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Israelense é presa por revelar “planos
militares secretos” para assassinar líderes palestinos
A
jornalista israelense, Anat Kam, de 23 anos, está detida em prisão
domiciliar desde dezembro por haver entregue a um jornalista do Haaretz
documentos do exército de Israel com planos de assassinato de lídres
palestinos.
Ela trabalhava como secretária de um militar graduado quando teve acesso às
informações e as reproduziu em disquete para depois “avisar dos crimes de
guerra”.
Apesar de que a ação de Anat defende uma decisão da Corte Suprema de Israel
que, depois de muita pressão e repúdio internacional, decidiu proibir as
execuções, ela pode ser condenada por esta mesma Corte à prisão perpétua.
Para poder julgá-la, o juiz Zeev Hammer se omite do mérito do material que
foi revelado pela jornalista e a promotoria a acusa de “espionagem” e de
“haver vazado documentos secretos sensíveis do exército com a finalidade de
minar a segurança do Estado”. Hammer declarou que Anat “desrespeitou o
caráter secreto dos documentos”.
Em Novembro de 2008, com base nas informações de Anat, o repórter Uri Blau,
informou ao jornal Haaretz de que o exército de Israel estava perpetrando
assassinatos de militantes palestinos na Cisjordânia em contravenção com a
determinação da Corte Suprema orientando que os mesmos, no caso de qualquer
ação que se suponha ilegal devem ser presos e levados a julgamento.
Por ter concordado em receber e guardar o material reunido por Anat o
jornalista Uri Blau – considerado o principal redator do Haaretz – que
denunciou o caso da unidade de atiradores que festejou a sua formação com a
impressão de camisetas nas quais o desenho era uma luneta de fuzil mirando
uma mulher grávida e em outras uma criança.
De acordo com Blau, o próprio Chefe do Estado Maior, Gabi Ashkenazi, o mesmo
que comandou o massacre em Gaza, aprovou as execuções.
Anat declarou em sua primeira audiência que “a remoção de material militar
foi para revelar certos aspectos da conduta do exército na Cisjordânia que
entendi que era de interesse público”.
“O material também serviria para, quando os crimes que estão sendo cometidos
na Cisjordânia estiverem sendo investigados, então eu teria evidências a
apresentar”, declarou Anat.
Declarou ainda que não achava que estaria colocando o país em risco pois “o
foco do jornalista que recebeu o material eram os princípios e políticas que
estão por trás das decisões da alta oficialidade”.
Referindo-se à possibilidade dela ser presa por roubo, Anat declarou: “Penso
que no tested a História, pessoas que avisam de crimes de guerra são
perdoadas”.
Para mim era importante trazer ao conhecimento do público a política do
exército. Não tive a oportunidade de mudar coisas que achava importante
durante o meu serviço militar e pensei que expondo este material poderia
provocar alguma mudança”. |