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A mídia e
as suas damas contra Cuba
*JOÃO
FELÍCIO E ROSANE BERTOTTI
Na ânsia por virar a página da pré-história da
Humanidade, há homens e mulheres que têm se dedicado a fortalecer os laços
de solidariedade, coletivismo, justiça e amizade, dando o melhor de si para
construir relações mais harmoniosas de convivência entre países e povos.
Na linha de frente dessa caminhada, há um país e
um povo que têm se esmerado por fazer valer este compromisso, conduzindo a
bandeira da liberdade, da igualdade e da fraternidade com invulgar
determinação. Em que pesem as tremendas atrocidades a que ambos – país e
povo - vêm sendo vitimados pela – ainda - principal potência do planeta e
seu bloqueio criminoso, Cuba exibe as mais altas taxas de educação, saúde e
segurança pública do planeta.
Desde a revolução de 1º de janeiro de 1959, o
povo cubano tem dado mostras de sua lealdade aos princípios, de sua inflexão
frente à injustiça e de seu compromisso com a verdade. O que não quer dizer,
obviamente, infalibilidade nem algo que se aproxime de uma “sociedade
perfeita”. Como toda obra humana, a revolução cubana tem suas imperfeições e
são os próprios cubanos, na busca incessante pela superação, os mais
críticos e auto-críticos.
Para não nos estender, lembramos dos milhares de
cubanos que entregaram generosamente sua vida no combate ao apartheid,
lutando ombro a ombro com as tropas angolanas contra os racistas
sul-africanos; dos milhares de médicos que, superando os profissionais das
próprias Nações Unidas, brindam generosamente seu apoio em todos os rincões
do planeta, inclusive no Brasil; do atendimento gratuito a dezenas de
milhares de vítimas da tragédia de Chernobyl; dos professores que ajudaram a
fazer da Bolívia e da Venezuela, assim como a própria Ilha Caribenha,
territórios livres do analfabetismo; sem falar nas dezenas de milhares de
alunos que acolhem dos países mais pobres da América – inclusive dos
próprios EUA – que se formaram nas universidades cubanas em medicina e
outras profissões essenciais para a defesa da vida.
A mesma mídia que desconhece tais feitos de um
processo tão generoso, agora tem a pretensão de transformar o boato em fato
ao promover criminosos comuns a presos políticos. Sem medidas para o seu
achincalhe, os donos dos meios de comunicação utilizam-se da própria figura
heróica das Mães da Praça de Maio, que combateram o bom combate contra a
ditadura argentina, para, através das “Damas de Branco”, fazer um arremedo
de “lutadoras pela liberdade”. Sem o menor descaramento, tais figuras,
comprovadamente a soldo de governos estrangeiros, vêm sendo patrocinadas
diretamente pela embaixada norte-americana, que tem inclusive participado
com pessoal diplomático de tais ações de solidariedade aos seus agentes. A
despeito de toda essa ajuda imperialista e de jornalistas-satélites, essa
“oposição” não consegue reunir sequer mais que uma dezena em suas
manifestações públicas.
No território cubano não existem presos
políticos, torturas nem assassinatos, pois foi contra esta barbárie que a
revolução se fez e consolidou. Os que existem e eles são muitos, estão todos
localizados na Base de Guantánamo, ocupada militarmente há mais de um século
pelo governo dos Estados Unidos. Alguns dos instrumentos utilizados nas
masmorras para o escárnio podem ser vistos no Museu da Revolução, em Havana,
que os exibe como prova de um tempo que não voltará, jamais. Assim como os
mendigos pertencem a um lugar do passado, os milhões de cubanos só tomaram
conhecimento de tamanhas atrocidades pelos livros didáticos.
Em Cuba, evidentemente, existem problemas, mas
não estão no terreno dos direitos humanos, nem da tão propalada – e tão
pouca praticada nos nossos países - liberdade de expressão. A chiadeira dos
donos da mídia no Brasil contra a Conferência Nacional de Comunicação é
prova disso.
Mas voltando à Ilha, é bom lembrar o grande
poeta e herói da independência de Cuba, José Martí: “Os homens não podem ser
mais perfeitos que o sol. O sol queima com a mesma luz que esquenta. O sol
tem manchas. Os ingratos não falam mais que das manchas. Os agradecidos
falam da luz”.
*Secretário
de Relações Internacionais da CUT, e Secretária Nacional de Comunicação |