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Secretaria define metas para programa nuclear
A
Secretaria de Assuntos Estratégicos promoveu no dia 31, em Brasília, o
seminário “Rumo a 2022: desafios estratégicos para o Programa Nuclear
Brasileiro.
Os
principais pontos debatidos entre o governo e especialistas foram a
construção de novas usinas nucleares para produção de energia elétrica, o
desenvolvimento de um reator multipropósito e a conquista nacional da
autossuficiência na produção industrial de urânio enriquecido, prevista para
2014. Os temas foram apontados como prioridade para o futuro do Programa
Nuclear Brasileiro.
Durante a
abertura do evento, o ministro Samuel Pinheiro Guimarães lembrou que “o
Brasil tem as condições ideais para se tornar um supridor confiável de
urânio enriquecido nos próximos anos porque domina a tecnologia e tem amplas
reservas de urânio”. Segundo ele, “só dois países estão na mesma situação do
Brasil: a China e os Estados Unidos”.
O Brasil
possui a sexta maior reserva de urânio do mundo e domina todo o ciclo do
combustível nuclear - desde a transformação do mineral encontrado em estado
natural até sua utilização dentro de uma usina nuclear. Além da usina de
Angra 3, prevista para entrar em operação em 2015, no mínimo mais quatro
usinas serão construídas no Nordeste e Sudeste até 2030.
MULTIPROPÓSITO
O
Seminário abordou também a importância do projeto de construção do Reator
Multipropósito Brasileiro, que envolve instituições vinculadas aos
ministérios de Ciência e Tecnologia e Defesa e instituições acadêmicas. Com
a escassez de molibdênio no mercado internacional, em conseqüência da
suspensão de operações de reatores no Canadá e na Holanda, houve uma alta de
400% nos preços do produto, do qual se extrai o tecnécio 99, utilizado em
aparelhos de tomografia, em exames de cintilografia e na produção de
fármacos. O projeto tem custo estimado em US$ 500 milhões.
DEFESA
Em
palestra no Rio de Janeiro, dia 29, o ministro Samuel Pinheiro destacou que
o Brasil precisa reduzir sua vulnerabilidade política e militar, com a
reconstrução de sua indústria de defesa, e, principalmente, após a entrada
do país no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Sobre a
pressão dos Estados Unidos para que o Irã não desenvolva seu programa
nuclear, o ministro denunciou a manipulação ideológica através de teorias,
criadas por universidades e organismos internacionais, que distorcem a
realidade para impor seus interesses.
“Essas
teorias foram tão reprisadas que alguns anos atrás nos convencemos de que o
Iraque tinha armas de destruição em massa”. “Acreditamos nisso e isso levou
à invasão de um país e a sua destruição. Como foi possível gerar a
interpretação de uma situação política que levou a consequências tão
extraordinárias?”, indagou Pinheiro. “Quem sabe não estamos diante de uma
outra formulação desse tipo, que se articula gradualmente?”, alertou. |