Dilma vence Serra por 41,6% a 31,6%, diz
Instituto Sensus
Vantagem da candidata subiu de 2 para 10 pontos desde a pesquisa realizada
em maio
A pesquisa Sensus, encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes
(CNT) e divulgada na última quinta-feira (5), indica que a candidata a
presidente pela coligação “Para o Brasil Seguir Mudando”, Dilma Rousseff,
abriu 10 pontos de vantagem sobre o tucano José Serra. O levantamento mostra
Dilma com 41,6% das intenções de voto, contra 31,6% de Serra. Marina, do PV,
aparece com 9%, e os candidatos dos demais partidos somados, têm 5%.
A vantagem de Dilma passou de dois pontos para 10 pontos, desde a última
pesquisa de maio.
Dilma vence no Nordeste por 58% a 21%. No Sul, no Sudeste e no
Norte/Centro-Oeste, Dilma cresce e já há empate técnico no sul. Nas zonas
rurais, a vantagem de Dilma chega a 24 pontos (51% a 27%). Nas áreas
urbanas, a diferença pró-Dilma é de 8 pontos (40% a 32%). Ela lidera no
eleitorado masculino (46% a 31%) e já passou Serra também entre as mulheres
(38% a 32%). Em eventual segundo turno Dilma vence Serra por 48,3% a 36,6%.
Na simulação ela subiu 6 pontos desde maio e Serra caiu 4. Em pesquisa
espontânea (em que eleitores não vêm a lista de candidatos), Dilma chega a
30,4%, e Serra fica com 20,2%.
Diretores do Sensus e do Vox Populi avaliam que Dilma Rousseff pode liquidar
a fatura da eleição presidencial já no primeiro turno. Perguntados sobre
essa hipótese pelo colunista da CartaCapital, Mauricio Dias, os presidentes
dos institutos responderam afirmativamente. Ricardo Guedes, do Sensus,
avaliou que Dilma tem 48,5% dos votos válidos, portanto está muito próxima
dos 50% mais um dos votos necessários para ganhar no primeiro turno. João
Francisco Meira, do Vox Populi, enumerou ainda outros fatores que favorecem
a vitória da candidata: a satisfação da sociedade com a situação econômica,
a satisfação com o governo e a admiração por Lula.
Já o Ibope, apesar de não poder mais sustentar o seu forçado “empate
técnico” de antes, voltou a roubar votos de Dilma. O instituto “vendeu”, na
pesquisa divulgada sexta-feira (6), um resultado menor para Dilma. A
vantagem de cinco pontos percentuais obtida por ela na pesquisa anterior foi
mantida por Montenegro. Ele bem que tentou emplacar, junto com o Datafolha,
um empate, mas não conseguiu sustentar. Agora o que ele tenta fazer é
segurar a disparada de Dilma. Mesmo assim vazou outro levantamento, feito
por encomenda da Rede RBS, do Rio Grande do Sul, onde Dilma já ultrapassou
Serra até mesmo naquela região, considerada favorável ao tucano.
Ela teve 42% dos votos ante 40% de Serra. No último levantamento, no início
de julho, o tucano tinha 46% e a petista, 37%. Na espontânea, Dilma vence
Serra com 33% dos votos a 31%. Pela mesma pesquisa Ibope/RBS Dilma cresce
também em Santa Catarina, até ontem considerado outro reduto de Serra. A
diferença caiu de 16 para 11 pontos na pesquisa estimulada (45 a 34) e na
espontânea eles já estão empatados tecnicamente (Serra 28, Dilma 24).
Na pesquisa Sensus, para desespero dos tucanos, o governo do presidente Lula
bateu novo recorde de aprovação. A avaliação positiva chegou a 77,5%, a
maior da série histórica desde julho de 2005. Em maio, o índice foi de
76,1%. De acordo com a pesquisa, Lula só recebe avaliação negativa de 14,4%
dos pesquisados, enquanto 4,6% dos entrevistados avaliaram negativamente seu
governo.
A variação da preferência entre Dilma e Serra acompanha o índice de
aprovação do presidente Lula dividido por regiões. Aprovado positivamente
por 77,5% do eleitorado, Lula é avaliado como ótimo por 51,6% da região
Nordeste. Lá. Dilma está bombando. No Norte e Centro-Oeste os resultados
foram: 38,4% para Dilma; 34,1% para Serra; e 8,9% para Marina. No sudeste,
Dilma e Serra têm empate técnico, apontados por 33,2% e 33,5% do eleitorado
respectivamente. Marina tem 10,2% das intenções de voto na região.
Quando os eleitores são divididos entre nível de escolaridade, Serra mantém
a liderança apenas na faixa de eleitores com nível superior completo. Ele é
apontado como preferido por 39,5% dos entrevistados, enquanto Dilma tem
33,9% das indicações, e Marina Silva 10,3%. Em todas as demais
classificações – nível primário, ginasial e colegial – Dilma está na frente,
tendo a maior vantagem entre os eleitores que concluíram apenas o nível
primário: 45% a 29,9% de Serra e 7,1% de Marina. Os entrevistados que
declararam receber menos de cinco salários mínimos deram preferência a Dilma.
A maior vantagem dela é na faixa que ganha até um salário: 48,6% da
preferência. Serra tem 27,1%.
Dilma tem 63,4% como limite de votos. Nesta opção, ela foi apontada como
única candidata para 34,6% e como candidata que “poderia votar” por outros
28,8%. A taxa de rejeição dela é de 25,3%. Em maio, Dilma tinha 60% de teto
de voto e 26,1% de rejeição. A maior taxa de rejeição é de José Serra:
30,8%. Em maio era de 29,5%. Em contrapartida o limite de votos dele, entre
os que o têm como único candidato ou possível candidato, é de 58,1%, contra
61,5% em maio. Marina Silva tem taxa de rejeição de 29,7%.
Dilma Rousseff é apontada como candidata de 41,6% dos entrevistados da
pesquisa, mas o número de eleitores que acreditam na vitória dela é maior:
47,1%. Serra, apontado como candidato de 31,6%, é citado como vitorioso por
apenas 30,3%. Marina deve ser eleita para 2,2% dos entrevistados. O
instituto ouviu 2 mil pessoas entre 31 de julho e 2 de agosto. A margem de
erro da pesquisa, registrada no TSE é de 2 pontos percentuais.
SÉRGIO CRUZ