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FHC atribui a Lula a conivência que ele teve com a corrupção
Fernando Henrique Cardoso usou uma entrevista no
programa Roda Viva, da TV Cultura, exibido na segunda-feira passada (23), e
um seminário da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio)
para dizer que “a corrupção é endêmica” no país e para atribuir ao governo
Lula o que na sua gestão foi profícuo: o acobertamento das ilegalidades. “A
diferença é de atitude: não posso dizer que não teve (no seu governo), mas
garanto que eu não compactuei com ela. Nunca passei a mão na cabeça de
corrupto”, emendou.
Se chegou a passar “a mão na cabeça de corrupto”
não se sabe. O importante é o que seu governo fez, quando corruptos e
malfeitores tiveram vida mansa. Apenas dois exemplos notórios: Daniel Dantas
e Ricardo Sérgio, caixa de campanha de Serra e FHC, denunciado por receber
propina no processo de privatização da telefonia e por favorecer ilegalmente
o Opportunity quando era diretor do Banco do Brasil. São numerosos os
exemplos em que pedidos para instalação de Comissões Parlamentares de
Inquérito (CPI) foram obstruídos pela bancada governista no Congresso e
escândalos foram jogados para debaixo do tapete.
Entre eles, a tentativa de criar as CPIs para
investigar irregularidades como a falcatrua com títulos do extinto DNER, com
prejuízo de quase R$ 3 bilhões, em 1996; a compra de votos para aprovar a
emenda da reeleição, em 1997; a venda de dólares aos bancos Marka e
FonteCindam na desvalorização do real em 1999, um rombo de R$ 1,6 bilhão; as
negociatas na “roubatização” da Telebrás; e ainda as denúncias contra o
secretário-geral da Presidência, Eduardo Jorge, no desvio de verbas das
obras do TRT de SP.
Não foi à toa que o procurador-geral da
República à época, Geraldo Brindeiro, ficou conhecido como
“engavetador-geral”.
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