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CUT, FUP e CNQ defendem o fim dos leilões no
pré-sal
Seminário sobre o pré-sal foi realizado Fórum
Social Temático de Salvador
A defesa dos recursos do pré-sal para o povo
brasileiro, o fim imediato dos leilões das
bacias petrolíferas e a aprovação de uma nova
legislação para este setor estratégico ao
desenvolvimento nacional foram algumas das
prioridades defendidas pelas entidades sindicais
e populares no Fórum Social Mundial Temático de
Salvador, realizado de 29 a 31 de janeiro em
Salvador.
No domingo, no Sindicato dos Bancários, a
assembleia dos movimentos sociais reafirmou a
importância da mobilização popular, uma vez que
“os EUA crescem seu olho diante das grandes
riquezas naturais do nosso continente, como a
recente descoberta do Pré-sal”. Na passeata que
reuniu milhares de manifestantes de Ondina até o
Farol da Barra, lideranças das centrais, UNE,
UBES e MST sublinharam a determinação de
enterrar a lei 9.478 (de FHC), que escancarou o
setor ao cartel estrangeiro.
A decisão também foi defendida no Seminário
‘Pré-Sal e Desenvolvimento do País’, promovido
pela Federação Única dos Petroleiros (FUP),
Confederação Nacional dos Químicos (CNQ-CUT) e
CUT-Bahia, na tarde de sábado, durante o Fórum.
Participaram do evento, no Hotel Sol Barra, o
coordenador da FUP, João Antonio de Moraes; o
assessor da Presidência da Petrobrás, Rosemberg
Pinto; e Cairo Garcia Corrêa, da setorial
Petróleo e Petroquímica da CNQ.
O coordenador da FUP destacou que “no
enfrentamento com os neoliberais e privatistas
de Davos, temos orgulho de dizer que o povo de
Porto Alegre está sendo vitorioso, pois o muro
do neoliberalismo caiu na cabeça deles”. Moraes
destacou que a campanha “O Petróleo tem que ser
nosso!” vem contribuindo para elevar a
compreensão sobre o significado das imensas
riquezas encontradas e as perspectivas que se
abrem para o futuro, “a fim de que as utilizemos
em benefício do nosso povo”. O absurdo,
enfatizou o líder petroleiro, seria perdermos
esta oportunidade única, uma riqueza energética
que é matéria-prima para mais de três mil
produtos, e fazermos como a Indonésia, “que
exportou petróleo a US$ 1 (um dólar) e hoje tem
que importar a US$ 70”. Com base na famigerada
lei 9.478 e na falta de uma visão estratégica,
condenou Moraes, ocorreram dez leilões de
petróleo, permitindo com que multinacionais como
a Shell estejam enviando para fora do país 150
mil barris por dia. “É sempre bom lembrar que
das últimas 11 guerras 10 foram por petróleo;
que hoje 90% das reservas mundiais são
controladas pelos Estados e não pelas chamadas
big oils, e que as fontes de energia precisam
ser utilizadas de forma ambientalmente
responsável. As multinacionais nem fazem e nem
farão isso. Por isso a revisão dos leilões é uma
necessidade, pois eles significam a
recolonização, fazem o país andar para trás”,
sublinhou.
De acordo com o representante da CNQ, Cairo
Garcia Corrêa, neste momento crucial, o controle
social sobre um bem tão estratégico para o seu
desenvolvimento passa a ser uma necessidade para
a manutenção da própria soberania, e considerou
que “podemos ir muito além, avançar muito mais
na justiça social. Para isso precisamos do fim
dos leilões”, acrescentou.
Rosemberg Pinto defendeu a criação do “Fundo
Social, para que o lucro da exploração de
petróleo e gás seja para o bem do ser humano,
para a diminuição da pobreza, com investimentos
em saúde, educação, cultura e desenvolvimento
sustentável”. O assessor da estatal disse que a
produção mundial atual é de 86 milhões de barris
diários e que, pelas projeções atuais, a
perspectiva é de que despenque para apenas 31
milhões em 2030, quando a demanda será de 106
milhões, “uma diferença de 75 milhões de
barris”. Daí, esclareceu, o fato de a Petrobrás
investir na incorporação de novas descobertas,
em novas fontes de energia e em maior eficiência
energética. O diretor da Petrobrás lembrou ainda
que o Brasil se destaca por possuir “grandes
reservas, alta tecnologia em petróleo, base
industrial diversificada, grande mercado
consumidor, estabilidade institucional e
jurídica”, o que torna essencial a consciência e
a mobilização do povo brasileiro em defesa deste
patrimônio fenomenal.
As descobertas dos gigantescos campos do Pré-Sal
em Tupi (5 a 8 bilhões de barris), Iara (3 a 4
bilhões) e Guará (1,1 a 2 bilhões), na avaliação
de Rosemberg, devem servir de estímulo para
fortalecer a participação popular no debate
sobre os destinos destes recursos. |