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Testemunho de soldados comprovam
Alto comando israelense orientou o
assassinato
de mulheres e crianças durante invasão à Gaza
Um comandante de pelotão israelense identificado como “Aviv” ao
testemunhar sobre as ordens recebidas por sua unidade para orientarem a
ocupação de casas na região densamente povoada da Faixa de Gaza relatou.
“Era para nós entrarmos portão adentro com veículos blindados [o veículo
para esse tipo de ação foi denominado “Achzarit”, que quer dizer cruel],
começar atirar …eu chamo isso de assassinato…com efeito, deveríamos
avançar piso após piso e atirar em qualquer pessoa que
identificássemos”.
Esta é uma das declarações colhidas por Dany Zamir, diretor de um
programa de treinamento militar, realizado na Faculdade de Oranim, na
cidade de Tivon, logo após a agressão do início do ano à Faixa de Gaza.
Dany informa que pediu aos militares para relatar suas experiências
durante o assalto a Gaza e que ficou “chocado com o que ouviu”.
Zamir teve os seus relatos reproduzidos nos jornais israelenses Haaretz
e Maariv.
“MISSÃO DIVINA”
Quando Aviv propôs aos seus comandados que antes de atirar ordenassem a
evacuação das casas, ouviu em resposta: “Temos que matar qualquer pessoa
que esteja dentro das casas”, ou “qualquer pessoa que esteja em Gaza é
um terrorista”.
Ele relatou ainda que a atitude generalizada dos soldados é de que
“dentro de Gaza é permitido fazer o que se quer, derrubar portas de
casas sem nenhum motivo e que é legal escrever ‘morte aos árabes’ nos
muros, pegar fotos dos familiares e cuspir nelas…”.
Outro militar, que se identificou como “Ram” afirmou que os chefes
militares preparavam as tropas trazendo rabinos militares que
apresentavam a agressão como “uma missão religiosa”.
“A mensagem era muito clara”, disse Ram, “nós somos o povo judeu, viemos
a esta terra através de um milagre, Deus nos trouxe de volta a esta
terra e temos que lutar para expulsar os gentios [como os racistas
judeus costumam se referir aos não judeus] que se contrapõem à nossa
conquista desta terra sagrada”.
O repórter do jornal Haaretz afirmou que Zamir relatou haver recebido
ameaças do comando militar onde se localiza a escola.
O chefe do Estado Maior das forças de ocupação israelenses (eles chamam
de Forças de Defesa), general Gabi Ashkenazi, rejeitou os relatos dos
soldados e disse que “as forças de Defesa de Israel são as que têm o
maior nível moral em todo o mundo”, isso depois do frenesi assassino que
matou 1.400 civis palestinos e cerca de 400 crianças em Gaza. |