Sobre tucanos, nazis - e algo de bom em Hannah Arendt (3)

Continuação da edição anterior 

A privatização do Estado, o “estatal mas não público”, sob suas diversas modalidades, é uma tragédia para o país - e, evidentemente, para as pessoas que formam o país. O Estado - sua ação, inclusive produtiva – é a única barreira possível ao assalto monopolista, sobretudo externo, não somente sobre os trabalhadores, mas sobre os empresários nacionais, principalmente os não-monopolistas - embora, até mesmo os grupos brasileiros com vocação monopolista não fiquem indenes diante dos grandes monopólios industrial -financeiros imperialistas. Tanto isso é verdade que eles só conseguem sustentar a sua vocação monopolista nos cofres do BNDES, isto é, do Estado 

CARLOS LOPES 

A importância política do debate sobre a questão do que é - e do que não é - público reside na metamorfose ideológica que apontamos anteriormente: a maneira de tornar “não-público”, isto é, privado - ou, melhor, privatizado - o que é público, o que é estatal, nos últimos tempos, frequentemente, tem sido a de propalar a recíproca: “o que é público não necessita ser estatal”.

Não há exemplo mais claro disso em nosso país - mais claro até do que os escândalos do governo Fernando Henrique - do que a administração impressa nos últimos anos ao Estado de São Paulo, que costumava, com toda razão, ser chamado de “o Estado mais rico da federação”. Exatamente para que aquilo que é estatal deixe de ser público, declara-se que aquilo que é público não precisa ser estatal - com funestas consequências para a população e para a economia paulista. Na verdade, uma afirmação equivale, precisamente, a outra.

Naturalmente, um governo, diante de determinadas circunstâncias, ou seja, diante de uma determinada correlação das forças políticas ou situação econômica, poderá optar pela concessão de um determinado setor público ao empreendimento privado. Será uma questão de avaliar, num momento dado, e provisoriamente, o custo e o benefício a curto prazo. Porém, mesmo isso terá repercussão a longo prazo - isto é, do ponto de vista estratégico - e não somente sobre o setor público, mas também sobre os negócios legitimamente privados, vale dizer, aqueles que têm mais interesse para o país, por serem mais importantes para o desenvolvimento e a independência econômica.

Mas não é circunstancial, ou uma questão de custo/benefício, a privatização tucana. Se fosse, nem as distribuidoras de energia, nem a Companhia Vale do Rio Doce teriam sido privatizadas. Pagar (com dinheiro do BNDES, que não foi ressarcido, de forma alguma, até 2003) para que a AES Corporation levasse a Eletropaulo não é exatamente um benefício. Estrangular a Telebrás para que a Telefónica tomasse a Telesp, e a Worldcom, uma falida companhia norte-americana, e depois a AT&T/Telmex, tomassem a Embratel, também não.

É esta a questão prática que está implícita ou subjacente em termos pseudo-teóricos - numa palavra, ideológicos - tão constantemente assacados na mídia como “esfera pública” ou “espaço público”. 

TRADUÇÃO 

Hannah Arendt apresentou ao público o seu “espaço público” quatro anos antes de Habermas - que reconheceu sua dívida para com ela - aparecer com a sua “esfera pública”. O tradutor brasileiro de Arendt, compreensivelmente, preferiu igualar os dois - usa sempre a expressão “esfera pública”, ao invés de, como a autora havia usado, “espaço” ou “área” (“Raum”, em alemão; ou, na edição norte-americana, “realm” - “reino”, “domínio” ou “setor”). Devemos convir que isso facilita as coisas e até mesmo tem um efeito elucidativo: tudo são “esferas”; existe uma “esfera privada”, uma “esfera pública”, uma “esfera política” (que, às vezes, é a mesma coisa que a “esfera pública” e outras vezes não é, ou não parece ser), uma “esfera social” e até uma “esfera administrativa” - em suma, tantas “esferas” quantas se quiser, ou quantas a autora quiser. E quando uma dessas “esferas” é inflada, as outras, ou uma delas, ou algumas (também depende da vontade da autora) são desinfladas, como se a sociedade não existisse em vários níveis, mas apenas num único. Em suma, trata-se de uma sociedade - em qualquer época - tão unidimensional quanto as supercordas hoje em moda na física. Mas estas, até o momento, ainda são imaginárias. Aliás, a sociedade de Arendt, também.

Arendt tem a vantagem, sobre Habermas, de escrever melhor, mais claramente. Mas, talvez, naquela época, isso não fosse uma vantagem. No frigir dos ovos, era mesmo uma desvantagem - pois é impossível, quando se fala ou se escreve claramente, dar aparência progressista a uma fantasia reacionária. 

APARÊNCIAS 

Mas ao que corresponde a “esfera pública” ou “espaço público”? Meramente a um mundo de aparências: “Para nós, a aparência (...) constitui a realidade” (pág. 59). Algumas páginas depois: “... a nossa percepção da realidade depende totalmente da aparência, e portanto da existência de uma esfera pública” (Hannah Arendt, “A Condição Humana”, trad. Roberto Raposo, Forense, 10ª edição, 2007, pág. 61 - grifos nossos).

A percepção da realidade não depende totalmente da aparência, porque é evidente que um selvagem e um homem culto percebem a realidade de forma diferente. A percepção é o resultado dos sentidos, mas os sentidos humanos também têm uma história. Porém, a questão decisiva não é a simples percepção da realidade, ainda que esta seja diferente para diferentes estágios do desenvolvimento humano. A questão decisiva é o conhecimento da realidade, isto é, a essência e não a aparência dela.

Arendt considera aqui somente a percepção da aparência, e omite o conhecimento da essência, não por uma questão de princípio filosófico, análogo àquele - defendido e desrespeitado por ela de acordo com as conveniências - de que os textos têm de ser considerados literalmente. Ela considera somente a percepção e omite o conhecimento porque isso deixaria a sua “esfera pública” imediatamente sem gás: toda ela é recheada pela concepção de que não existe uma verdade comum a todos os seres humanos (“Ser visto e ouvido por outros é importante pelo fato de que todos veem e ouvem de ângulos diferentes. É este o significado da vida pública” - pág. 67). Por isso, não somente a violência, mas o conflito, estão ausentes da sua “esfera pública”: “a esfera pública, enquanto mundo comum, reúne-nos na companhia uns dos outros e contudo evita que colidamos uns com os outros, por assim dizer” (pág. 62).

Evitando comentários sobre essa dialética do “por assim dizer”, o que salta aos olhos (já que estamos falando em percepção) é que não há algo mais distante da política do que essa “esfera pública”, apesar de Arendt utilizar a palavra “política” verdadeiramente a torto e a direito. Se o leitor lembra de ter ouvido algo semelhante ao trecho que acabamos de citar, lhe será fácil notar o parentesco com certa ideia capenga de “diversidade” que circula em alguns meios. Mas Arendt prefere outro termo: “pluralidade”.

Para que serve essa “esfera pública”? Para uns ouvirem e verem outros, sem nunca chegar a nenhuma concordância sobre nada, portanto, sem nunca se unirem para um objetivo comum. Mais parece - e, no fundo, é isso mesmo - um festival de ONGs de todos os setores possíveis. Naturalmente, essa “esfera pública” nada tem a ver com o Estado, com o poder real. O que é mais claro ainda em outra ficção sobre os gregos antigos: “A igualdade [na antiga Grécia] longe de ser relacionada com a justiça, como nos tempos modernos, era a própria essência da liberdade; ser livre significava ser isento da desigualdade presente no ato de comandar, e mover-se numa esfera onde não existiam governo nem governados” (op. cit., pág. 42 - grifo nosso).

Sócrates, que foi obrigado a beber cicuta pela “esfera pública” dos gregos, sabe o quanto era assim naqueles tempos... Infelizmente ele não está em condições de dar o seu depoimento pessoal sobre o idílio que eram as reuniões na Ágora de Atenas, com cada um tolerando a diversidade, perdão, “pluralidade” do outro. Mas há o relato de Platão - no entanto, não vimos a correção que certamente Arendt fez nos autos do processo de Sócrates.

Assim, a “esfera pública” nada tem a ver com a luta pelo poder (isto é, a política). Existe no livro, antes que se monte uma falsa polêmica sobre o que acabamos de dizer, a afirmação de que “é o poder que mantém a existência da esfera pública”, mas, além do mistério que é o significado de “manter a existência”, esse poder não é o que as pessoas comuns chamam de poder, isto é, poder de Estado, e, sim, “o espaço potencial da aparência entre homens que agem e falam. (...) O poder é sempre um potencial de poder” (pág. 212 - grifo nosso). De onde se conclui que qualquer “aparência” tem chance de ser um “poder”, uma vez que este é sempre potencial, isto é, nunca se torna real.

E, na verdade, a “esfera pública” de Arendt também nada tem a ver com a ação, apesar de elevá-la à categoria distintiva da espécie humana. Examinaremos depois esta questão. Aqui, o que importa é que ação implica em luta, contradição, e, mesmo, em antagonismo - bem sabiam os gregos antigos verdadeiros, de quem nós herdamos a palavra “antagonismo”.

Sendo assim, não é surpreendente que o mundo de aparências que Arendt chama de “espaço público” não tenha substância. Nada une aqueles indivíduos, exceto a infinita paciência de ouvir suas diferenças sem jamais dirimi-las. Daí, o amor entre os seres humanos é expulso dessa “esfera”, como sentimento que não só é exclusivamente privado, mas que “morre ou, antes, se extingue assim que é trazido a público. (...) o amor só pode falsificar-se e perverter-se quando utilizado para fins políticos, como a transformação ou salvação do mundo” (op. cit., pág. 61 - grifo nosso).

Se o amor “só pode falsificar-se e perverter-se quando utilizado para fins políticos, como a transformação ou salvação do mundo”, supõe-se que a política seja eternamente, e por definição, o reino do egoísmo, da ganância, do pisar-o-pescoço dos outros, uma reserva de mercado para os achacadores, os parasitas, em suma, os mercenários e os monopolistas. Portanto, o mundo não tem salvação, nem pode ser transformado. Sintomaticamente, segundo Arendt, o amor na política - isto é, a luta de seres humanos movidos, como disse o Che, por “grandes sentimentos de amor” - só pode ser uma “utilização”.

[Estamos fazendo um especial esforço para não entrar em certos detalhes - nem tão detalhes assim, pois as repercussões políticas são mais do que conhecidas - da vida de Arendt, em particular seu relacionamento pessoal com Heidegger. Mas que às vezes é difícil, lá isso é. Existe a possibilidade de que ela, neste trecho, esteja apenas tornando “questão filosófica” algo que é um problema privado seu. Mas isso seria muito pior para ela do que a interpretação que consideramos acima.]

Mas não há problema algum na despolitização completa da “esfera pública”, pois os seres que por lá deambulam já têm todos os seus problemas resolvidos. Portanto, não precisam do poder para que a vida seja melhor - na verdade, a vida deles já é a melhor possível, porque já estão no poder. Por isso, todos que se reúnem na Ágora são “iguais”, apesar dos 400 mil escravos que, dizem, existiam na Atenas de Péricles, pois só os senhores de escravos podem lá se reunir; do mesmo modo, na Ágora não existe “governo nem governados”, pois só os que governam se reúnem lá.

Se é assim, a “ação” na “esfera pública” é meramente retórica, limitando-se à audição e contemplação de diferenças. O resto já foi resolvido - ou não são um problema - para os participantes desse colóquio.

O leitor poderia arguir: mas isso, certa ou errada, Arendt acha da antiga Grécia; e sobre a sociedade de hoje, ela acha a mesma coisa?

Entre imprecações contra a “sociedade de massas”, que estaria acabando com a “esfera pública” (graças aos céus, isto é, às “massas”), na atual sociedade, segundo Arendt, “a contradição entre o privado e o público, típica dos estágios iniciais da era moderna, foi um fenômeno temporário que trouxe a completa extinção da própria diferença entre as esferas privada e pública, a submersão de ambas na esfera do social. (...) a esfera pública (...) se tornou função da esfera privada, e a esfera privada (...) se tornou a única preocupação comum que sobreviveu” (pág. 79).

Podemos resumir as considerações sobre a “submersão na esfera do social”, pois essa despolitização do político (desculpem, leitores, mais essa expressão algo barroca) é por conta de Arendt, não por conta da realidade. Além disso, uma vez que estamos falando de sociedades - seja a nossa ou a dos gregos antigos - o que é “social”, ainda que não apareça com esse nome, se expressa de tal ou qual jeito: política, social, econômica e culturalmente. Por isso, os latinos não viram problemas em traduzir a definição do homem como “zoon politikon”, de Aristóteles, pela expressão “sociale animal”, ou seja, “animal social”, o que, segundo Arendt, seria um “profundo erro de interpretação” (op. cit., pág. 36 - nos parece algo incrível que Arendt resolva deblaterar contra uma tradução que é costumeira desde o ano 56 D.C., como se nos 1.900 anos que se passaram entre a obra de Sêneca onde - ao que sabemos - essa tradução apareceu pela primeira vez, e o seu livro, ninguém tivesse estudado grego antigo e, especialmente, Aristóteles - e sem nem mesmo perguntar-se qual o motivo do suposto “erro de interpretação”. Mas assim é, caro leitor).

Porém, continuando: o que Arendt chama de “esfera privada” é, exatamente, o reino da propriedade. A “esfera pública” só admite a propriedade na medida em que, hoje em dia, “a esfera pública se tornou função da esfera privada” e “a esfera privada se tornou a única preocupação comum”. A questão é: para quem a “esfera privada” se tornou a “única preocupação comum”? Certamente não para aqueles que foram excluídos, pela própria Arendt, da “esfera privada”, pois não possuem nada ou não possuem o suficiente para ficarem tão preocupados.

Logo, essa “esfera pública”, na atualidade, como também no passado, tem como forma de existência uma utópica igualdade entre os proprietários, e não quaisquer proprietários, mas entre aqueles que, em conjunto, teriam se saciado com o monopólio da propriedade, e, portanto, não teriam razão para “colidir uns com os outros”. Trata-se de uma idealização da casta economicamente dominante nos EUA, assim como ela idealiza a “esfera pública” dos senhores de escravos na antiga Hélade. Para essa nova idealização, ela tomou até mesmo a providência de excluir os “estágios iniciais da era moderna” - isto é, o capitalismo de livre-concorrência. Somente sobraram os monopolistas, a cúpula do capital financeiro, a acrópole (?) do capital imperialista. Que isso nunca tenha existido, nem seja possível entre os Rockefellers, Morgans e Dupont (aliás, entre eles é que não é mesmo possível), que esse pessoal prefira, ao invés de ficar ouvindo a “pluralidade” dos outros, cortar o pescoço do próximo para ganhar um pouco mais que uns trocados - ou até uns trocados, como o velho Rockefeller, que cobrava a comida dos convidados a jantar em sua casa - não é problema que tenha afligido essa ilustre “teórica política”. 

CONFORTO 

O fundador da HORA DO POVO, Cláudio Campos, disse uma vez que a única propriedade que o povo tem é exatamente a propriedade pública.

Se isso é verdade para a maioria esmagadora das pessoas, também, embora de outra maneira, é verdade para aqueles que são empresários nacionais em um país como o Brasil. Sem a propriedade pública eles, rapidamente, perderão a sua propriedade privada. Não precisamos prová-lo através de argumentação lógica: foi exatamente isso o que ocorreu durante todo o governo Fernando Henrique Cardoso.

Por isso, a privatização do Estado, o “estatal mas não público”, sob suas diversas modalidades, é uma tragédia tão grande para o país - e, evidentemente, para as pessoas que formam o país. O Estado - sua ação, inclusive produtiva - é a única barreira possível ao assalto monopolista, sobretudo externo, não somente sobre os trabalhadores, mas sobre os empresários nacionais, principalmente os não-monopolistas - embora, até mesmo os grupos brasileiros com vocação monopolista não fiquem indenes diante dos grandes monopólios industrial-financeiros imperialistas. Tanto isso é verdade que eles só conseguem sustentar a sua vocação monopolista nos cofres do BNDES, isto é, do Estado.

A adesão de Arendt a essa máfia norte-americana, muito pior do que aquela que declara o seu nome, foi completa na década de 50. Daí a sua colaboração com a CIA, que se estendeu pela década de 60 - e temos razões, como o leitor verá, para duvidar que algum dia tenha se encerrado completamente, apesar de sua oposição à guerra no Vietnã. (cf. Frances Stonor Saunders, “Quem pagou a conta? - A CIA na guerra fria da cultura”, Record, 2008, págs. 129, 373, 444, 445).

Ela, que sempre afetou desapego por bens materiais, parecia especialmente fascinada com os confortos que esse esquema lhe proporcionava. O resto, conferências, discursos, revistas e outras criações originadas em Langley, na Virginia, ela achava “insípido”, “tedioso”,  etc., o que era verdade, mas nem por isso ela deixava de comparecer. Hospedada na Villa Serbelloni, um palacete renascentista usado pela CIA à beira do lago de Como, na Itália, de propriedade da Fundação Rockefeller, Arendt escreveu à sua amiga Mary McCarthy: “A sensação é de estar subitamente hospedada numa espécie de Versalhes. O lugar tem 53 criados, incluindo os homens que tomam conta dos jardins. Os funcionários são chefiados por uma espécie de maître, que data dos tempos da ‘principessa’ e tem as feições e os modos de um fidalgo da Florença quatrocentista” (Saunders, pág. 373). A “principessa” mencionada é a ex-proprietária da Villa, princesa della Torre e Tasso - que não era uma princesa italiana legítima, mas a milionária americana Ella Walker.

O extraordinário é a data dessa carta: 22 de agosto de 1972, apenas três anos antes da morte de Arendt e cinco anos depois da revista “Ramparts” e em seguida o “The New York Times” publicarem detalhes do esquema “cultural” da CIA - e de Hannah Arendt garantir, em declaração na “Partisan Review”, assinada com 16 outros intelectuais, que nada sabia do dinheiro da agência e que era contra o “subsídio” (sic) porque “a subvenção regular pela CIA só pode desacreditar, intelectual e moralmente, tais publicações e organizações”.

Em 1996, quando Frances Stonor Saunders perguntou a Thomas Braden, ex-chefe da Divisão de Organizações Internacionais (IOD) - o departamento da CIA encarregado de “operações encobertas” com entidades e ONGs - se aqueles que assinaram a declaração da “Partisan Review” sabiam que a CIA estava por trás daquelas benesses, ele “soltou uma gargalhada [e] simplesmente disse: ‘É claro que eles sabiam’” (Saunders, pág. 445).

No caso de Arendt, sabe-se que em 1952 - um ano após a publicação de “As Origens do Totalitarismo” - ela trabalhava com o IRD (Information Research Department - a seção do serviço secreto inglês encarregada de fabricar e plantar notícias em jornais e revistas. V. nosso artigo “Os censos da URSS e a fraude do holocausto ucraniano - parte 3).

No dia 27 de junho de 1952, um agente inglês relatou por escrito a um colega norte-americano que conversara “longamente com Hannah Arendt e a apresentei a um ou dois de nossos especialistas do Ministério das Relações Exteriores, e em consequência disso venho lhe fornecendo muito material de consulta de que ela necessita para seu novo livro” (Saunders, pág. 129).

A função do IRD era falsificar material contra a URSS e os comunistas - o que incluía todo aquele que não rezasse por essa cartilha, até mesmo, por exemplo, Jean Paul Sartre.

Teremos que deixar outra vez para a próxima a (mais ou menos) feliz conclusão deste artigo. Jornal é assim mesmo, leitor. Não se escreve sempre o que se quer. É preciso também caber na página.

  Continua na próxima edição.


Primeira Página

 

Página 2

Banda larga só para rico: “Receita injetada na veia”, defende a Vivo

PNBL desenvolverá a indústria nacional

Projeto tucano passa a fiscalização às próprias teles

Anatel quer entregar MMDS aos estrangeiros

EUA oferecem “bondades” ao Brasil para mascarar dumping

Brasil e Bolívia ampliam cooperação

Corte indiscriminado de água, luz, gás e telefone está com os dias contados

Expediente

Página 3

Dilma: “As inesquecíveis palavras de Tancredo devem nos inspirar”

Para Renan, “modelo de partilha é mais adequado, justo e patriótico”

Simon questiona emenda de Alves que devolve em petróleo às múltis valores pagos em royalties

Ministro esclarece à oposição: ‘Não é proibido enriquecer urânio’

UGT apoia campanha dos EUA contra Cuba

FH consegue ingresso para ato de lançamento de Serra em Brasília

Ciro diz que sua candidatura é ‘um grande momento para o PSB’

Página 4

Rio começa a receber doações às vítimas dos deslizamentos

Chuva mata 153 pessoas e deixa milhares desabrigados no Estado

“O impossível não existe”, diz Lula aos ganhadores da Olimpíada de Matemática

Em São Paulo, guindaste cai em obra do Metrô e trem da CPTM sai do trilho

Cartas

Página 5

Apeoesp: “Mobilização continua até a abertura de negociação”

 

Líderes do Governo apoiam aumento para aposentados: inflação mais 80% do PIB

 

Metalúrgicos da Gerdau iniciam campanha por jornada reduzida

 

Campanha salarial na CSN irá defender 10% de aumento real

 

Servidores da Saúde de SP farão série de manifestações em defesa de reajuste salarial

 

A mídia e as suas damas contra Cuba

Página 6

Invasor patina e Hamid Karzai ameaça juntar-se aos talibans

“Antes de tudo serás julgado por trazer tropas estrangeiras para nosso país”

Levante depõe presidente do Quirguistão

Com dotação do Pentágono 140 vezes maior, EUA se dizem ‘preocupados’ com Venezuela

Evo celebra vitória em apoio às mudanças na Bolívia

Aumento de oferta afasta riscos ao sistema elétrico da Venezuela, afirma ministro    

Página 7

Obama prega diplomacia nuclear contra a Coreia Popular e o Irã

Foreign Policy ironiza “Relações Públicas Nucleares” de Obama

Europa: bombas atômicas dos EUA, go home!

Presidente da Ucrânia extingue a comissão interministerial pró-Otan

O trabalho da Fundação Aristide no Haiti

Desemprego aumenta entre veteranos de guerra nos EUA

Coreia Popular firma acordos com Índia, Gâmbia, Senegal e Gabão

Turquia contesta caminho das sanções contra o Irã

Página 8

Sobre tucanos, nazis - e algo de bom em Hannah Arendt (3)

 

Leia

Dilma dá partida na campanha pedindo bênção a Tancredo
Vox Populi desvenda a fraude da Folha: Dilma é que subiu 4 pontos
Lula destaca a integridade de Dilma e Serra diz que sabe tudo de teatro
“Folha” faz campanha antecipada estufando Serra 10 pontos no Sul
“Quem faz campanha antecipada são só os tablóides de sempre”
Serra declara que não dialoga com professor porque ‘greve é de 1%
Rio enterra nas ruas a tramoia de deputados para assaltar royalties
Pesquisas indicam que Dilma começou a ultrapassar Serra

EUA faz cena para o Brasil fugir do dever de administrar-lhe as sanções da OMC

O pré-sal é nosso! Leilão é privatização!
Lula adverte Hillary a não tratar o Irã como Bush tratou o Iraque
Para Ciro, a queda de Serra diminui o risco de retrocesso
Casta que controla Conselho quer ONU esvaziada, diz Lula

“Continuar o projeto de Lula é a razão da minha candidatura”

Arruda e mais cinco da quadrilha passam o carnaval na cadeia
Congresso dá apoio a Lula para prosseguir as obras da Petrobrás
Teles recuam e dizem que plano para ativar a Telebrás ‘é bacana’
Americanos dizem que iam vender as crianças haitianas  a famílias piedosas
Pesquisa “Sensus” dá empate técnico entre Dilma e Serra
Plano propõe reativar Telebrás para superar crise da banda larga
Acordo com ONU veta interferência dos EUA na segurança do Haiti

Máfia de Arruda não tem isenção para julgar o seu chefe, conclui TJ

EUA invadem o Haiti e dificultam chegada a ajuda humanitária

Brasil lidera ação de solidariedade ao povo haitiano

Máfia do panetone protela julgamento com assalto à CPI
Papai Noel do STJ suspende ações contra Daniel Dantas

Serra pediu à Globo para aliviar Arruda

Discurso de Obama no Nobel da Paz fala 42 vezes em guerra

Governador ladrão lança a cavalaria contra estudantes

Sedex com dinheiro para Arruda veio de fornecedor de Serra
Quem tem Yeda, não pode falar do Arruda, diz o Dem a tucanos

Arruda esclarece: a propina era para comprar panetone 

Invasão do Brasil pelo dólar virtual passa de 17 bilhões em outubro

Antilulismo de Serra leva sua candidatura a cair mais 8 pontos

Tucanos passaram a amigos fiscalização da obra do rodoanel

Desabamento do rodoanel é a cara do governo Serra

Atribuir apagão a “fator climático” é lero de tucano
EUA deflagra guerra cambial e Fazenda hesita em ir à luta
Investimento frio da Telefónica no Brasil agita a Bolsa de NY

Aécio põe namorada a nocaute com murro no meio da festa VIP

Democratas vetam a entrada de Serra em seu programa na TV

SPC apura sumiço de meio bilhão do fundo de pensão da Sabesp
Parasitismo de teles pôs na ordem do dia a volta da Telebrás
Telefónica ganha de Serra isenção fiscal para fraudar usuário
“PMDB pode assumir de público que tem a vice”, afirma Berzoini
Oposição sem voto quer mudar quorum para lei do pré-sal

Usuário perde as estribeiras com a ferrovia privatizada no Rio de Janeiro

Yes, we créu!

Golpista relaxa toque de recolher mas lota prisões em Honduras

Congresso pede o fim do estado de sítio em Honduras
ONU e OEA apoiam Lula: Zelaya deve voltar de imediato para a presidência

Zelaya volta e instala QG da legalidade na Embaixada do Brasil

Ipea acha cedo para considerar que a economia já se recuperou

Juro e BNDES mantêm o crescimento do PIB negativo no semestre

Telefónica deixa SP sem comunicação no meio do temporal

Lula convoca Brasil a deixar maus tempos da lei 9478 para trás

Mídia golpista tira a máscara e advoga o pré-sal para as múltis
Projeto para o pré-sal abre perspectiva para o retorno da lei 2004
Anatel libera Speedy sem que Telefónica conserte os defeitos
Trapaça para isentar teles de pagar multa abre crise na Anatel
Conselho remete as ações contra Sarney para o arquivo morto
Teles, Anatel e STJ se acertam para assaltar usuário com tarifa de DDD em ligação local
Anatel protela decisão sobre superintendente que as teles guiavam

Conselheiro denuncia lobby na Anatel para aliviar multa de teles

Sarney diz à oposição que está pronto para a paz ou para a guerra
Nova base dos EUA na Colômbia tem raio de ação para alcançar a metade do continente
Mídia inventa risco para facilitar múltis mamarem o pré-sal
Operários jogam pela janela privatizador de siderúrgica na China
Justiça bloqueia 27 fazendas de réu que Gilmar mandou soltar

Gato comeu 2 bi que AES e Duke estavam obrigadas a investir em energia até 2008

Montadora pré-falida arma com Yeda para tomar 1 bi do BNDES
Sarney anula os 663 atos secretos e exige devolução do que foi pago indevidamente
“Privatização que deu certo” cria milhões de usuários desplugados

Tropelias do BC e BNDES arruinaram PIB de 2009

OEA dá 72 horas a golpistas para que devolvam o poder a Zelaya

Dilma ultrapassa Serra no Nordeste, informam as pesquisas do Dem

BNDES desvia grana do crescimento para monopólios na UTI

Mídia golpista degola seus cupinchas para atear fogo no Senado

320 parlamentares lançam a Frente em Defesa da Petrobrás

“O pré-sal é nosso!”, entidades convocam ato dia 19 na Paulista

Sem priorizar mercado interno e as empresas nacionais não há meio de esconjurar a crise

Múltis intensificam lobby para assumir controle do pré-sal 

BC pôs Brasil na rota do tsunami elevando o juro relativo para atrair capital externo

GM já era

CPI da Petrobrás deve deixar tucanos fora da presidência e relatoria

Tucanos prosseguem com CPI sabotagem do governo FH contra Petrobrás, diz Aepet

O que o Brasil quer é saber como tucanos afundaram a maior plataforma do mundo

Múltis adquirem 30 calabares no Senado para zoar Petrobrás

União jogaria dinheiro fora se deixasse múlti faturar com o pré-sal

Para Gilmar Mendes, STF tem que se lixar para a voz do povo
Múltis querem mamar petróleo que Petrobrás descobriu no “pré-sal”

“Para quem no começo falava menas laranja é chique demais”

Bank of America e Citibank estão de pires na mão

PF indicia Dantas em cinco artigos do Código Penal

‘V. Exa. não está falando com os seus capangas do Mato Grosso’

Lula reduz o superávit primário e libera mais R$ 38 bi para investir

“País deve se basear na força do mercado interno”, afirma Lula

Empresas nacionais repelem portaria que estimula importação de máquinas usadas

BC usa “previsões” para frear queda da taxa básica de juros

Revolta contra os cupins financeiros conflagra Londres

Centrais querem mais emprego e menos juro para impedir tsunami de invadir nossa praia

Remessas ao exterior mantêm a escalada e vão a US$ 2,6 bilhões

Bancos propõem corte na renda da caderneta de poupança em prol do achaque ao Erário

Múltis drenam do país US$ 3,266 bilhões só em dez dias de março

Vale demite, reduz salários e distribui R$ 5 bi a acionistas

Sob pressão, BC recua juro outro pontinho e meio

Aumento do IDE agrava sangria de recursos do Brasil para fora

Desnacionalização e gestão temerária sufocam a Embraer

Solução para a Embraer é voltar a ser do Estado

Febraban diz que reduz spread se a União pagar conta de inadimplentes

“Decisão do governo é não emprestar a quem desemprega”, diz Lula

Lula: “Eles cultivam o ódio dos de cima contra os de baixo” 

BC assalta 80 bi das reservas para ajudar bancos em Wall Street

Juros e pilantragem de múltis fazem produção industrial encolher 19%

Repatriamento de capital por múltis ameaça as contas externas do Brasil

Juro alto do BC é o fundamento do spread aloprado

Conselheiros do CDES pedem a antecipação da reunião do Copom

Meirelles recua debaixo de vara e reduz os juros em um pontinho

Centrais fecham com Lula ofensiva contra os juros, demissões e redução dos salários

Fiesp abre guerra contra os salários dos trabalhadores

BB paga R$ 4 bilhões para Votorantim ficar com o controle do BV

Juros e alarmismo midiático freiam a produção industrial

 Israel testa Obama com chacina contra palestinos em Gaza

Para Lula, juros têm que cair no começo de 2009

Para nababos da Vale, povo duro é a melhor receita contra a crise

“Toma o beijo da despedida, seu cachorro!”

Meirelles afronta o Brasil e não reduz taxa de juros para jogar país na crise

Alencar mantém BC sob pressão: “esses juros são anomalia”

Lula a Meirelles: “juro está além daquilo que o bom senso indica”

Montadoras almoçam os R$ 8 bi do crédito e mantêm ameaça de demitir trabalhadores

Meirelles diz que não aceita baixar juro para priorizar crescimento

Juro alto dissipa 29% da renda disponível no país, afirma Ipea

Procurador avalia que há provas para Daniel Dantas pegar um ano a mais que Al Capone

“Gasto público que precisa ser cortado é o juro”, diz Ipea

Meirelles quer que Brasil traia o compromisso com G-20 sobre redução do juro

China põe R$ 1 trilhão na infra-estrutura para crescer 9% em 2009

EUA responde à crise votando em massa na mudança

Fusão de Unibanco com Itaú torna mais anti-social sistema financeiro privado

Banqueiros põem o compulsório no bolso e dão uma banana ao crédito

Greve da Polícia Civil cresce e responde a Serra nas ruas de SP

Eleições em S. Paulo opõem integridade de Marta à dissimulação indecorosa de Kassab

Governador trai promessa e dá ordem para PM atacar policiais

Marta sobe porque é Lula. Kassab cai porque é oposição

Retratação de Gabeira reafirma preconceito contra “suburbanos”

Inauguração da P-51 é resposta do Brasil à crise

Eleições dão vitória aos aliados de Lula em todas as regiões

Lula pede a S. Paulo que vote em Marta: “temos as mesmas idéias e projetos”

Veto popular assusta republicanos e trava bailout de US$ 700 bi a especulador falido

Economia na mão de especuladores levou EUA à crise, diz Lula

Para Serra, Kassab é leal. Alckmin, não

Lula mobiliza PF para fechar nossa fronteira a terroristas da Bolívia

Kassab usa Ama para passar verba pública aos grupos privados

Com inflação em queda, BC eleva juro para afundar o Brasil em 2009

Comando do Exército desmente Jobim: “a maleta da Abin não serve para escutas”

Maleta não faz grampo, apenas a varredura, diz técnico da Abin

Quadrilha pró-Dantas acusa Abin de gravar seu truta no Supremo

Trabalhadores se unem e dão apoio unânime à Marta

China desbanca EUA da liderança olímpica

Tucanos vão ao STF para derrubar o piso salarial de professor

Magistrados armam barraco no Supremo

Lula convoca UNE a deflagrar campanha do ‘Pré-sal é Nosso!’

Kassab responsabiliza Alckmin por atrofia do Metrô-SP e vice-versa

BC faz do Brasil último peru com farofa em mesa de especulador, diz Delfim Netto

Alckmin tira o corpo fora e põe na conta de Serra o desastre da Linha 4 do Metrô

BC manipula previsão de crescimento para forçá-lo a despencar