Serra é rejeitado por 40,7% dos
eleitores, aponta Sensus
Para o Instituto, Dilma Rousseff venceria no primeiro turno com 55,3% dos
votos válidos
Apresentando a pesquisa que seu instituto realizou nos dias 20 a 22 agosto,
o diretor do Sensus, Ricardo Guedes, disse que “é uma eleição tecnicamente
decidida em primeiro turno”.
Para os institutos de pesquisa tudo é “tecnicamente”. Mas, realmente, o que
os números coletados pelo Sensus apontam é que Dilma Rousseff vence no
primeiro turno das eleições presidenciais.
Em votos válidos – que são os que importam – Dilma, segundo o Sensus,
estava, até então, com 55,3% das preferências contra 33,7% de Serra.
Trata-se de uma diferença (21,6 pontos percentuais) acachapante – sobretudo
considerando que, quando a pesquisa foi encerrada, a campanha para
presidente estava apenas no terceiro dia de horário eleitoral na televisão.
Seu significado político é claro: a derrocada, a bancarrota, talvez não seja
exagero, o desabamento político-eleitoral do reacionarismo entreguista,
antinacional, antipopular e, como nos últimos dias está se tornando cada vez
mais evidente, antidemocrático. É quase inevitável lembrar Fernando
Henrique, à sombra do qual Serra sempre ficou, prometendo sepultar a “Era
Vargas”. Muito rápido, foram eles os sepultados, em poucos anos. A época de
Getúlio, iniciada em 1930, está evoluindo bem depois de 80 anos.
Junto com a abjeção neo-entreguista, faliu também os que tentaram fraudar
pesquisas para mantê-la. Em seu último esforço, a sopapos, para impedir que
a realidade a triture, a “Folha de S. Paulo” e seu instituto, o “Datafolha”,
quinta-feira divulgaram que Dilma está com 55% dos votos válidos, vencendo
em todas as regiões do país – inclusive no Estado de São Paulo, onde ela
vence na capital e no interior. É até interessante o comentário de um dos
funcionários do Otavinho: “No Sul, com o qual Serra contava, houve
crescimento de cinco pontos da petista. Entre os mais velhos, o salto foi de
nove pontos. Entre os com renda acima de dez salários mínimos, de 12 pontos.
No Sul, Dilma subiu de 38% para 43%. Em Minas (um Estado pêndulo capaz de
decidir a eleição), a petista subiu sete pontos. No Rio Grande do Sul, alta
de oito pontos. Na Bahia, 12. (…) todos pareciam querer distância do PT, de
Lula e de Dilma. Agora, conservadores, idosos, ricos, sulistas e até
paulistas se agarram às suas franjas”.
O “todos pareciam querer distância” e as “franjas” são um problema da
“Folha”, sempre atribuindo aos outros tanto a sua fraude, quanto o fracasso
dela, quanto o seu oportunismo. Quando deixa de roubar um pouco nos números,
a “Folha” rouba na interpretação deles.
Se o principal oponente de Dilma fosse um sujeito, digamos, mais racional,
deveria estar querendo encerrar logo essa campanha. Se fosse racional mesmo,
já devia ter desistido. A continuar na mesma tecla, uma mistura demagógica
de agressão estúpida e enrolação inútil, é impossível saber quanto – isto é,
quão baixo – ele irá afundar. E, se mudar de tecla, também.
Algumas coisas na pesquisa Sensus são sugestivas desse soçobramento, que não
é infinito - pois não há número negativo de votos - mas que está longe do
fim.
A primeira é a rejeição. Serra aparece com 40,7% de rejeição – isto é, 40,7%
dos entrevistados disseram que não votam nele de jeito algum, nem se fosse
candidato único. Diz o diretor do Sensus que “acima de 40% de rejeição, um
candidato perde um pouco a capacidade de ganhar a eleição”. Deve ser
verdade, já que parece algo difícil um candidato se eleger com metade dos
eleitores querendo que ele vá cantar em outra freguesia.
Dilma tem a menor taxa de rejeição entre os candidatos – somente 28,9% dos
pesquisados disseram que não votariam nela, o que quer dizer que 71,1% deles
ou votam ou admitem a possibilidade de votar na candidata do presidente
Lula.
Serra está a caminho de bater o recorde de rejeição, o de Fernando Henrique
em 2002, quando, segundo o Sensus, 53,9% queriam vê-lo fora do Planalto
logo, já, e o quanto antes.
Porém, o mais significativo é a evolução da rejeição. Antes do horário
eleitoral na TV, eram 30,8% os que não votariam em Serra sob nenhuma
hipótese. Ou seja, a rejeição aumentou 9,9 pontos após três dias de
propaganda televisiva. Enquanto isso, Dilma só oscilou ligeiramente acima da
margem de erro da pesquisa, pois antes do programa sua taxa de rejeição era
25,3% e a margem de erro é (+ou-) 2,2.
A segunda questão é o que o Sensus chama de “expectativa de vitória”. Nada
menos do que 61,8% dos pesquisados acham que Dilma vence as eleições, isto
é, 6,5 pontos acima dos que dizem que vão votar nela. Já Serra,
somente 21,9% acham que ele vai ganhar, ou seja, 11,8 pontos abaixo
dos que dizem que vão votar nele. Logo, boa parte dos que dizem votar nele,
acham que vai perder. Mesmo se mantiverem o voto, essa faixa, aliás,
crescente, não estará animada para recomendar a outros o seu candidato.
A terceira é a avaliação do programa eleitoral na TV: 56% acham que o
programa de Dilma é melhor do que o de Serra, contra 34,3% que acham o
inverso.
A quarta é a aprovação de Lula – 80,5% aprovam o desempenho do presidente.
Portanto, Dilma tem ainda muito para crescer. E Serra para descer.
CARLOS LOPES