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Produtores de soja
vão à Justiça contra Monsanto no Mato Grosso
A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso prepara ação judicial
contra a Monsanto, detentora da tecnologia de sementes transgênicas da soja. As
tentativas de diálogo se esgotaram com a empresa que tornou os produtores
brasileiros cativos de seus insumos, e decidiu aumentar em 26% os royalties
cobrados em cada saca de semente geneticamente modificada tolerante ao herbicida
Roundup.
“A única coisa que queremos é saber qual é o registro da patente e quando ele
expira, pois não temos essa informação”, afirmou Glauber Silveira da Silva,
presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja). “Uma
vez vencida a patente, a semente passa a ser de domínio público. Como sabemos se
isso ainda não aconteceu?”, indaga o sojicultor.
Os produtores também estudam entrar na Justiça em Sinop questionando se os
valores pagos em royalties pelos sojicultores são devidos.
Os produtores aumentaram em Mato Grosso a área plantada de transgênicos de 2,6
milhões de hectares (safra 2008/09) para cerca de três milhões de hectares na
safra deste ano, aumentando de uma safra para outra o lucro da Monsanto de R$ 39
milhões para R$ 45 milhões (15,38%). De acordo com o cálculo dos produtores, o
valor cobrado pela Monsanto para patente é de R$ 15 por hectare. Os transgênicos
já ocupam metade de toda a área plantada de soja no Estado, cerca de 6 milhões
de hectares. Na região norte do Mato Grosso atualmente 50% das lavouras são
cultivadas com variedades transgênicas, que toleram herbicida à base de
glifosato.
“Temos informações de que a Monsanto está induzindo as sementeiras do Estado a
produzir somente sementes transgênicas”, ressaltou Silveira, dizendo que a
Aprosoja pretende fazer uma notificação para que a Monsanto apresente
justificativas para cobrança do royalties.
O Sindicato Rural de Sinop denunciou que a empresa faz duas cobranças, sendo a
primeira na compra da semente, por meio de boletos, e a segunda que é feita na
saída do produto, com os grãos passando por um teste apontando se é transgênico
ou não, nos armazéns. “Em janeiro, eles cobraram R$ 0,45 cada quilo de semente,
o que equivale a cerca de 30% do preço da saca”, falou o presidente do
Sindicato, Antonio Galvan.
Os produtores denunciam que no teste nos armazéns, em muitos casos, a oleaginosa
convencional é contaminada e os agricultores acabam pagando royalties sem ter
adquirido sementes transgênicas. “Se tiver uma lavoura de soja transgênica ao
lado de uma convencional, na época da florada, pode ocorrer a polinização. Se as
máquinas, na hora do plantio, não forem bem limpas e ficar algumas sementes dos
transgênicos, também pode haver contaminação. Desta forma, na hora dos testes,
são consideradas transgênicas”, explicou Galvan, falando que a contaminação pode
ocorrer na hora de estocar a safra ou na lavoura, por meio de polinização ou na
hora do plantio. |