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Governo paraguaio decreta ‘exceção’ em 5
Estados para combater bandoleiros do EPP
O
presidente para-guaio, Fernando Lugo, afirmou que o estado de exceção em
cinco departamentos (equivalentes a nossos Estados) do país, aprovado na
última semana pelo Parlamento, durará 30 dias e permitirá aos militares
participar de ações de combate a grupos de bandoleiros a serviço de setores
anti-nacionais a quem são atribuídos pelo menos seis assassinatos. O bando
se autodenomina Exército do Povo Paraguaio (EPP).
No dia 26,
dois guarda-costas morreram e o senador paraguaio da base de apoio do
governo, Roberto Acevedo, ficou gravemente ferido em um atentado perpetrado
na cidade de Pedro Juan Caballero, dentro do estado de exceção. O senador em
várias oportunidades fez denúncias contra os grupos do narcotráfico.
O estado
de exceção foi instaurado no sábado, após a promulgação do Executivo. Dos
cinco departamentos — Conce-pción, San Pedro, Amam-bay, Presidente Hayes e
Alto Paraguai —, somente Presidente Hayes não faz fronteira com o Brasil.
Lugo pediu que fosse compreendido “com clareza que se deseja instalar um
clima de segurança” e anunciou que nos governos das cinco regiões serão
instalados “escritórios de direitos humanos para prevenir que se cometam
abusos”. “Para o governo, o propósito desta medida é que os militares tenham
um marco legal para apoiar os esforços da Policia Nacional em matéria de
segurança interna”.
Garantiu
que enquanto durar o estado de exceção nos cinco departamentos não serão
limitados direitos como os de reunião e manifestação. O estopim da crise foi
o seqüestro do fazendeiro de Concepción, Fidel Zava-la, o mesmo departamento
onde foram mortos três peões e um policial. O cativeiro de Zavala durou mais
de três meses e o apoio das organizações sociais impediu que os setores mais
reacionários paralisassem o governo.
Os cinco
departamentos que ficarão sob estado de exceção são os mesmos em que ocorrem
os conflitos camponeses. O peso político de Lugo se forjou ali, entre as
lutas pela terra e as denúncias contra o mono-cultivo da soja e a penetração
dos capitais estrangeiros. Os bandoleiros, que “se apresentam como grupos
que se identificam com a população, incentivam a tensão já que as propostas
que o presidente têm encaminhado supõem uma mudança em relação ao sistema
neoliberal e elas são rechaçadas pelo Legislativo onde Lugo não tem a
maioria”, disse Camilo Marchetti, do partido Movimento ao Socialismo.
Exemplos são a lei agrária, o aumento do gasto social ou a reti-rada das
tropas americanas.
Recentemente o senado paraguaio tentou destituir o ministro de Defesa,
Bareiro Spaini. Bareiro deu sustentação a Lugo quando este pediu a saída das
tropas militares dos EUA do Paraguai, criticou os Estados Unidos por violar
a soberania paraguaia, metendo-se nos assuntos internos do país através da
atuação de Liliana Ayalde, embaixadora dos EUA no país. “Não podemos atender
a solicitação de manter tropas norte-americanas. A decisão da UNASUL, que
nós apoiamos, determinou que não serão instaladas bases no continente. E
nosso país deve cumprir com ela”, assinalou Lugo em resposta às pressões
para alocar tropas na Tríplice Fronteira.
50 mil se
reuniram em Assunção no dia 20, numa resposta popular às tentativas da
direita de desestabilizar o governo Lugo e retomar o poder de forma
golpista. |