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“Haiti não pode depender de ajuda eternamente”, afirmou Celso Amorim
O
ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que o “maior desafio” é
ajudar o Haiti, “preservando a (sua) soberania”. O chanceler ressaltou, durante
sessão extraordinária do Conselho de Direitos Humanos da ONU destinada a avaliar
a situação do país, na quarta-feira passada (27), que a comunidade internacional
tem que contribuir “criando as condições favoráveis para um ciclo de
desenvolvimento econômico e social com mais segurança, democracia e no respeito
total dos direitos humanos”.
Celso Amorim
destacou que a função da comunidade internacional “não é substituir as
autoridades haitianas em decidir quais são as necessidades de seu povo e
estabelecer as prioridades”. “Estamos aqui não só para proteger, mas para
promover os direitos humanos na reconstrução do Haiti”, prosseguiu o chanceler.
“A ajuda para
aliviar o sofrimento é essencial, e a comunidade internacional tem respondido de
forma satisfatória a esta emergência. Porém, temos de estar seguros de que ao
trazer esta ajuda emergencial, estamos também ajudando o povo haitiano a elevar
sua autoestima e sua dignidade”, disse em mensagem ao conselho.
Em sua
participação no Fórum Econômico de Davos (Suíça), na quinta-feira (28), Amorim
pediu a todos os países do mundo que reduzam a zero suas tarifas de importação
para produtos do Haiti durante 15 a 20 anos. O ministro afirmou que são
necessários investimentos imediatos para reconstruir o país, após o terremoto
que o devastou em 12 de janeiro, para que a população haitiana tenha esperança
no futuro.
“O Haiti não
pode depender eternamente de ajuda. Precisa de muita ajuda e precisará por muito
tempo, mas também precisa que a economia se estruture por conta própria – e,
para isso, é necessário ter mercados”, reiterou Celso Amorim, na segunda-feira
(1º), em Paris, após uma reunião com a diretora geral da Unesco, Irina Bokova.
O chanceler
acrescentou que é preciso “financiamento, mas também mercados” para que o país
supere seu “problema de segurança alimentar”. Ele destacou que o Haiti “era um
país autossuficiente” na produção de arroz até aplicar “políticas
macroeconômicas ditadas por organismos internacionais”, que o levaram a
“importar arroz subsidiado não sei de quem”, o que acabou com a produção
interna.
O ministro
também lembrou que a última crise política no Haiti antes do terremoto de 12 de
janeiro foi provocada, em abril de 2008, justamente por uma crise alimentar,
causada por uma alta dos preços dos produtos básicos, entre eles o arroz, devido
à especulação internacional com as matérias primas.
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