“Vamos arregaçar as mangas por
Mercadante”, convoca Lula
Em Osasco, o presidente denunciou o abuso dos pedágios nas estradas
paulistas. “Isso é roubo”
Em
seu primeiro comício em São Paulo na atual campanha eleitoral, o presidente
Lula denunciou na noite da sexta-feira (20), em Osasco, os preços abusivos
dos pedágios nas estradas paulistas. “Se você, Mercadante, não tivesse outro
motivo para vencer essa eleição, eu vou te dar um. Nas estradas que nós
fizemos concessões para ir de São Paulo a Belo Horizonte, com 590 km, uma
pessoa, com seu carro e sua família, paga R$ 7,70 de pedágio. Na via
Anhanguera, para ir a Ribeirão Preto, pouco mais de 300 km, o pedágio é R$
43,00”, disse. “Qualquer um de vocês”, prosseguiu, “se quiserem ir agora na
festa do peão boiadeiro, lá em Barretos, vai pagar R$ 65,00 de pedágio”.
“Isso não é pedágio. Isso é roubo. É roubo ao povo brasileiro”, denunciou o
presidente.
Acompanhado dos principais integrantes da coligação “Para o Brasil Continuar
Mudando”, Lula disse que o governo tucano de São Paulo é “arrogante”. “Eles
recusaram-se a receber recursos federais para projetos sociais”. “Aqui, nem
o ProJovem eles fizeram porque tudo que era política social do governo
federal eles fingiam que não era com eles”, acusou. “A falta de humildade
deles faz com que não reconheçam sequer o dinheiro que nós mandamos para o
Estado de São Paulo”. “E aqui eu faço um desafio público. Eu duvido que o
teu adversário tenha recebido do presidente do partido dele, quando era
presidente da República, 50% do dinheiro que eu passei para os governadores
deles”, destacou o presidente, dirigindo-se à Dilma.
Lula afirmou que a partir de agora, a eleição de São Paulo será a prioridade
da base aliada. “Vamos eleger o Mercadante e promover as mudanças que São
Paulo tanto merece. A campanha está só começando. Temos todas as condições
de ganhar e vamos arregaçar as mangas. Vou fazer o que estiver ao meu
alcance para fazer o companheiro Aloizio governador de São Paulo”, disse
Lula, acrescentando que “não é bom que a campanha que começou há poucos dias
tenha gente falando que precisa ‘levar o Aloizio’ para o segundo turno”. “A
disputa é agora e temos que parar com essa história de achar que o outro já
está lá”, completou.
Mercadante iniciou o discurso agradecendo o depoimento que Lula gravou para
ele no horário eleitoral gratuito. “Fiquei muito honrado e muito grato com o
apoio que recebi. Quando o Lula diz, ‘confiem no Mercadante como confiam em
mim’, isso aumenta a minha responsabilidade. Ela é muito grande e vou saber
honrá-la”, disse. “A força da minha candidatura em São Paulo é a qualidade
do governo, que você e Dilma fizeram. São os 14 milhões de empregos, a
distribuição de renda, são as 25 milhões de pessoas que saíram da pobreza”,
disse Mercadante. “O que foi bom para o Brasil vai ser bom para São Paulo”.
“Por isso, presidente, nós vamos eleger a Dilma lá e eu vou entrar naquele
Palácio dos Bandeirantes”, garantiu.
“Aqui no nosso Estado, a única coisa em que o PSDB é rápido é em colocar
pedágio”, denunciou Mercadante. “A segunda questão é o transporte e o
trânsito na Grande São Paulo. São mais de três horas por dia longe da
família”, disse. O candidato afirmou ainda que há sérios problemas de
segurança pública e no ensino básico. “Quero pedir a confiança de vocês para
mudar essa situação. Podemos fazer muito mais e mais rápido. Eu quero ser o
governador que seja avaliado pela evolução da educação”, disse Mercadante.
Dilma denunciou a demagogia dos adversários. “O povo não é bobo. O povo sabe
quem faz e quem apenas promete em época de eleição”, disse Dilma. “O partido
do vice do meu adversário [o DEM] entrou no Supremo Tribunal para que
decretassem o Prouni ilegal. Será que eles podem olhar olho no olho do jovem
que quer seu diploma? Não pode, não”, afirmou. Ela pediu votos para
Mercadante. “Viemos pedir também que São Paulo dê essa oportunidade ao
Mercadante. Ele é um companheiro especial. Esteve com a gente em todos os
momentos do governo. Estamos aqui todos juntos para que elejam Mercadante
para que São Paulo tenha a mesma oportunidade que o Brasil teve de ser
transformado”.
Otimista com a vitória de Dilma já no primeiro turno, o prefeito de Osasco e
coordenador da campanha de Mercadante, Emídio de Souza, pediu que os
militantes elejam também o candidato a governador. “Para o serviço ser
completo, precisamos eleger o Mercadante”, disse. Em sua fala, Marta
Suplicy, candidata ao Senado, afirmou que quer ser o braço direito de Dilma
para essa conquista. “O que o Lula está deixando para a Dilma não é o que
ele recebeu. A eleição está começando. Temos menos de 50 dias para eleger
Dilma e levar o Mercadante para o segundo turno”, disse. Estavam presentes
também no comício o candidato ao Senado, Netinho de Paula, e o candidato a
vice de Mercadante, Coca Ferraz. O candidato a vice de Dilma, Michel Temer
(PMDB), elogiou a luta da candidata contra a ditadura e disse que está ao
lado de Lula depois de convencido de que seu governo “era importante para o
Brasil”. “A Dilma trabalhou para que nós tivéssemos democracia política no
país. Estamos aqui e a Dilma lutou por isso”, afirmou Temer, acrescentando
que “faltava democracia na mesa. Quem fez a democracia do pão sobre a mesa
foi o Lula”.