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3,5 milhões de franceses não têm moradia ou
moram precariamente
Relatório anual sobre a precariedade das condições de habitação e moradia
dos franceses publicado ontem em Paris pela Fundação Abbé Pierre, apontou
que o aumento da pobreza e das desigualdades econômicas e sociais no país
está expressa nas péssimas condições das moradias da população e que a crise
a partir do final de 2008 em muito agravou essa situação.
Moradias super-ocupadas, domicílios irregulares e insalubres, habitações
improvisadas e albergues sem as mínimas condições de higiene é a realidade
que atinge mais de 10 milhões e 100 mil franceses dos quais 600 mil são
crianças.
3 milhões e 500 mil cidadãos não têm qualquer tipo de moradia ou vivem muito
mal alojados em abrigos temporários.
“A crise da habitação se agravou em 2009 com a crise econômica”, afirmou
Cristophe Robert, diretor de estudos da Fundação Abbé Pierre, “de fato,
todos os indicadores mostram que o acesso dos franceses à habitação digna
estão mais difíceis desde o final de 2008 e, por outro lado, o custo médio
de um aluguel aumentou 23% em relação a 2007. A oferta imobiliária se
contraiu muito piorando ainda mais a situação dos mais pobres. É verdade que
600 mil crianças muito mal alojadas ou sem moradias sofrem pesadas
conseqüências para sua saúde, sua escolaridade e sua integração social”
concluiu Cristophe em entrevista ao jornal Le Figaro.
A Fundação propõe que o governo faça um plano emergencial para subsidiar
aluguéis para os mais carentes e invista em recuperar imóveis deteriorados
do centro das cidades para atender essa demanda. Propõe que o governo
incentive às construtoras terem em suas carteiras pelo menos 30% de imóveis
mais baratos destinados aos mais pobres.
Segundo o delegado geral da Fundação Abbé Pierre, Patrick Doutreli-gne,
existe 2 milhões de imóveis vagos na França e 300 mil em Ile-de-France no
centro de Paris.
Ao largo desse debate o presidente Francês, Nicolas Sarkozy, mais preocupado
em bajular Mme. Clinton e o governo dos EUA em relação ao Irã e ao
fortalecimento da Otan, discute proposta de aumentar o tempo das
aposentarias para os trabalhadores franceses, e, ao invés de investir os
recursos públicos para reduzir o déficit habitacional e geração de empregos
prefere oferecer o dinheiro e o suor dos franceses graciosamente às multis
norte-americanas que continuarão demitindo e agudizando a crise que devasta
as condições de vida dos trabalhadores e do povo.
R.C.
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