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Kim Il Sung: “a resolução pacífica da
questão nuclear
depende apenas dos EUA”
Em 1994, três meses antes de completar sua vida, o fundador da República
Popular Democrática da Coreia, Kim Il Sung – que teve os 98 anos de seu
nascimento comemorado pelo povo coreano no último dia 15 - fez uma profunda
observação. Na época, a Coreia não possuía armas nucleares, e, como os
demais povos do mundo, preferia não tê-las. Porém, diz Kim Il Sung, a
resolução pacífica da questão nuclear “depende inteiramente da posição dos
Estados Unidos”, pois a Coreia não aceitaria ficar à mercê da coação e
chantagem nucleares dos EUA – com suas ogivas e mísseis, instalados no sul
da península coreana, apontados contra a RPDC. “A pressão”, e se trata de
pressão nuclear, “nunca pode fornecer uma solução para o problema”, diz o
líder coreano. E, realmente, ela só pode obrigar a que, para não serem
submetidos ou esmagados, os países alvo dessa pressão tenham que desenvolver
meios para se defenderem, obtendo capacidade de resposta suficiente para
dissuadir os agressores.
A seguir, trechos da entrevista de Kim Il Sung em 13 de abril de 1994.
Respostas às perguntas do diretor geral da agência informativa Prensa
Latina
Agradeço-lhe o cumprimento pelo meu aniversário e saúdo sua visita ao
nosso país. Antes de responder às suas perguntas, gostaria de lhe desejar
novos sucessos em suas justas atividades jornalísticas.
Pergunta – Ultimamente os Estados Unidos e as autoridades da Coreia
do Sul têm piorado a situação na região, alegando que a República Popular
Democrática da Coreia possui instalações capazes de produzir armas
nucleares. Qual é a posição de seu país sobre isso?
Resposta – Com a nossa própria força e tecnologia construímos
instalações nucleares com o objetivo de reforçar a base energética do país,
e nossos esforços nesta esfera são, em todos os casos, de caráter pacífico.
Em várias ocasiões temos declarado que não temos nem intenção nem capacidade
para explorar armas nucleares. Não necessitamos produzi-las, e ainda quando
fabriquemos uma ou duas isso não terá nenhum sentido. O Governo de nossa
república invariavelmente se esforça pela desnuclearização da Península
Coreana.
O problema nuclear da Península surgiu com a introdução de armas nucleares
pelos Estados Unidos no Sul da Coreia. Os EUA as instalaram em grande número
para manter sob seu controle essa parte do país – que é um importante ponto
estratégico - com o objetivo de enfrentar a nossa República e desenvolver
sua estratégia agressiva para a Ásia e o Pacífico.
Os Estados Unidos já não têm justificação para continuar mantendo ali suas
armas nucleares e tropas agressoras, na medida em que nesses anos chegou ao
fim a guerra fria à escala mundial, e entre o Norte e o Sul da Coreia foram
adotados o Acordo de Não Agressão e a Declaração Conjunta da
Desnuclearização da Península. Por isso, com o objetivo de buscar outro
pretexto para não perder o controle sobre a Coreia do Sul e esmagar a nossa
República, os EUA propagaram a infundada “suspeita nuclear”, com o que
agravam intencionalmente a situação da Península Coreana. As autoridades
sul-coreanas uniram-se a esse escarcéu nuclear e atuam freneticamente para
provocar uma nova guerra.
O problema nuclear na Península Coreana originou-se na política hostil dos
Estados Unidos em relação ao nosso país e, portanto, deve-se resolver
através de negociações entre eles e nós. Os Estados Unidos também o
reconheceram e no ano passado acederam a negociar conosco. A declaração
conjunta, acertada e publicada por ambas as partes após as conversações,
expressa que os EUA renunciarão a nos ameaçar com armas nucleares,
respeitarão nossa soberania sem imiscuir-se em nossos assuntos, e apoiarão a
reunificação pacífica da Coreia. Entretanto, obstinam-se em suas patranhas
contra nossa República. Tergiversaram o que foi acordado conosco e levaram
as conversações à ruptura, piorando em extremo a situação de nosso país,
mobilizando inclusive organismos internacionais para nos pressionar.
A pressão nunca pode fornecer uma solução para o problema. Estão equivocados
se pensam que com a pressão e a coação podem pôr de joelhos a nosso povo,
que considera sua vida inseparável da independência. Se obstinadamente
insistem com a pressão contra nossa república, seremos obrigados a tomar uma
medida correspondente, de autodefesa para salvaguardar a dignidade e
soberania da nação.
Nossa invariável posição é resolver o problema nuclear da Península Coreana
através do diálogo. Se os Estados Unidos realmente desejam solucioná-lo,
deverão acabar com a escandalosa pressão internacional contra a nossa
República e assumir uma atitude honesta nas conversações com a Coreia.
Resolver pela via pacífica ou não este problema depende inteiramente da
posição dos Estados Unidos. Os organismos internacionais não deveriam
acompanhar a injusta exigência dessa potência, mas, mantendo o princípio da
justiça e a equidade, deveriam atuar a favor da solução do problema nuclear
da Península Coreana.
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