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Amorim: “contrarretaliação deixaria EUA
à margem das negociações internacionais”
O ministro das
Relações Exteriores, Celso Amorim, avaliou que o governo norte-americano
incorreria em erro caso concretizasse a ameaça de contrarretaliação ao Brasil.
“Se um país fizer isso [contrarretaliação], estará à margem das negociações
internacionais”, disse Amorim.
Ante à
possibilidade do governo brasileiro usar o direito, reconhecido pela Organização
Mundial do Comércio (OMC), de retaliar os Estados Unidos, o novo embaixador
norte-americano no Brasil, Thomas Shannon, declarou que “retaliações provocam
contrarretaliações e isso não é bom nem para o Brasil nem para os Estados
Unidos”.
Após um
litígio que durou sete anos, a OMC considerou pertinente as reclamações
brasileiras em relação ao subsídio (na verdade, dumping) à produção e exportação
de algodão dos EUA, dando ao Brasil o direito de retaliar em até US$ 830 milhões
aquele país.
A Câmara de
Comércio Exterior (Camex) concluirá até 1º de março a lista de produtos dos EUA
que serão retaliados, por meio da elevação da tarifa de importação em até 100
pontos percentuais. “A retaliação em bens deve ser de US$ 560 milhões. A
diferença pode ser em propriedade intelectual ou serviços”, afirmou a
secretária-executiva da Camex, Lytha Spíndola.
Segundo
Amorim, o Brasil segue as normas da OMC, mas continua aberto ao diálogo: “Não
estamos fechados para as negociações. Temos de tentar conversar. Essa é a nossa
disposição”.
IRÃ: DIÁLOGO EM VEZ DE SANÇÕES
Em relação às
pressões dos EUA por sanções ao Irã, o chanceler brasileiro, Celso Amorim,
condenou a possibilidade de que a ONU imponha novas sanções econômicas contra o
Irã, por causa do anúncio de enriquecimento de urânio feito pelo presidente
Mahmoud Ahmadinejad.
“Não
acreditamos que as sanções vão ter resultados”, disse o ministro das Relações
Exteriores do Brasil, lembrando que as sanções podem resultar em mais problemas,
como já ocorreu com o Iraque.
Fora o
diálogo, “o outro caminho é o que conhecemos. Ele foi perseguido no caso do
Iraque”, onde o embargo dobrou a taxa de mortalidade infantil e criou graves
problemas de abastecimento ao país, como falta de água potável.
Amorim
defendeu que se mantenha o diálogo com o Irã: “Por tudo que eu ouvi, ainda há
campo para negociar com base na proposta que foi feita pelo ocidente”. O
ministro Amorim ofereceu a cooperação brasileira. “O Brasil está disposto a
ajudar nesse diálogo. Evidentemente tem que ter disposição de todas as partes”.
Mais tarde, em
outra conversa com jornalistas, o chanceler brasileiro ponderou as
possibilidades de atuação do Brasil. “Ao contrário do que se diz, o Brasil não
poderá impedir. O Brasil não tem poder de veto no Conselho de Segurança [da
ONU]. Não é o Brasil que vai ter papel decisivo nisso. O Brasil pode ajudar com
diálogo”.
Amorim cobrou
que o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica,Yukia Amano,
tenha mais iniciativa nas negociações com o Irã. “Se o presidente Ahmadinejad
disse que eles estavam dispostos a entregar urânio antes e receber o
combustível, acho que o diretor da agência atômica teria que ir lá e checar para
ver onde está a dificuldade”.
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