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As mulheres na Coreia Popular
Demonstrando forte machismo em matéria sobre a Coreia Democrática publicada
recentemente num jornal paulista o autor chama, pejorativamente, uma
funcionária do Estado - responsável pela condução do trânsito em Pyongyang -
de “mulher semáforo”, tentando ridicularizá-la e à sua profissão, apesar
delas “chamarem a atenção pela beleza e pela roupa bem cortada”.
Conduzir o trânsito para os coreanos é um trabalho digno, útil aos cidadãos,
à cidade. É valorizado como todo e qualquer trabalho de que a coletividade
necessita. Para os coreanos o trabalho digno dignifica o trabalhador. É o
trabalho que um irmão, ou irmã, faz para atender às necessidades de um ou
mais irmãos, de uma ou mais irmãs.
Entre outros absurdos o jornalista fala de machismo na Coreia e até de uma
suposta proibição das mulheres andarem de bicicleta, coisa de quem pouco ou
nada sabe sobre o país, de quem não entende a lógica de uma sociedade que
valoriza acima de tudo o ser humano, o trabalho e os trabalhadores – homens
e mulheres.
Anda de bicicleta na Coreia quem quiser. Anda-se muito à pé na Coreia porque
o trabalho é perto de casa, a escola é perto de casa, os teatros, estádios e
clubes desportivos são perto de casa ou nos locais de trabalho.
A primeira lei proclamada na nascente República Popular Democrática da
Coreia pelo Presidente Kim Il Sung após a derrota dos japoneses foi a lei da
Igualdade de Direitos entre Homens e Mulheres. Em pouco tempo a etiqueta
feudal opressora foi superada pela intensa presença feminina em todos os
aspectos da vida do país.
Um povo que sofreu a humilhação de ter milhões de mães, filhas e irmãs
estupradas e prostituídas pelos invasores como escravas sexuais sabe cuidar
de suas mulheres.
Após a devastação promovida pelos bombardeios norte-americanos as mulheres,
heroínas na guerra, cumpriram papel destacado em todo o processo de
reconstrução nacional. Problemas existem e em todos os lugares há o que
avançar, mas lá elas conquistaram mais direitos e avançaram mais que as
mulheres em muitos países ditos desenvolvidos.
Na Coreia as mulheres são livres. Elas atuam na política, comandam
indústrias, fazendas agrícolas, integram o parlamento, o Exército, as
milícias e as universidades. São operárias e camponesas, pesquisadoras,
educadoras e cientistas; são professoras, arquitetas, são artistas e estão
entre os melhores profissionais da saúde, vanguardas no processo de
intelectualização de toda a sociedade.
Elas não apenas conduzem carros, bicicletas e o trânsito. Elas conduzem
tratores, aviões e trens. Elas são valentes defensoras da soberania da
Coreia, da política de Songun, do socialismo ao estilo coreano que
escolheram como o melhor para si e o país.
Kim Jong Suk, mãe do Presidente Kim Jong Il, heroína da guerra de libertação
contra o colonialismo japonês foi chefe de segurança do comando da
guerrilha, foi a primeira mulher general do Exército de Libertação, foi
paraquedista na década de 40 e gostava de pilotar avião de vez em quando. As
mulheres coreanas a seguem como exemplo.
“Ativistas”, citados pela matéria com má fé, mentem quando afirmam que
“mulher é proibida de usar calça comprida”. Elas as usam bastante, mas
preferem o traje coreano tradicional que é belíssimo, muito elegante e
confeccionado com lindos bordados e com tecidos fabricados no próprio país
em fábricas das quais também são condutoras. Diga-se de passagem, durante a
luta para expulsar o Japão era um tanto difícil no inverno nevado do Monte
Bektu as mulheres guerrilheiras não usarem calças compridas para se
protegerem do intenso frio, isso na década de 1920, 1930, 1940! E entre 1950
e 1953, período da inacabada Guerra da Coreia que mantém a península coreana
em trégua sob grande tensão. Os EUA até hoje se recusam a assinar a paz
definitiva para acabar de vez com a guerra como propõe a Coreia Democrática.
Há poucos dias noticiamos aqui no HP as comemorações nesse ano na Coreia dos
30 anos da lei de saúde pública e gratuita para todos os cidadãos. Lá quem
cuida da saúde do povo é o Estado e ninguém paga nada por isso. O Estado não
interfere no planejamento das famílias e todo casal é livre para decidir
quantos filhos quer ter. A maternidade é considerada função social e as
crianças são o centro da vida do país.
Não há falta de creches e escolas de excelente qualidade. As mulheres
dispõem de todos os equipamentos sociais para se libertarem das tarefas
domésticas.
Quanto ao fumo, na Coreia não existe a histeria antitabagista como a
promovida pelo governador de São Paulo que proíbe mulheres, e também homens,
de fumarem em ambiente privado. Lá está em curso há muitos anos um processo
educativo e de persuasão bem mais eficiente. Ninguém é estimulado a fumar e
ninguém precisa ser proibido de fumar a menos que esteja em locais públicos
fechados. E isso vale para todos, não apenas para as mulheres.
Com uma frota de carros particulares relativamente pequena, se comparada com
a dos grandes países capitalistas, a Coreia prioriza o transporte público
para atender a toda a população. Ônibus trens e metrô cortam Pyongyang de
norte a sul, de leste a oeste. Servem igualmente a todos a um preço
simbólico, quase gratuitamente.
Estações de trens e de metrô são finamente decoradas com obras de arte de
artistas locais, tudo feito no capricho, com muito carinho, com muita
beleza, pois é para a utilização e usufruto do povo.
A arte aí cumprindo a sua função mais nobre.
Arte livre. Feita para o povo. Alegrando o povo. Refletindo, expressando o
povo, sua vida, seus sentimentos, sua história, sua cultura 5 vezes milenar.
O protagonismo do povo, na exata acepção da palavra, com a participação
efetiva das mulheres. Eis o que é real na Coreia Democrática, eis o que os
monopólios de mídia e seus vassalos não conseguem aceitar. Inutilmente.
ROSANITA CAMPOS
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