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Ucrânia: Com um milhão de votos a menos,
“laranja” quer recontagem
O candidato vencedor do segundo turno das
eleições presidenciais ucranianas, o oposicionista Viktor Yanukovich,
conquistou 48,95% de respaldo eleitoral e aconselhou a atual primeira
ministra, Yulia Timoshenko, com 45,47%, a acatar o voto do povo.
“Os líderes que respeitam a democracia sempre
aceitam o resultado da vontade popular nas urnas”, destacou Viktor
Yanukovich, dirigente do Partido das Regiões (PR), que ultrapassou com quase
um milhão de votos a candidata “laranja”.
O presidente eleito afirmou que “chega um
governo que não só promete soluções, mas que as levará à prática, retornando
a Ucrânia ao leito de seus amigos e aliados naturais”. ”O país não necessita
outra crise política e o povo se pronunciou pela mudança”, sublinhou
Yanukovich, em referência às declarações da golpista Timoshenko de que
desconheceria o resultado das eleições, cuja lisura foi constatada e
aprovada por todas as instituições do país e do exterior que as observaram.
”Os candidatos ‘laranjas’ acenaram com apelar
contra os resultados ante os tribunais, mas esqueceram que está em vigência
uma nova emenda à lei eleitoral, apresentada pelo próprio bloco de
Timoshenko (BIUT), que deixa o Tribunal Supremo fora de qualquer veredito
sobre as eleições, como ocorreu em 2005. Eles pensaram que iriam ganhar e
nós entraríamos com recursos. Agora não adianta chorar”, afirmou Alexander
Efremov, dirigente do PR.
“Yanukovich liderou claramente durante toda a
campanha eleitoral: antes do primeiro turno, depois e agora, já com os
resultados divulgados. Por isso me parece estranho que Yulia Timoshenko
tente algo para não reconhecer os resultados. É um comportamento padrão que
os ‘laranjas’ vêm praticando. Só que o golpe que eles deram cinco anos
atrás, agora já está fora de cogitação”, assinalou Ivan Mielnikov,
secretário de Organização do PCFR (Partido Comunista da Federação Russa),
comentando o momento político ucraniano. Na avaliação do dirigente
comunista, “se alguém somou apoios de ‘forma estranha’ foi precisamente a
candidata ‘laranja’. É difícil imaginar de onde Timoshenko tirou um
resultado 20% maior que os 25% que conseguiu no primeiro turno. Com os 5% do
fascista Yushenko e mais um pouco de outros como o também pró- ocidental
Yatseniuk, não chegaria a tanto. As lamentações por um suposto roubo de
votos não se sustentam na mais elementar lógica política”.
Efremov lembrou ainda que “aquele esquema de
fazer mobilizações de rua sustentadas com milhões de dólares, também não vai
mais ter espaço. Nós, do PR, esperamos pacientemente este dia e, se vierem
com provocações, o povo ucraniano os varre da política real”. |