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PIB norte-americano encolhe 2,4% em 2009
Esse foi o
pior resultado desde 1946. Ainda assim autoridades, especuladores e
colunistas saíram contando vantagem sobre o “formidável” crescimento “anualizado"
de 5,7% , quando de fato mal passou de 1%
O Produto
Interno Bruto (PIB) dos EUA despencou 2,4% em 2009, o pior resultado desde
1946, mas ainda assim autoridades, especuladores e colunistas do “New York
Times” saíram contando vantagem sobre o “formidável” crescimento de “5,7% no
último trimestre do ano”, indício de que a crise “acabou”, ou se “aproxima
do fim”.
No terceiro
trimestre de 2009, o Departamento do Comércio dos EUA já havia inflado o
crescimento do período, para “3,5% anualizados” – que depois, ao serem
revistos – caíram para mais modestos “2,2%”. Afinal, qual é a
prestidigitação capaz de travestir o pior resultado desde o final da II
Guerra Mundial num “vigoroso crescimento de 5,7%”?
A resposta está
na manipulação da estatística – mais uma -, com os “5,7%” sendo o
“crescimento no trimestre ‘anualizado’”. Na verdade, o aumento em relação ao
trimestre anterior foi pequeno, pouco mais de 1%, mas, tratado pelos mágicos
de plantão, foi projetado como se repetisse automaticamente nos próximos
quatro trimestres. É assim que se “anualiza” o resultado trimestral,
fabricando os tais 5,7%.
Se o objetivo
fosse estabelecer alguma avaliação do desenvolvimento do PIB, poderiam ter
escolhido a comparação do trimestre atual (no caso o quarto trimestre de
2009) com igual período de 2008 (ano anterior) ou a comparação entre o
quarto trimestre de 2009 e o terceiro trimestre de 2009. No primeiro caso,
ficaria exposta a grande destruição da economia norte-americana; no segundo,
a fragilidade da “recuperação” sem empregos.
Pela comparação
2009 sobre 2008, segundo tabela do Departamento do Comércio, verifica-se:
redução de 4% nos bens duráveis (que já haviam encolhido 4,5% em 2008);
queda de 1% nos bens não-duráveis (menos 0,8% no ano anterior); contração de
23,5% no ‘investimento bruto doméstico’ – sobre menos 7,3% de 2008;
diminuição de 16,9% nos equipamentos e software; e menos 20,4 % em
residências (menos 22,9 no ano anterior). Nas exportações, redução líquida
de 9,9% em 2009, sendo que em bens duráveis foi de 12,5% e em serviços, de
4,2%. As importações também caíram: 14,2% (total), 16,3% (bens) e 3,8%
(serviços).
Para evitar tais
incômodos, apelaram, então, para o “crescimento trimestral anualizado”. Mas
nem assim – apesar do empurrão dos os programas de incentivo à compra de
automóveis e de casas. Voltando à comparação entre o 4º trimestre de 2009 e
o trimestre anterior, basta a observação do NYT de que “o maior fator por si
só na forte taxa de crescimento” não se deveu “aos consumidores comprando
mais”, mas às empresas “deixando seus estoques encolherem a uma taxa mais
lenta que previamente”.
Explica o jornal
que a empresa “não repõe plenamente” o que está faltando, “mas deixa o
estoque diminuir a um passo mais lento”. Moderação que é traduzida em
aumento na saída, “devido ao modo como o governo calcula o crescimento”. “A
variação de inventário acrescentou 3,4% à taxa de crescimento no último
trimestre de 2009. (No último trimestre, as empresas reduziram seus estoques
em US$ 33,5 bilhões, contra US$ 139,2 bilhões (3º T) e US$ 160,2 bilhões (2º
T); o cálculo é ‘vendas domésticas finais reais igual a PIB menos variação
dos estoques privados’).
A propósito, o
crescimento do consumo no quarto trimestre (modestos 2% ‘anualizados’) são
menores que os “2,8%’ – também inchados – do trimestre anterior. O que, sem
a manipulação, representa uma queda da ordem de 0,7% para 0,5%. O gasto
governamental total caiu ligeiramente, por uma taxa de 0,1%” no período,
sendo que mais 208.000 trabalhadores [resultado líquido] foram demitidos
pelas contas oficiais, engrossando os mais de 17% de sem-emprego. |