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O
terrorismo da mídia contra Cuba
ALTAMIRO BORGES
A “greve de fome” e
a morte de Orlando Zapata desencadearam uma nova onda midiática contra Cuba.
Jornalões decadentes e poderosas redes de televisão dos EUA e da Europa
deflagraram a ofensiva e logo foram seguidos servilmente pelos barões da mídia
colonizada do Brasil. Quase todos os dias, Estadão, Folha e Globo lotam páginas
para satanizar o regime cubano, tentando fazer a cabeça dos tais “formadores de
opinião”. Já as emissoras de televisão, em especial a TV Globo, massificam o
terrorismo midiático para milhões de inocentes telespectadores.
A hipocrisia da
mídia é repugnante. Ela tem o cinismo de transformar um deliquente comum em
preso político. Zapata, o novo herói do imperialismo e da mídia, nunca sequer
figurou na lista de “prisioneiros de consciência” do Conselho de Direitos
Humanos da ONU, sempre tão rigoroso contra Cuba. Seus problemas com a justiça
cubana eram antigos e sua folha corrida era imensa: “violação de domícilio”
(1993), “lesões menos graves”, “furto”, “porte de arma branca”, “fratura do
crânio de uma vítima com uso de machado” (2000) e “perturbação da ordem pública”
(2002).
“Milagrosa metamorfose” de Zapata
Apesar dos crimes
comuns, a justiça cubana ainda permitiu que Zapata fosse libertado sob fiança em
março de 2003. Poucos meses depois, ele cometeria novos crimes, sendo detido e
condenado a três anos de prisão. Mas a sentença foi dilatada devido à péssima
conduta na cadeia. Foi neste período que o delinqüente comum foi abordado pela
chamada “dissidência cubana”, financiada pelo Departamento de Estado dos EUA e
pelas fundações de fachada da CIA.
Como relata o
sociólogo Atílio Borón, “é neste marco que se produz sua milagrosa metamorfose:
o meliante repetidamente encarcerado por cometer numerosos delitos comuns se
converte em um ardente cidadão que decide consagrar sua vida à promoção da
‘liberdade’ e da ‘democracia’ em Cuba. Espertamente recrutado por setores da
‘dissidência política’ cubana, sempre desejosa de conta com um mártir em suas
esquálidas fileiras, impulsionaram-o irresponsavelmente e com total desprezo
pela sua pessoa a levar adiante uma greve de fome até o final”.
Mentiras sobre
presos e torturados
A sua lamentável morte, ocorrida apesar dos esforços dos médicos cubanos para
evitá-la, deu a senha para a nova ofensiva midiática contra a ilha rebelde. A
desinformação é total. Fala-se em milhares de presos políticos e torturados em
Cuba. Pura mentira. Até suspeitas ONGs de direitos humanos reconhecem que há
“menos de 50 prisioneiros de consciência” no país – bem menos do que os 7.500 da
Colômbia, que a mídia omite. Elas também nunca registraram casos de torturas em
Cuba – a não ser na base militar dos EUA em Guantánamo, famosa por suas
barbáries.
Além disso, a
maioria dos “presos políticos cubanos” tem notórios vínculos com o imperialismo,
recebe dólares da CIA e freqüenta assiduamente o Escritório de Interesses dos
EUA em Havana. Em qualquer outro país, eles seriam condenados por alta traição.
O Código Penal dos EUA, por exemplo, prevê pena de 20 anos para que proponha a
derrubada do governo constitucional; de 10 anos de prisão para quem emita
“falsas declarações com o objetivo de atentar contra os interesses da nação”; e
de três anos para quem “mantenha relação com governos estrangeiros”.
O
medo da revolução cubana
O veneno midiático
contra Cuba, inclusive o destilado pela colonizada mídia nativa, tem vários
motivos. Ela não tolera que esta ilha rebelde resista a 50 anos de criminiso
bloqueio econômico, que já resultou em bilhões de prejuízos ao povo cubano. Ela
não compreende porque mais de 640 tentativas de assassinato do líder da
revolução, Fidel Castro, tenham falhado. Ela quer apagar os exemplos cubanos,
que ainda animam as lutas de povos de vários países com as suas avançadas
políticas sociais, sua heróica defesa da soberania nacional e sua solidariedade
internacionalista.
Em síntese, como
aponta Azaela Robles num didático artigo no sítio Rebelión, a mídia burguesa não
aceita as conquistas da revolução cubana. “No autoproclamado ‘mundo livre’ (o
mundo que sofre no sistema capitalista), a cada sete segundos uma criança de
menos de dez anos morre de fome. Nenhuma delas é cubana. Segundo a FAO, 842
milhões de pessoas sofrem de desnutrição crônica. Nenhuma delas é cubana. No
‘mundo livre’, 200 milhões de crianças vivem e dormem nas ruas. Nehuma delas é
cubana… Anualmente, quase dois milhões de jovens morrem no mundo somente por
falta de água potável e saneameno básico. Nenhum morre em Cuba por esta causa”.
Manifesto “em defesa de Cuba”
Diante deste brutal
terrorismo midiático, os movimentos sociais e as forças progressistas devem
erguer a sua voz em defesa da soberania cubana e contra os novos intentos
desastabilizadores do imperialismo. Como afirma o manifesto “Em defesa de Cuba”,
assinado por intelectuais, artistas e lutadores sociais que integram a Rede
Mundial em Defesa da Humanidade (RDH), é urgente se contrapor a esta nova
ofensiva do imperialismo e de sua mídia venal.
“Pretender
justificar a intromissão nos assuntos políticos internos do povo cubano
manipulando midiaticamente o caso Orlando Zapata – deliquente comum e não um
preso político – coincide com as políticas contra-insurgentes que se aplicam na
América Latina para deter os processos de transformação emancipadora em curso na
região… Ela se soma ao criminoso bloqueio imposto ao povo cubano pelo simples
fato dele não aceitar imposições e defender o direito a decidir seu destino com
dignidade e independência”, afirma o manifesto, que continua aberto às adesões.
Matéria orignialmewnte
publicada no Blog do Miro |