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Tropas da Holanda deixam o Afeganistão
após quatro anos
As tropas
holandesas que apoiavam a ocupação norte-americana no Afeganistão iniciaram a
sua retirada do país, no último domingo, dia 1º. Com o fim do prazo estipulado
inicialmente, os cerca de 2 mil soldados holandeses deixam de fazer parte do
contingente invasor, mesmo sob grande pressão dos EUA sobre o governo holandês
pela permanência.
A Otan havia
solicitado à Holanda uma extensão de sua operação no Afeganistão, o que tinha o
apoio do então primeiro-ministro, o democrata-cristão Jan Peter Balkenende, mas
não dos trabalhistas, que no momento eram a segunda força política do país.
A operação
holandesa no Afeganistão, que começou em 1º de agosto de 2006, custou cerca de
229 milhões de euros, segundo a ANP. Durante os quatro anos de missão, morreram
24 soldados do país, enquanto cerca de 140 ficaram feridos.
Os talibãs
felicitaram a Holanda pela retirada de seus militares do Afeganistão, segundo
informou o jornal holandês Volkskrant, que publicou uma entrevista com um
porta-voz talibã.
“De todo
coração, queremos felicitar os cidadãos e o governo da Holanda pela coragem que
teve de tomar essa decisão independente”, declarou Qari Yusuf Ahmadij,
apresentado como o porta-voz dos talibãs para o oeste e o sul do Afeganistão.
“Esperamos que os demais países que têm soldados no Afeganistão sigam o exemplo
dos holandeses, e retirem suas tropas”, acrescentou.
A pressão
norte-americana pela manutenção no Afeganistão das tropas holandesas além da
data estipulada provocou a queda do governo holandês em 20 de fevereiro passado.
Os
trabalhistas (PvdA), que faziam parte da coalizão de governo e se opuseram à
continuidade da permanência holandesa em solo afegão, “tomaram uma das decisões
mais importantes jamais tomadas pelo governo holandês”, considerou Qari Yusuf
Ahmadij durante a entrevista.
“Uma vez mais
pedimos aos países europeus que têm militares no Afeganistão que abandonem o
país. Essa guerra não é de vocês, e sim dos Estados Unidos, que buscam alcançar
seu objetivos imperialistas no mundo e principalmente nesta região”,
acrescentou. |