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CARTAS
horadopovo@horadopovo.com.br
Título nordestino
Existe um modo bem singelo, fácil e rápido de colocar Zé Alagão em seu
devido lugar. Basta que os nordestinos, pobres, desvalidos; basta que os
alagados e os esquecidos de São Paulo, definitivamente transfiram seus
títulos de eleitor para onde efetivamente moram. Ou seja, que comecem a
votar em São Paulo. Afinal, os governantes de São Paulo não ligam pra
eles porque seus votos não fazem diferença. Ora, eles simplesmente não
existem. Então, quando esta população começar definitivamente a fazer
diferença no voto, São Paulo será diferente. Não será comandado mais
pela mente exclusivista da classe-média (parte dela racista e classista)
do Higienópolis. Converse com um vizinho que conversará com outro.
Regularize o título de eleitor e extirpe de uma vez por todas essa gente
canalha que vem assaltando a capital e o Estado paulista há quase duas
décadas. A rapinagem da canalha faz com que todos os moradores paguem o
pato. Pobres e menos pobres. Só os ricaços saem incólumes. Mas em
compensação, não podem desfilar seus Rolex pela rua impunes.
Severino Brasileiro – por correio eletrônico
Projeto de lei
Bom o projeto de lei do senador Antonio Carlos Valadares que obriga os
bancos a receberem títulos após o vencimento, mesmo de outros emissores.
Muitas vezes você se esquece de pagar, ou recebe um título já vencido e
para regularizar é o maior sufoco, pois apenas o banco cedente e algumas
casas lotéricas podem receber, o que te obriga a percorrer longas
distâncias e enfrentar filas. Isso já era para estar em vigor há muito
tempo. É só calcular a mora e receber, desde que não tenha decorrido
cinco ou mais dias de vencido; nada mais simples.
Habib Saguiah Neto - Marataízes (ES)
Ferrujem
Quem visita a pista de cooper do Parque do Ibirapuera percebe que estão
sendo instalados novos aparelhos de exercícios. Aplausos? Não!
Conhecendo a “eficiência” histórica da manutenção municipal, breve
teremos muito material reciclável enferrujado.
Pedro Galuchi – São Paulo (SP)
O filme
Tenho lido algumas críticas desfavoráveis ao filme “Lula – O filho do
Brasil”. Alegam que a biografia do presidente é fazer campanha eleitoral
em favor do seu sucessor ou sucessora. Se a intenção fosse mesmo
eleitoral poderia ser lembrado o ano de 1989, quando empresários da
indústria, do comércio e latifundiários armaram as mais maquiavélicas
situações de calúnia e achincalhamentos para derrotá-lo. A grande
imprensa e as forças burguesas sabiam que o seu adversário não era
confiável, mas era quem podia derrotá-lo naquele momento. Deu no que
deu. Há nos setores da grande mídia a idéia de desconstruir a imagem de
ícones, mitos e figuras históricas, principalmente a da esquerda do
Brasil e do mundo. Sem falar em Karl Marx, Lênin, Engels, Stalin, Mao
Tse-Tung e tantos outros que a direita apelidou de dinossauros. Já li
nesta linha Che Guevara e Carlos Lamarca. Dom Helder Câmara foi chamado
de O Bispo Vermelho. Até Jesus Cristo já puseram em dúvida o seu
celibato, talvez por considerá-lo de esquerda por causa do “Sermão da
Montanha”. Com o Lula não fogem à regra. Um crítico chama o personagem
“Lula” de boneco. Classifica as cenas mais dramáticas de melodrama em
tom pejorativo. Além de classificar termos em certos diálogos de
“grosseiros”, faz questão de transformar a popularidade do presidente em
populismo. Na minha modesta opinião o diretor Fábio Barreto retratou a
realidade nua e crua do retirante nordestino enfrentando as agruras na
cidade de São Paulo. Quero deixar claro que respeito o direito de
expressão, mas também reivindico o direito de divergir, muitas vezes nem
sempre publicado em jornais e revistas parciais de determinadas
ideologias. Gosto de ler o Hora do Povo que está sempre ao lado da
realidade.
Lair Estanislau Alves – Belo Horizonte (MG)
Amazônia
Disse o ministro: “Amazônia é de todos nós”. Isso é velho. Outros povos
já disseram a mesma coisa. “O Brasil é de todos nós”, e partiram para o
Brasil. Napoleão Bonaparte disse: “Portugal é de todos nós”. Tirou a
mãozinha da barriga e riscou Portugal do mapa. Português que não é muito
burro disse: “Oh, Raios! O Brasil é de todos nós”. Encheram os navios de
bolinho de bacalhau e partiram para o Brasil. E os brasileiros dizem:
“Amazônia é de todos os brasileiros”?
Mário César Pomárico – São Paulo (SP)
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