os salários, acelerar a reforma
agrária, ampliar as políticas públicas em
habitação, saneamento, educação e saúde, e
medidas concretas dos governos para impedir as
demissões, garantir o emprego e a renda dos
trabalhadores”, afirma o manifesto de convocação
do ato.
O presidente
nacional da CUT, Artur Henrique, avalia que o
momento exige da direção das entidades uma
aproximação cada vez maior, citando o exemplo da
luta contra os cortes na Empresa Brasileira de
Aeronáutica (Embraer) e pela reintegração dos
4.270 demitidos. Para Artur, entre as
prioridades do dia 30, “estão a defesa a reforma
agrária, dos empregos e o combate aos juros mais
altos do mundo”.
Entre as
propostas apresentadas pelo presidente da CUT
está a de conformar a mais ampla unidade contra
as demissões: “A partir de agora temos de atuar
de forma rápida e conjunta. Se uma empresa
demitir, vamos todos até ela”.
Na avaliação do
vice-presidente da Central Geral dos
Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas
de Oliveira (Bira), “é preciso superar os
entraves impostos pela política de juros
estratosféricos do BC, pois ao mesmo tempo em
que inviabiliza o desenvolvimento, estrangula o
mercado interno, deixando o país mais frágil
frente à ação dos especuladores e parasitas”.
Bira também condenou a ação de alguns
empresários que chantageiam com demissões para
arrancar recursos do governo e reduzir direitos
e salários dos trabalhadores. “Com menos juros,
sobrarão recursos para ampliar os investimentos
em infra-estrutura e nas áreas sociais,
valorizando os serviços e servidores públicos”,
acrescentou.
O manifesto
denuncia que estão “sendo torrados trilhões de
dólares para cobrir o rombo das multinacionais,
em um poço sem fim, mas o desemprego continua se
alastrando, podendo atingir mais 50 milhões de
pessoas”. “No Brasil, a ação nefasta e
oportunista das multinacionais do setor
automotivo e de empresas como a Vale do Rio
Doce, CSN e Embraer, levaram à demissão de mais
de 800 mil trabalhadores nos últimos cinco
meses”, assinala o documento.
Para o secretário
geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna),
“a redução das taxas de juros é uma questão
essencial neste momento”. Ele defende que o
movimento unitário se reproduza nas comemorações
do 1º de Maio, com as lideranças das centrais
fazendo uso da palavra em todas as mobilizações
a serem realizadas.
Segundo o
dirigente da Central dos Trabalhadores e
Trabalhadoras do Brasil (CTB), Carlos Rogério,
“a unificação do conjunto das categorias, somada
aos movimentos sociais, aponta desde já para uma
jornada vitoriosa, que deve pautar as demais
ações daqui para frente”.
De acordo com
Canindé Pegado, da União Geral dos Trabalhadores
(UGT), o dia 30 deve priorizar o fortalecimento
das políticas públicas e a garantia de recursos
para a área social.
Representando a
Via Campesina e o MST, Joaquim Pinheiro defendeu
que o protesto seja bem dirigido contra o Banco
Central e sua política de juros altos; contra os
banqueiros, que querem ampliar seus lucros com a
crise e a Fiesp, que quer arrochar salários e
retirar direitos.
A presidente da
União Nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia
Stumpf frisou que a articulação deve ter
consequência para além do ato do dia 30, “para
que tenhamos um leque de forças realmente amplo,
em condições de enfrentar e derrotar a política
do tucano Henrique Meirelles”, afirmou. |