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Encontro de
trabalhadores rurais debate mecanização e condições de trabalho
Mais de 140 lideranças rurais do Estado de São
Paulo se reuniram em Capivari, nos dias 16 e 17 de abril, para o II Encontro
dos Trabalhadores Rurais do Estado de São Paulo, organizado pela Central
Geral dos Trabalhadores do Brasil - Regional São Paulo (CGTB-SP), e pela
Federação dos Trabalhadores e Empregados Rurais na Agricultura do Estado de
São Paulo (Fetragro-SP).
O encontro reuniu especialistas na área para
debater questões referentes às condições de trabalho no corte da cana,
salário, mecanização na agricultura, desnacionalização do setor
sucroalcooleiro, e projeto nacional desenvolvimentista.
“Percorremos as regiões, fizemos contatos com os
sindicatos, levantamos os anseios e expectativas dos trabalhadores, e vemos
a acolhida que esse trabalho está tendo em Brasília, nos ministérios da
Agricultura e do Trabalho”, afirmou o presidente da CGTB-SP, Paulo Sabóia.
“Temos uma importante batalha pra enfrentar. Assim como fazem com o pré-sal,
estão tentando se apropriar da nossa riqueza que é o etanol. As
multinacionais estão comprando nossas usinas para exportar nossa energia”.
“Estamos na hora de avançar. Não é possível
termos um Brasil desenvolvido com o trabalhador rural marginalizado. É
preciso ter melhoria nos salários, nas condições de trabalho, distribuição
de renda”, ressaltou Sabóia.
O encontro, que reuniu durante dois dias
sindicatos rurais de diversos municípios do Estado, entre eles, São Carlos,
Tupã, Piracicaba, Junqueirópolis, Flórida Paulista, Valparaíso e Quintana,
foi realizado no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Capivari, presidido
por Antônio Bom. No evento também foi realizada a posse da diretoria do
Sindicato de Capivari, reelegendo Antônio Bom para presidente da entidade. A
posse contou com a presença do prefeito de Capivari, Luis Donisete Campaci.
Durante o encontro, o presidente da Fetragro-SP,
Paulo Oyamada, ressaltou que uma das principais preocupações no setor é a
queima da cana e a mecanização do corte. “Estamos buscando apoio. Vamos
junto para buscar uma alternativa para que não haja desemprego”, afirmou. O
tema também foi debatido pelo palestrante José Avelino Chinelo. O
pesquisador da Embrapa, José Maria Ferraz, explanou sobre os problemas do
setor, como o aumento da entrada do capital externo na compra de empresas
nacionais no setor do etanol, e a exploração do trabalhador. “São 15 anos de
vida útil. Isso não é emprego. Além disso, 23,4% dos trabalhadores não são
alfabetizados”, denunciou José Ferraz.
O tema Projeto Nacional Desenvolvimentista foi
apresentado por Lindolfo dos Santos Neto, químico e diretor nacional da CGTB.
O coordenador do Ministério da Agricultura, Sérgio Luiz Beraldo, apresentou
o tema Profissionalização e Capacitação no Cooperativismo. A secretária
nacional do Departamento de Mulheres da CGTB, Aparecida Malavazi, explanou
sobre a mulher rural no mercado de trabalho e seus direitos. |