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Leilões do setor do petróleo: bom ou ruim?
Associação dos Engenheiros
da Petrobrás - AEPET
A mudança
auspiciosa da realidade brasileira com a descoberta do Pré-Sal, pela Petrobrás,
fez com que o presidente da República tomasse a iniciativa de propor quatro
projetos de modificações da legislação do petróleo, tendo em vista que a Lei
9478/97 se tornou totalmente inadequada para o País.
No entanto,
apesar dos avanços das propostas, no contrato de partilha há o equívoco
representado pela manutenção dos leilões (que estamos destacando nesta edição do
“AEPET Notícias”). Os leilões contrariam a nova realidade trazida pelo Pré-Sal,
pois remunera em óleo, os consórcios exploradores em quase 50%, sem que eles
corram qualquer risco.
Por que razão
ceder tanto diante de uma realidade que não traz qualquer risco ao consórcio
explorador, além de não exigir dele qualquer trabalho, já que a operação está a
cargo exclusivo da Petrobrás?
Por que isso é
ruim?
O novo projeto de lei ainda dá poder a quem produz o petróleo, porque
prevê que os custos de produção e dos royalties pagos aos Estados e Municípios,
bem como a parcela do Petróleo Lucro, serão pagos em petróleo ao Consórcio
encarregado da produção.
O que
significa isso?
Resolvemos
esmiuçar as premissas e as consequências do novo projeto através de uma
simulação, para esclarecer o quanto a continuidade dos leilões é nociva para a
Petrobras e para o País:
Premissas adotadas:
1) continuidade dos leilões de áreas potenciais produtoras de petróleo;
2) preço internacional do barril do petróleo: US$ 70,00;
3) custo total de produção estimado: US$ 30,00 por barril;
4) o consórcio ganhou o leilão oferecendo à União 70% do óleo lucro e fica com
30%.
Trocando em miúdos:
1) Dividindo-se custo de produção - US$ 30 - pelo preço do barril - US$ 70 -,
obtemos 43%, que é o valor que o consórcio recebe, em óleo, para remunerar o seu
custo total de produção. US$ 30 / USS 70 = 43% => valor recebido em óleo pelo
consórcio;
2) Pela emenda do relator, os royalties foram elevados para 15% e serão pagos
aos estados e municípios em reais, mas o consórcio produtor recebe o valor
correspondente em óleo; 15% de royalties em óleo para o consórcio;
3) 30% do óleo/lucro caberiam ao consórcio. Ou 30% de (100% - 43% - 15%) =
12,6%;
O resultado: do petróleo produzido, o consórcio ganhador do leilão
ficaria com: 43+15+12,6%, isto é, 70,6%. E o País ficaria com apenas
29,4%.
Cabe esclarecer: como a proposta do Governo prevê a Petrobras como
operadora de todos os campos, ela terá direito a 30% da parte que cabe ao
consórcio, ou seja, 30% de 70,6% = 21,2%. Portanto, a empresa estrangeira ainda
ficaria com 49,4% da produção. Inaceitável, não?
Ainda tem um detalhe: sendo a Petrobras a operadora, qualquer empresa
internacional, inclusive bancos, pode ser líder do consórcio, ganhando um enorme
poder apenas aportando dinheiro.
Pré-sal = Abundância de Recursos Financeiros
Para acabar de vez com qualquer dúvida: vale lembrar que a Petrobras foi
considerada pelo banco Goldman Sachs como a empresa mais viável entre as
petroleiras por causa do pré-sal, que faz com que os recursos financeiros lhe
sejam fartamente oferecidos pelos bancos internacionais.
Tecnologia. O dia a dia da Petrobras.
E, se o
argumento a favor do leilão é a entrada de novas tecnologias, mais uma vez
provamos que não é o suficiente. A perfuração, a completação submarina dos poços
e as linhas flexíveis são realizadas e fornecidas por empresas especializadas,
contratáveis por qualquer petroleira. E a Petrobras, por ter demandado e ajudado
a desenvolver essas tecnologias antes das demais, é a que mais sabe usá-las.
Ficou fácil
concluir que a continuidade dos leilões não traz qualquer benefício para o País.
É por isso que exigimos que esse item seja revisto e corrigido. Junte-se a nós!
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