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Para Requião, é preciso “ceifar a indecente taxa de juros do BC”
O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB),
afirmou que “o que é preciso fazer é ceifar a daninha política monetária do
Brasil atual, a indecente taxa de juros”. Em entrevista ao jornal DCI, Requião
avaliou que hoje vê “a possibilidade de desenvolvimento do Brasil travada numa
visão neoliberal e na escravização da política econômica do Brasil ao mercado,
via Banco Central”.
Questionado se o Paraná está preparado em caso
de uma nova crise mundial, como preveem os analistas, o governador enfatizou que
se preocupa muito com o fato da “euforia voltar a tomar conta dos mercados
financeiros”. “Me preocupa ver o capital vadio, que não produz, que não gera
empregos, voltar a inflar bolsas de valores. Recriam-se as condições para um
novo tombo, para a farra dos lucros fantásticos de uns poucos custar o emprego,
a casa, a dignidade de milhões de pessoas”, declarou, acrescentando que no
“Paraná, desde 2003, fizemos o que era preciso para manter em ordem as finanças
públicas” e que hoje a situação do seu estado é muito boa e “a economia
floresce”.
Requião ressalvou que no que compete ao
presidente Lula a economia do país está bem conduzida. Mas alertou para que “não
nos iludamos quanto à necessidade de mudarmos a orientação da política
monetária”. “Não é possível que, em plena crise, quando o fantasma das demissões
rondava famílias de trabalhadores, que os gênios financeiros que tomam assento à
mesa do Comitê de Política Monetária (Copom) mantivessem taxas de juros de 9%,
10%, 11% ao ano. Enquanto isso, no Japão, nos Estados Unidos, os juros estavam
zerados, para manter a economia real em curso. O Brasil andou bem nos últimos
anos, apesar do BC, e não graças a ele”, lembrou.
Requião falou ainda sobre o apoio ao PT. Para o
governador, seu questionamento não está na aliança com o partido nem ao nome da
ministra Dilma. “O problema é a maneira como as coisas se fizeram. O PMDB é o
maior partido do Brasil, é um partido fragmentado, capilarizado. A maneira
legítima de se tirar o apoio de um partido tão heterogêneo é via convenção. Em
vez disso, um grupo de lideranças preferiu franquear o apoio e a unidade do
partido, algo que não podem entregar, ao redor da uma mesa”.
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