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Revisão nuclear dos EUA ameaça segurança
mundial
A revisão da doutrina nuclear dos EUA anunciada por Obama é uma grande
ameaça ao mundo. Sob o pretexto do “combate ao terrorismo nuclear” tem como
foco mais imediato o Irã para impedir que o país asiático exerça seu
legítimo direito de enriquecer urânio para fins pacíficos, produzir energia,
já que o petróleo é uma riqueza finita.
Essa doutrina “revisada” consegue ser ainda mais reacionária e agressiva que
o antigo projeto “guerra nas estrelas” de Reagan e dos Bush, pois é o
reflexo na escala internacional da famigerada lei antiterrorismo do pós 11
de setembro, os “atos patrióticos” que acabaram com as liberdades
individuais, pedra de toque da “democracia americana”. Os “atos patrióticos”
permitem que o presidente dos EUA, ou quem ele delegar esse poder, suprima
todas as garantias individuais do cidadão e quaisquer direitos humanos na
hora em que quiser. Como uma ditadura. Por esta doutrina “revisada” Obama
pode apertar o botão nuclear quando bem entender, sempre no combate ao vago
“terrorismo nuclear”.
Robert Gates, secretário da Defesa do governo americano, em documento
“secreto” encaminhado ao presidente Obama e publicado pela imprensa do país,
sugere alternativas de como tratar o Irã e conter seu programa nuclear que
os EUA “suspeitam ter fins militares”.
Não sem razão o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad afirmou que “Barak
Obama fala a linguagem das bombas e das balas”. Afinal, como disse Obama já
em seu discurso de posse, é preciso manter a “liderança” dos EUA no mundo.
A crise em que os monopólios meteram os EUA não se resolve tão rápido e cria
problemas para o exercício dessa liderança mundial, para a manutenção dos
lucros desses monopólios.
Para o governo americano o crescimento da China torna-se cada vez mais
preocupante por um lado, por outro, as medidas internas tomadas por Obama
para reverter a crise não tem sido suficientes. Daí a necessidade de ameaçar
a comunidade internacional, de tentar se impor no grito.
Ao contrário do que afirmou durante toda a campanha eleitoral, e para a
felicidade dos monopólios bélicos, Obama não retirou as tropas do Iraque e
dobrou os efetivos militares no Afeganistão - duas guerras em que mais de
300 mil pessoas já morreram.
Também não fechou a prisão de Guantánamo incrustada em território cubano e
desencadeou mentirosa campanha contra Cuba por questões dos direitos
humanos.
Internamente, Obama conseguiu apenas aprovar no Congresso uma precária lei
para fiscalizar e regulamentar as seguradoras de planos de saúde e que
obriga toda a população a comprar um. Saúde pública não existe. A população
americana continua sem ter direito à saúde e não tardará em perceber que
Obama retrocede e a abandona ao submeter-se aos grandes interesses do
“establishment” que há muito controla os governos dos EUA.
No sábado, 17, na abertura de uma conferência sobre a não proliferação de
armas nucleares em Teerã, o presidente iraniano propôs a criação de um órgão
internacional independente com plenos poderes conferidos pela assembléia
geral da ONU, encarregado de supervisionar o desarmamento dos países que
possuem armas atômicas. Ele propôs ainda que os países que têm armas
nucleares, os que usaram armas nucleares e os que ameaçam usá-las sejam
excluídos da AIEA – Agência Internacional de Energia Atômica, em particular
os EUA.
De acordo com Ahmadinejad “uma revisão do Tratado de Não Proliferação de
Armas Nucleares deve ser feita por países independentes e que não possuam
armas nucleares, e que a presença de países que possuem armas atômicas, em
especial dos EUA, impede a realização do tratado”.
A Conferência reuniu chefes da diplomacia da Síria, Líbano, Iraque, Oman,
Armênia, Turcomenistão, República Centro-Africana, Suíça, os vice-ministros
da Rússia, Qatar e Emirados Árabes Unidos além de um representante do
Ministério das Relações Exteriores da China, representantes da AIEA, da
Organização da Conferência Islâmica – OCI e da ONU.
O aiatolá Ali Khamenei em mensagem à conferência declarou que “O islã proíbe
a utilização de armas nucleares. Só o governo norte-americano cometeu crime
nuclear. O único criminoso atômico do mundo mente ao apresentar-se a si
próprio como opositor à proliferação nuclear e não tomou medida séria alguma
sobre a questão”.
Em entrevista ao Jornal espanhol El País no dia 12, sobre a desativação de
algumas ogivas nucleares assumida por EUA e Rússia, o presidente Lula foi
categórico: “Desativar o quê? Porque se estamos falando de desativar o que
já estava vencido não faz sentido”. Ou falamos seriamente sobre desarmamento
ou não podemos admitir que haja um grupo de países armados até os dentes e
outros desarmados”, ressaltou Lula. “O Paquistão tem bomba atômica, Israel
também. É compreensível que quem se sente pressionado por essa situação
possa pensar em fazer a sua”, acrescentou, preocupado com as crescentes
ameaças dos EUA contra o Irã levarem o país a ter de fortalecer seu poder
dissuasório da guerra. Lula defende o diálogo com o Irã e que os países
detentores de armas atômicas acabem totalmente com seus arsenais nucleares.
A posição brasileira pelo diálogo com o Irã e contra as sanções propostas
pelos EUA foi compartilhada por Índia e China em recente reunião dos BRICS
em Brasília, como informou o chanceler Celso Amorim.
ROSANITA CAMPOS
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